Os santos não são juizes, 
mas também 
"os santos não são simplórios"

As palavras de Jesus Não julgueis para que não sejais julgados deixa claro uma coisa:

Não somos juizes!!!

Porem a ordem de não julgar não é uma exigência para que sejamos cegos, mas antes uma exortação a sermos gene­rosos. Jesus não nos diz que deixemos de ser homens (deixando de lado o poder crítico que nos distingue dos animais), mas que renunciemos à ambição presunçosa de sermos Deus, colocando-nos na posição de juizes.

Em todas as nossas atitudes e no comporta­mento relativo a outras pessoas, nem devemos representar o juiz (severo, censurador e condenador), nem o hipócrita (que acusa os outros enquanto se justifica), mas o irmão, cuidando dos outros a ponto de primeiro acusar-nos e corrigir-nos para depois procurarmos ser construtivos na ajuda que lhes vamos dar.

E tambem não como um inimigo, nem como um adversário que exige o cumprimento da pena, mas como um médico que fornece o remédio, e, ainda mais, como um irmão amoroso e ansioso em salvar e restaurar. 

Precisamos ser tão críticos co­nosco como somos geralmente com os outros, e tão generosos com os outros como sempre somos conosco. Assim cumprire­mos a Regra Áurea que Jesus e agi­remos em relação aos outros como gostaríamos que eles fizessem conosco.

Juliano Fabirio
Tentando agir como gostaria que agissem comigo.
Ps: em mais um fragmento do sermão do monte


Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Mateus 5.13.

O debate atual interessa pela credibilidade. As pessoas perguntam:

Existe coerência entre o que se fala e o que se vive? Os princípios afirmados e propagados se concretizam na vida e no gesto? 

O mundo está aberto para qualquer mensagem que se conecte com a realidade. Convém lembrar: antes que qualquer cristão se empolgue em ganhar o mundo, é preciso saber se ele encara o projeto de viver a mensagem que prega com integridade. Antes que qualquer instituição proponha mudanças para a sociedade, ela deve olhar para dentro e ver se consegue ser testemunho do que afirma. O desafio cristão já não é mais apologético, apenas encarnacional (será que essa palavra existe? Se não existe, inventei agora). O mundo quer saber se a verdade se relaciona com a realidade.

Verdade não significa um postulado correto, absoluto e eternamente coerente, e sim coragem de encarar a existência, e mentira tem a ver com alienação existencial. Hoje, mais do que nunca, sal sem sabor será pisado.

"As pessoas não ouvirão nossa mensagem nem serão atraídas às nossas igrejas se virem cristãos hipócritas e igrejas que não se preocupam com os problemas do mundo. Nossas obras não são o evangelho, mas podem embelezá-lo e torná-lo mais atraente. Kevin DeYoung (Baseado em Tito 2.10) 

"A teologia convencerá, não pela certeza que põe nas respostas, mas pela integridade com que levanta as perguntas, e pelo rigor com que respeita as disciplinas críticas, históricas, científicas e linguísticas do mundo que tem por missão servir." John A. T. Robinson

Juliano Fabricio – bebendo da fonte do intitulado “herege” Ricardo Gondim.


Há uma superexposição de religiosos na mídia, na política, nos esportes, no rol das celebridades; e com ela, uma banalização do divino.

Tele evangelistas alardeiam feitos cada vez mais espetaculares. O país se assusta com o discurso conservador de políticos que, apesar de estarem na mira do Supremo Tribunal Federal, insistem com pautas moralistas. Celebridades se convertem e ganham mais notoriedade. Jogadores de futebol gravam frases de efeito na camiseta e apontam para o céu na hora da vitória. Vez por outra um automóvel passa com a afirmação escrita na carroceria: Presente de Deus. Depois que o Todo Poderoso ganhou fama, alguns pedem: Menos deus, por favor! – o deus, na frase, deve vir em minúsculo. (Recado a ateus, agnósticos e desigrejados: a confusão entre Deus e deus é tamanha que teólogos e sacerdotes também têm dificuldade em distinguir um do outro.

Também quero menos deus. Imploro até: menos demiurgos, por favor. Em certas expressões da divindade, qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, consideraria desnecessárias.

