[Uma lista de regras porque isso aqui está sempre muito livre e solto e pais existem para isso.] 

Elaborar regras que determinem uma conduta aceitável.

Vamos lá. Regras.
Claras. Rígidas.

1. baguncem: a vida, os cabelos, as gavetas. Desconfiem de tudo, tudo que aparentar arrumado demais.

2. corram: se o espaço for mínimo – mas ainda assim possível – acelerem o passo. Correr nos dar o poder de fazer vento no rosto. Brincar de deus, ora. Agora, se o espaço for grande, voem.

3. se abracem: irmão abraçado faz muralha. Protege, acolhe.

4. falem um pouco mais alto que o necessário: onde tem voz de criança, no bairro, tem vida. Uma rua sem ruídos infantis é um beco sem saída.

5. tomem banho frio: rápido (por causa da falta de chuvas), mas tomem. Banho frio faz a gente lembrar dos ossos. E que estamos inteiros. Isso é para a vida.

6. comam juntos: fazer uma refeição sozinho é como orar para um deus surdo. Quando os três estão à mesa, a alma se alimenta. 

7. leiam: é a única saída de emergência que salva do incêndio lá fora.

8. sujem a casa: isso indicará que vocês vieram de algum lugar divertido e que poderão se divertir limpando tudo, juntos, depois. Fazer faxina é melhor que fazer terapia.

9. ouçam sua mãe: ela é a única pessoa do mundo que não irá disputar com vocês o que é certo e o que é errado. Quer apenas que vocês sejam felizes.

10: tenham um quintal (projeto em andamento): baguncem, corram, se abracem, falem alto, tomem banho frio, comam juntos, leiam, se sujem e ouçam sua mãe quando ela disser que é hora de entrar em casa. (Por enquanto não temos esse quintal, porem nosso apartamento para eles é um universo sem fim de possibilidades)

Juliano Fabricio
O pai que definiu as regras.
lendo doseupai


Peço a Deus que me livre de reuniões desnecessárias, 

encontros vaidosos e debates arrogantes; 

peço que me livre do entorpecimento da cultura rasa, 

do humor escrachado, 

da opinião idiota e do consumismo ansioso; 

que me livre do rancor, 

da angústia, das fobias e da depressão; 

peço, sobretudo,

a leveza de desfrutar em paz consciente das pequenas alegrias do dia, 

como um vídeo qualquer da Maria Flor cantando, 

com a amizade do meus filhos que vejo crescer ao meu lado,

com o beijo carinhoso de minha esposa,

com um pequeno texto que anime meu espírito,

com os amigos mais perto,


com o refrão de uma música chiclete que me faça viajar pela estrada das lembranças, 

com a esperança fundamental que, antes, acima e depois de tudo, afirma que minha alma pertence à eternidade, de onde vim e para onde voltarei, eternidade que me visita sempre que consigo desfrutar de modo simples da oração que faço, causando o efeito relativo do tempo, quando a vida inteira cabe num instante eterno. 

Amém.

Juliano Fabricio
e que venha 2017...
[Ps: com crise ou sem crise, ELE cuidará de nós...]



● Neste ano-novo, se faça novo, reduza a ansiedade, regue de ternura os sentimentos mais profundos, imprima a seus passos o ritmo das tartarugas e a leveza das garças.

● Não se mire nos outros; a inveja mina a autoestima, fomenta o ressentimento e abre, no centro do coração, o buraco no qual se precipita o próprio invejoso.

● Espelhe-se em si mesmo, assuma seus talentos, acredite em sua criatividade, abrace com amor sua singularidade. Evite, porém, o olhar narcísico. Seja solidário: estenda aos outros as mãos e oxigene a própria vida. Não seja refém de seu egoísmo.

● Cuide do que fala. Não professe difamações e injúrias. O ódio destrói a quem odeia, não o odiado. Troque a maledicência pela benevolência. Comprometa-se a expressar alguns elogios por dia. Sua saúde espiritual agradecerá.

● Não desperdice a existência hipnotizado pela TV ou navegando aleatoriamente pela internet, naufragado no turbilhão de imagens e informações que não consegue síntetizar. Não deixe que a sedução da mídia anule sua capacidade de discernir e o transforme em consumista compulsivo. A publicidade sugere felicidade e, no entanto, nada oferece senão prazeres momentâneos.

● Centre sua vida em bens infinitos, nunca nos finitos. Leia muito, reflita, ouse buscar o silêncio neste mundo ruidoso. Lá encontrará a si mesmo e, com certeza, um Outro que vive em você e que quase nunca é escutado.

● Cuide da saúde, mas sem a obsessão dos anoréticos e a compulsão dos que devoram alimentos com os olhos. Caminhe, pratique exercícios, sem descuidar de aceitar as suas rugas e não temer as marcas do tempo em seu corpo. Frequente também uma academia de malhar o espírito. E passe nele os cremes revitalizadores da generosidade e da compaixão.

