seja amigo de pecadores;
ande com prostitutas e publicanos;
não se apegue a muita grana e nem a muita bagagem;
não ajunte tesouros na terra;
contente-se em ser contado como malfeitor, perturbador, ...subverta;
não negocie no templo, afinal agora o templo é você;
não afaste as crianças, submeta-se a ser guiado por uma delas,
abra mão do sistema estabelecido (status quo),
esqueça hierarquias,
inverta a opressão,
abra mão da sua força,
caminhe lado a lado,
prefira mesas e festas;
não tenha medo de tocar;
não busque o poder, pelo contrário, esvazie-se dele;
seja silencioso como o nascer de uma semente, 
seja discreto como o fermento na massa;
não lave as mãos;
enfim...Conte histórias...

Para quem ainda quer seguir as dicas de um Jesus fora de moda, resta a toalha e a bacia do lava-pés, (inclusive lavando os pés do seu traidor); o serviço ao próximo que envergonha os títulos e constrange os arrogantes e que por isso não cabe em seus discursos ufanistas. Quem quiser ser maior no Reino, seja servo do seu próximo, porque neste Reino, muitos considerados desprezados pela sociedade precederão a todos. É tudo uma questão de ouvidos, os conselhos estão lançados e Jesus afirmou que quem tem ouvidos para ouvir – o Dele – ouça.

O que mais me intriga é que muitos de vocês não entenderam nada do que ELE quis dizer. 

PS: Se você percebe que tem algo que está fora de moda, 
porem é fundamental ao evangelho,  por favor deixe um comentário!!!

Juliano Fabricio
Em processo de 
desconstrução religiosa


Quero falar de dona Ivani. 

Dona Ivani aprendeu a dividir felicidades e misérias pelas durezas da vida. Esse dividir nunca foi um dividir negativo, mas um dividir-compartilhar, da divisão que soma, em uma lógica de amor que subverte a aritmética. Ela aprendeu a dar o pouco que tinha e até o que não tinha como forma de mostrar que de dois faz-se quatro, de quatro faz-se oito e de oito faz-se oitenta, exercitando em frações um amor por inteiro. 

Dona Ivani aprendeu que a vida é um jogo entre o que queremos e o que podemos, temperado com o que ousamos. Encantou-se e casou-se com um vascaíno chamado Joadir. Com ele e as vezes sozinha educou seus cinco filhos. Eu sou um deles. Dona Ivani é minha mãe. 

À minha mãe devo tudo, a começar pela vida. É evidente, mas mascarado por sua evidência, esse é um fato de uma beleza estonteante. Como o escurecer do sol(ela sabe disso). Deu-me à luz, mas ninguém é mãe só porque põe no mundo. Ela sabe disso. Mãe não é categoria biológica, mas concretude afetiva. 

Minha mãe me ensinou muitas coisas. 

Ela ensinou autoridade sem violência, 
compaixão sem assistencialismo, 
vitórias sem humilhações, 
derrotas como lições. 

Aprendi com ela que a relação entre mãe e filho pode ser de igual para igual sem que se perca o respeito. Antes uma palavra indignada do que o silêncio engasgado que mata por asfixia tantas famílias. Minha mãe ensinou a discordar sem agredir. Ensinou a brigar sem machucar, a viver socialmente sem morrer moralmente. 

Nesse dias das mães quero tornar pública minha gratidão por tudo que recebi dessa mulher que sempre soube virar o jogo da vida. Que soube a hora de estudar e arrancar para uma vida melhor com sua cria, através de esforços e de uma sabedoria incomparável. 

Lembro de quando nos despedimos quando fui para São Paulo trabalhar. Malas feitas, um beijo, uma benção, um vá com Deus. Esqueço algo e volto. Na passagem para o quarto, vejo pela porta entreaberta ela sentada na cama, olhinhos miudinhos, chorando feito um bebê. Chorando feito uma mãe. Quase que eu fico. Mas ela ficaria desapontada. Sempre disse que sonhos se sonham e se buscam. E que ela estaria sempre ali para ajudar. Por isso ela foi chorar escondido. Acabei indo, não sem antes lhe dar um beijo encharcado de amor e receber um outro com mais amor ainda. Deixei para chorar no ônibus. 

Inevitável voltar ao passado: mãezinha querida, “da mão toda suja de massa de pão de queijo”, se pudesse, buscava outra vez, mamãe, “começar tudo, tudo de novo”. Te amo. Sua benção, coisa linda. E feliz dia das mães. 

PS: Mãe, desculpa por não comer tanto ou nada de verdura que com tanto carrinho você fez. E eu, na rispidez da minha adolescência, não quis. Sei que minha entrada no céu depende desse perdão. 

do seu filho
Juliano Fabricio


...esse é o meu Testamento. Leiam com muita atenção.

Quando eu morrer, gostaria de deixá-los com tudo o que tenho: sua mãe. Esperem. Ainda pretendo viver muito – apesar de me achar bem velho nos fins de tarde de verão, quando a energia já não é mais a mesma e mal consigo correr atrás de vocês. Mas é um equívoco achar que existe um tempo onde se diz tudo o que pretende, de uma vez. A gente vai dizendo aos poucos, assim é a vida (o ideal é que, todos os dias, diga-se e repita-se tudo o que realmente importa – aqui em casa funciona dessa maneira: todos os dias, vocês dizem que amam a sua mãe, dizem que ela é linda, dizem que ela é a melhor, elogiam seu cabelo, mas principalmente seus gestos e conquistas). 