Não quero um deus técnico. Dietrich Bonhoeffer o chamou de ex-machina. Essa divindade se contenta com técnica, ritos, cerimônias. Basta recitar uma reza, aderir a um credo ou cumprir alguma liturgia e ele escancara portas e janelas para prosperar o crente. Por isso, manuais teológicos ou livros que ensinam os passos para agradá-lo, vendem bem. Como nenhum relacionamento depende de técnica, esse deus se parece mais com os ídolos primitivos que exigiam adulação para dispensar seu favor. Ele, portanto, é desnecessário em seu primitivismo.

Muito do pensamento ocidental vem das antigas concepções gregas, que entendiam o universo engrenado numa relação de causa e efeito. Deus, a causa primeira – o Motor Imóvel de Aristóteles – precisava ser tirado de sua indiferença através de sacrifícios, penitências e obediência. O fascínio atual por campanhas de oração, jejuns e doação de dinheiro, como meio de acessar o divino, tem a mesma lógica.

O desgaste da religião organizada é monumental. No Brasil, o segmento religioso que mais cresce desde a década de 1990 é o dos não-religiosos. Paradoxalmente, expressões de uma espiritualidade medieval, com práticas esotéricas fervilham. Mega organizações florescem. Mais gente lota espaços onde intervenções sobrenaturais são o único recurso de reverter processos históricos perversos; se esse é o preço que deus cobra para aliviar o sofrimento das vítimas, ele não merece a atenção de ninguém.

Não quero um deus oligarca. Elites poderosas se organizam nome de ideais religiosos enquanto, no fundo, revelam apenas ambição de poder. Não consigo aceitar um deus que gera mandachuva soberbo. Não tolero conviver com uma espiritualidade que ajuda o sacerdote a aparecer em lista de bilionários. O estigma que pesa sobre o religioso, muitas vezes verdadeiro, é que a fé o torna cobiçoso, materialista e ganancioso. Se críticos da religião desdenham de discursos piedosos é porque duvidam da agenda, nem sempre cristalina, do clero. Millôr Fernandes acertou em cheio quando disse: Eu não dou dois centavos por um homem que lucra com os ideais que defende.

Antigos cristãos insistiram, no começo do movimento, que a vocação que vem de Deus capacita para o serviço e não para a dominação; para a doação de si e não para o lucro. Quem ousava tomar a cruz, tornava-se criado de todos, principalmente dos pobres. A Igreja não surgiu para disputar poder, mas para servir. Nos relatos mais antigos da fé, os primeiros cristãos foram tratados como a escória do mundo – escravos, exilados, pobres, marginalizados, nunca interessados na disputa política do poder.

Não quero um deus minucioso e controlador. Jesus falava de liberdade, de vida sem jugo. Mas veio o assédio do imperador de Roma e com ele, a necessidade de mostrar que o clero possui controle sobre a fé. O legado do Nazareno virou uma religião estatal. O legalismo se fortaleceu. [legalismo é obsessão por um sistema de regras que busca controlar todos os pormenores da vida]. Depois, na Idade Média, os concílios se arrastaram tediosamente por décadas. O desejo de conhecer até onde vai o controle de deus, fez teólogos perguntarem quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete e qual o valor a ser pago para abater alguns dias no purgatório. O legalismo resiste. Religiosos continuam a perder tempo, debatendo sobre tamanho do cabelo das mulheres, gravatas e necessidade das vestimentas clericais.

Se as grandes questões como justiça, paz entre as nações, sorte dos inocentes e a esperança dos perdidos não dominam as prioridades, outros debates serão irrelevantes. Diante de um mundo em que milhões sofrem com o desemprego, a África arqueia sob o peso da miséria e da Aids e a corrida armamentista consome riquezas inomináveis — não deixa de ser ridículo apequenar o debate sobre a intolerância divina com as minúcias do dia a dia.