● Não dê importância ao que é fugaz, nem confunda o urgente com o prioritário. Não se deixe guiar pelos modismos. Faça como Sócrates, observe quantas coisas são oferecidas nas lojas que você não precisa para ser feliz. Jamais deixe passar um dia sem um momento de oração. Se você não tem fé, mergulhe em sua vida interior, ainda que por apenas cinco minutos.

● Arranque de sua mente todos os preconceitos e, de suas atitudes, todas as discriminações. Seja tolerante, coloque-se no lugar do outro. Todo ser humano é o centro do Universo e morada viva de Deus. Antes, indague a si mesmo por que, às vezes, provoca nos outros antipatia, rejeição, desgosto. Revista-se de alegria e descontração. A vida é breve e, de definitivo, só conhece a morte.

● Faça algo para preservar o meio ambiente, despoluir o ar e a água, reduzir o aquecimento global. Não utilize material que não seja biodegradável. Trate a natureza como aquilo que ela é de fato: a nossa mãe. Dela viemos e a ela voltaremos. Hoje, vivemos do beijo na boca que ela que nos dá continuamente: ao nutrir cada um de nós de oxigênio e alimentos.

● Guarde um espaço em seu dia a dia para conectar-se com o Transcendente. Deixe que Deus acampe em sua subjetividade. Aprenda a fechar os olhos para ver melhor.

Feliz 2017!
[Ps: Leia Frei Betto, Rubem Alves, Mia Couto e todo mundo que é e não faz questão de ser.]


Amor é contagioso. 

Passa. Pega. Alastra. Espraia. Irradia. Vai. Amor vai. 

Desde que resolvi escrever para vocês, aqui, recebo alguns poucos comentários. Gente que agradece, que pergunta, divide, gente que se emociona, que me emociona, gente que reza, deseja bem, que tem família, que não tem, gente daqui, de lá, de lugares que nem sei o cheiro, sei que existem, apenas. Desde que resolvi escrever para vocês, aqui, fiquei dividido entre abrir as portas de casa para desconhecidos e preservar (essa era a palavra-tormento) nossa família. 

Nossa família está preservada, meus filhos. 

Em nós mesmos, ela se preserva. Quando estamos juntos, em casa ou não, estamos em casa. Nossa família é o nosso lugar e vai com a gente, sempre, em forma de cuidado, respeito, força, fé. O que nos une é isso que se espalha. Amor. Amor vai. A gente vai. Nossa família vai, assim, juntinha, aonde for. 

Que essa imagem, de vocês, contagie, passe, pegue. Que nem um bom bocejo numa tarde de calor.

Juliano Fabricio
que esse contágio se espalhe...


Um ramo surgirá do tronco de Jessé, 
e das suas raízes brotará um renovo. 
(Isaías 11...) 

O velho profeta anunciava a chegada do menino, o ramo no tronco de Jessé, como a chegada de um novo Reino. Na boca de Isaías, o nascimento do ungido que seria chamado Emanuel - Deus conosco - era a aurora de uma revolução sem precedentes.

E o bebê que surge nos evangelhos, 600 anos depois do profeta, surge arrebentando a boca do balão. No que diz respeito à subversão (Subverter = perverter; perturbar; desordenar; corromper; sublevar; conturbar; convulsionar; tumultuar), o primogênito de Maria entra de sola. Rei nascido entre os bichos e deitado na palha dura de um cocho, em uma cidadezinha esquecida num canto da palestina, o surgimento do rebento por pouco não passou despercebido de quem quer que fosse, à exceção de umas vaquinhas e jumentos que, naquela noite, não tiveram onde comer. Os poucos afortunados que souberam do fato histórico que viria a dividir para sempre o calendário ocidental, foram gente de terceira categoria. Pastoreando ovelhas à noite, fora dos holofotes e do agito da cidade, funcionários do turno 3 ouviram anjos e foram ver o pequenino. Depois deles, José e Maria, quando levaram o guri para apresentá-lo ao Deus judeu, como mandava a tradição, foram abordados por um velhinho aposentado e uma senhora amalucada no pátio do templo. Sacerdotes, levitas e fariseus também estavam por lá, mas viram somente mais um bebê entre tantos. Aí vieram os astrólogos, observadores de estrelas, de algum canto não registrado do oriente, pagãos incircuncisos, que não eram reis coisa nenhuma, sei lá de onde tiraram isso. Depois desses, somente trinta anos depois é que surge o doido varrido do João, o primeiro vegano (veganos comeriam insetos?), berrando do meio do rio Jordão - "eis o cordeiro de Deus!". Só gente da periferia, párias distantes dos holofotes é que reconheceram naquele indivíduo o Renovo, a raiz de Jessé evocada por Isaías.

É subversão a dar com o pau. Tudo errado. Tudo fora do protocolo. Parece até provocação. O rei revolucionário que surge, surge revolucionariamente.