Não quero um deus manhoso e instável. O deus tribal, carente de elogios, precisa morrer. Religião neurotiza sempre que procura forçar o seguidor a andar sob o peso da perfeição absoluta. Instituições, interessadas em gerar pavor de que a qualquer instante vem castigo do céu, adoecem mais do que curam. Concordo com o rabino Harold Kushner:

Acredito que a mensagem fundamental da religião não é a de que somos pecadores porque não somos perfeitos, mas a de que o desafio de ser humano é tão complexo, que Deus não perde tempo esperando de nós a perfeição. A religião vem para purificar-nos de nosso sentimento de desvalia e para assegurar-nos de que, quando tentamos ser bons, e não conseguimos ser tão bons quanto desejávamos ser, não perdemos o amor de Deus… A religião é a voz que diz: eu vou guiá-lo através desse campo minado das difíceis escolhas morais, compartilhando com você a percepção e a experiência das grandes almas do passado, e vou lhe oferecer o conforto e o perdão quando você estiver perturbado pelas escolhas dolorosas que fez”.

Quero menos deus. Anseio por uma espiritualidade em que Deus permeia a vida sem a manipulação dos cambistas, sem a euforia dos curandeiros e sem a intolerância dos fundamentalistas. Desejo mais Deus para que sua mensagem continue a inspirar novos Bachs e novos Hendels. E que Ele levante homens e mulheres, iguais a Martin Luther King e a Mandela, como profetas da justiça.

Quero menos deus. Todavia, desejo mais Deus para que igrejas, plantadas nos morros violentos do Rio de Janeiro e na periferia de São Paulo, espalhem solidariedade, paz e coexistência. Quero mais Deus para que os crentes aprendam a respeitar o próximo, sem distinguir gênero, orientação sexual ou cor da pele. Precisamos menos deus para que mais Deus nos leve a acreditar no amanhã.

Soli Deo Gloria


Muitas pessoas, inclusive os adeptos de outras religiões e os que não têm nenhuma, dizem-nos que estão preparadas para aceitar o Sermão do Monte como contendo a verdade auto-evidente. 

Sabem que ele inclui sentenças tais como "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia", "Amai os vossos inimigos", "Ninguém pode servir a dois senhores", "Não julgueis, para que não sejais julgados" 

"Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles".

Lindo! Aqui, dizem eles, Jesus de Nazaré é o mestre da moral em sua forma melhor e mais simples. Aqui está o âmago de sua mensagem antes de ser incrustada, por seus intérpretes, de adições sem valor. Aqui está o "Jesus original", com ética simples e sem dogmas, um profeta da justiça, sem sofisticação, reivindicando ser nada mais que um mestre humano e nos dizendo que façamos o bem e que nos amemos uns aos outros. 

Já "O Jesus do dogma eu não entendo", disse certa vez um pro­fessor hindu a Stanley Jones, "mas o Jesus do Sermão do Monte e da cruz eu amo e me sinto atraído por ele". Semelhantemente, um mestre islâmico sufi disse-lhe que "quando lia o Sermão do Monte não podia conter as lágrimas".

Padrões opostos são pitorescamente des­critos... e Jesus recomenda

Nossa justiça tem de ser mais profunda porque atinge também o nosso coração, e o nosso amor tem de ser mais amplo porque abrange também nossos inimigos. 

Na piedade devemos evitar a ostentação dos hipócritas e, na oração, a verbosidade dos fariseus. 

Por outro lado, nossas dádivas e nossa oração tem de ser verdadeiras, sem comprometer a nossa integridade cristã. De­vemos escolher para ser nosso tesouro algo que dure por toda a eternidade, que não se desintegre na terra; e por senhor de­vemos escolher a Deus, não o dinheiro e as propriedades.

Portanto, a pergunta principal que se nos impõe, não é "O que fazer com estes ensinamentos?", mas "Quem, afinal de contas, é esse mestre?" Esta foi certamente a reação daqueles que ouviram o Sermão pregado.

[Mais de 2 mil anos se passaram e ainda continuamos atônitos.]

De uma maneira bem contextualizada conforme a imagem acima:

 então vá seu #$%@ ser gentil com os outros

Juliano Fabricio
Relendo o sermão do monte sobre os ombros de John R. W. Stott


São numerosos os perigos de começar com o Espírito Santo
em
vez de começar com a cruz. [entenda]

Entre outras coisas, isso pode facilmente levar uma pessoa a uma danosa busca de 

poder sem caráter, 

mística experiência sem santidade, 

desenfreado emocionalismo sem um são discernimento, 

falsificações demoníacas sem nenhuma realidade espiritual. 

A este respeito, não poucos cristãos que hoje em dia procuram desesperadamente uma renovação individual, fazem rotineiramente suas malas e afluem às mais variadas “Mecas Cristãs” de avivamentos, promovidos por certas igrejas por ai.

Devido a seu desesperado desejo de serem tocados por Deus, muitos deles acabam sendo levados por cada novo vento de doutrina ou experiência que sopra através das portas da igreja, trazendo uma dependência que, como a de um viciado, leva-os a viajar por todas partes para obter sua próxima dose espiritual. (Dopante)

O “guruismo cristão” é também epidêmico nesse tipo de movimento, pois proliferam mestres, profetas e apóstolos “muito poderosos” e altamente dotados, que são reverenciados como ícones espirituais, que se jactam em sua posição conspícua no meio de seus seguidores no clube de fanáticos. 

Uma típica cruzada de renovação não é diferente de um concerto de “rock”, onde a bem anunciada celebridade efetua uma atuação espetacular e recebe os aplausos frente ao público cristão. Por exemplo é bastante comum que os membros da igreja cheguem várias horas antes do culto/missa, a fim de garantir seus assentos na primeira fila para escutar o mestre itinerante em voga e que acaba de chegar à cidade.

Juliano Fabricio
Em: Às vezes, o que eu vejo quase ninguém vê!


Para entender qual mani­fes­ta­ção cristã está mais perto da herança de Jesus basta ver qual está disposta a pagar o preço de abraçar em vez de condenar, de amar em vez de odiar. 

O regime da mise­ri­cór­dia requer mais recursos do que o regime da justiça estrita (rigorosa). 

O próprio Jesus via o exercício do amor como problema econômico, e o compara a uma obra que cada um precisa deter­mi­nar se tem recursos para pagar. 

“O amor é mais severo do que a justiça”
explicava Adolf Harnack
“A justiça admite exceções, o amor não admite exceção alguma”.

O sen­ti­mento de afinidade para com o próximo é para os fortes. E viva São Brabo

Enfim... não interessou a Jesus angariar qualquer relacionamento que viesse por encanto, interesse próprio, vantagem ou poder. 

Em sua missão, ele amou sem esperar retorno. 

Caminhou ao lado do pobre e reconheceu a dignidade do excluído sem pensar em lucro. Jesus invadiu os lugares escuros para resgatar discriminados sem jamais pensar em glória. Desprovido da ambição de conquista, enfrentou estruturas geradoras da morte; por isso atraiu o ódio de religiosos, mancomunados com as forças imperiais, que o mataram.

Juliano Fabricio
Buscando ser um manifestante assim.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Comentem pelo Facebook

Eu apoio - Conheça (+)

Click e Confiram D+

Segue ai...

Curta no Facebook

Amigos do Blog

Postagens populares

Twittes

Google+ Followers

Blog que escrevo

Pesquisar este blog

Carregando...

Siga-me por Email

Marcadores

#pronto falei (212) #Provocações (195) #Word (55) @provérbios (26) Administração (57) Amor (239) Arte (266) Atitude (465) Boas notícias (116) Bíblia (98) Contra Cultura (129) cristianismo inteligente (555) Curiosidade (105) Dicas (46) Estudo (83) Familia (51) Fundamentos (308) GRAÇA (131) humor (86) Igreja (137) imagem que vale post (30) Juventude (62) Livros (17) Masculinidade (37) Missão integral (101) modelos (157) Nooma (6) Opinião (310) Oração (34) Politica (47) Polêmica (88) Protesto (135) Questionamentos (451) Recomendo (130) Relacionamento (268) relevante (332) Religião (66) Solidariedade (57) Teologia (168) Videos (385)

Blog Arquivos

Minha lista de blogs

Juliano Fabricio Ferreira. Tecnologia do Blogger.

Visão Mundial - Conheça

Visitantes

Contato:

Juliano Fabricio Ferreira

jucafe2@yahoo.com.br

Uberlândia - MG - 34 9149-5443

Networkedblogs - Siga

Recomendações