Ninguém à exceção dessa gente distante da oficialidade, da respeitabilidade vinda do status, dos diplomas e das indicações, conseguiu enxergar naquele Jesus, o Cristo. E porquê? Ora, os respeitáveis temem qualquer coisa que surja de outros que não seus pares. Que não seus iguais. Por isso os respeitáveis oprimem, calam e, se preciso, matam aqueles que, não sendo respeitáveis como eles, surgem clamando por justiça, igualdade e "julgando a favor dos pobres" (Is 11). Os respeitáveis, não raro, assumem a forma de lobos, leopardos, leões e cobras. O que mais temem é perder sua posição de predadores e serem forçados a deitar lado a lado com os pequeninos, com os frágeis.

O anúncio da vinda do messias é o anúncio de um sonho maravilhoso materializado no esvaziamento de Deus, na fragilização do criador, no Deus bebê deitado na manjedoura. O anúncio do fim da lógica de presa e predador como mola propulsora da humanidade.

"O lobo viverá com o cordeiro. 
(...) Uma criança os guiará".

O Reino que nasce em Cristo é o reino daqueles que submetem-se a ser guiados por uma criança. Que abrem mão de um sistema que está todo ele fundamentado em predadores e presas. Que se satisfazem com a ausência das hierarquias de controle, com a fraternidade, com o irmanamento de todos. Que, sendo fortes, abrem mão de sua força e, sendo fracos, não querem uma revolução que os coloque no poder e inverta a opressão. Querem caminhar ombro a ombro, lado a lado. É o sonho de Isaías, o delírio de Mandela.

Mas isso, e aí está o ponto mais subversivo de toda essa subversão, não pode surgir por meio da força, das lutas armadas, dos gritos de guerra. É convulsão interior armada apenas com aquilo que Nietsche definiu como a maior fraqueza: o amor. Não qualquer amorzinho abobado, romântico e chorão, mas o amor de Jesus, o amor que aquele bebezinho deitado no cocho levaria às últimas consequências.

O Reino é, enfim, silenciosa e discreta semente procurando solo fértil no coração do homem, buscando aqueles que a recebam com o solo irrigado e sigam os passos do Mestre.

Juliano Fabricio
lendo atrilha


O Deus de poder, enquanto percorria
Em suas majestosas roupagens de glória,
Resolveu parar; e assim um dia
Ele desceu, e pelo caminho se despia.
George Herbert

Ó Deus, por que essa criança desventurada não nasceu em algum outro lugar?

E assim Jesus Cristo entrou no mundo no meio da disputa e do terror, e passou a infância escondido no Egito como refugiado

Mateus observa que a política local até determinou onde Jesus cresceria. Quando Herodes, o Grande, morreu, um anjo disse a José que seria seguro ele retornar a Israel, mas não para a região em que Arquelau, o filho de Herodes, assumira o governo. Então José mudou-se com a família para Nazaré, no norte, onde ficaram morando sob domínio de outro filho de Herodes, Antipas, de quem Jesus diria “aquela raposa”, e também aquele que mandaria decapitar João Batista.

Alguns anos depois, os romanos assumiram o comando direto da província do sul, que abrangia Jerusalém, e o mais cruel e famigerado desses governadores foi um homem chamado Pôncio Pilatos. Bem relacionado, Pilatos casou-se com a neta de César Augusto. Segundo Lucas, Herodes Antipas e Pilatos, o governador romano, consideravam-se inimigos até o dia em que o destino os reuniu para determinar o destino de Jesus. Naquele dia eles colaboraram, esperando ter sucesso onde Herodes, o Grande, havia falhado:

 livrar-se do estranho pretendente e assim preservar o reino.

Do início ao fim, o conflito entre Roma e Jesus parecia ser de todo unilateral. A execução de Jesus aparentemente acabaria com qualquer ameaça, ou era o que pensavam naquele tempo. A tirania venceria mais uma vez. Não ocorreu a ninguém que seus obstinados discípulos pudessem simplesmente sobreviver ao Império Romano.

Que história...

... o Criador de todas as coisas encolheu-se além da imaginação, tanto, tanto, tanto, que se tornou um óvulo, um simples ovo fertilizado, quase invisível, um óvulo que se dividiria e se redividiria até que um feto fosse formado, expandindo-se célula por célula dentro de uma irrequieta jovem.

“Que Deus é pequeno, essa é a verdade que Jesus ensinou ao homem”.

O Deus que trovejava, que podia movimentar exércitos e impérios como peões num tabuleiro de xadrez, esse Deus apareceu na Palestina como um nenê que não podia falar, nem comer alimento sólido, nem controlar a bexiga, que dependia de uma jovem para receber abrigo, alimento e amor.

Enfim... o acontecimento que dividiu a história, e até mesmo nossos calendários, em duas partes, talvez tenha tido mais testemunhas animais que humanas.

Em Jesus, Deus encontrou um meio de se relacionar com os seres humanos que não passava pelo medo.

“Considero-me estrangeiro em qualquer país, alheio a qualquer raça.
Pois a terra é minha pátria e a humanidade toda é meu povo. ” Khalil Gibran

Juliano Fabricio
triste com a realidade de tantos refugiados

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