Meu pouco a dizer hoje é um Testamento. Se eu deixar casa, poupança com dinheiro dentro, essas coisas mais bestas, não deem valor. Dividam, apenas. 

Mas fiquem com o meu melhor: sua mãe

Minha maior conquista, minha maior realização, meu único sonho que parecia inalcançável, minha inspiração, meu norte. De todos, o maior bem. De tudo que tenho comigo, aqui, nessa vida, sua mãe, minha esposa, é o mais valioso e importante personagem da minha própria existência. Fiquem com ela. Perto. Muito perto. Sejam a extensão dela, como são hoje, ainda pequenos. Cresçam por fora, mas permaneçam de um tamanho que caiba no colo dela. Deem colo – em certos momentos (sei que não parece) ela necessita de um pouco. Ofereçam seu tempo, o tempo que não tiverem, ofereçam. Estejam disponíveis. Chorem juntos, de alegria e de tristeza. Ambos fortalecem o coração e demais músculos que usamos. 

Beijem. Beijem sempre. 

Beijo de filho cura qualquer dor, é remédio melhor que o tempo. Não escrevam cartas, falem. Como o fazem, hoje. Digam tudo a ela, que tem os melhores ouvidos. Os melhores olhos. Os melhores beijos e abraços. O melhor colo. 

Ainda pretendo viver muito. E vou. Ao lado dela, porque eu não sou besta.

Mas, filhos, caso eu venha a morrer, gostaria – apenas – de deixá-los com ela. Que é a melhor dentre todos nós."

Juliano Fabricio
+ vivo do que nunca


[num banho, a temperatura ideal para dois não existe.] 

Na vontade de ter a água mais quente, fecha-se um pouco o registro. Na esperança de esfriar, abre-se tudo. Nesse vai-e-vem, minha-vez-sua-vez, deixa-que-eu-cuido-disso, a única coisa que acontece mesmo é a água não ficar quente do jeito que um quer, nem fria como o outro queria. 

Quente demais? Esquiva. 
Fria demais: arrepio.

Testa-se, antes, com as extremidades. Os pés, os dedos das mãos. O mergulho vertical só acontece com a segurança de que a água está de acordo com o que o corpo espera. Espero que vejam nisso, filhos, o que são as relações

E de onde parte a tolerância com o que é a vontade do outro.

A temperatura ideal para dois nunca virá. 

Hoje, talvez ela esteja mais quente do que queremos. Amanhã, pode ser que esteja perfeita para nós – e fria demais para o outro. 

E que assim, dia após dia, a gente se abrace, dance, pule, se arrepie, se esquive, descubra com a ponta do pé se dá para entrar ou não, brinque com isso. 

E que o amor nos banhe. 
E que as diferenças escorram pelo ralo.

Juliano Fabricio
Surrupiado gentilmente do seu pai


E perguntaram a Jesus: “Quem é o meu próximo?“ E ele lhes contou a seguinte parábola:

Voltava para sua casa, de madrugada, caminhando por uma rua escura, um garçom que trabalhara até tarde num restaurante. Ia cansado e triste. A vida de garçom é muito dura, trabalha-se muito e ganha-se pouco. Naquela mesma rua dois assaltantes estavam de tocaia, à espera de uma vítima. Vendo o homem assim tão indefeso saltaram sobre ele com armas na mão e disseram: “Vá passando a carteira“. O garçom não resistiu. Deu-lhes a carteira. Mas o dinheiro era pouco e por isso, por ter tão pouco dinheiro na carteira, os assaltantes o espancaram brutalmente, deixando-o desacordado no chão.

Às primeiras horas da manhã passava por aquela mesma rua um padre no seu carro, a caminho da igreja onde celebraria a missa. Vendo aquele homem caído, ele se compadeceu, parou o caro, foi até ele e o consolou com palavras religiosas: “Meu irmão, é assim mesmo. Esse mundo é um vale de lágrimas. Mas console-se: Jesus Cristo sofreu mais que você.“ Ditas estas palavras ele o benzeu com o sinal da cruz e fez-lhe um gesto sacerdotal de absolvição de pecados: “Ego te absolvo...“ Levantou-se então, voltou para o carro e guiou para a missa, feliz por ter consolado aquele homem com as palavras da religião.

Passados alguns minutos, passava por aquela mesma rua um pastor evangélico, a caminho da sua igreja, onde iria dirigir uma reunião de oração matutina. Vendo o homem caído, que nesse momento se mexia e gemia, parou o seu carro, desceu, foi até ele e lhe perguntou, baixinho: “Você já tem Cristo no seu coração? Isso que lhe aconteceu foi enviado por Deus! Tudo o que acontece é pela vontade de Deus! Você não vai à igreja. Pois, por meio dessa provação, Deus o está chamando ao arrependimento. Sem Cristo no coração sua alma irá para o inferno. Arrependa-se dos seus pecados. Aceite Cristo como seu salvador e seus problemas serão resolvidos!“ O homem gemeu mais uma vez e o pastor interpretou o seu gemido como a aceitação do Cristo no coração. Disse, então, “aleluia!“ e voltou para o carro feliz por Deus lhe ter permitido salvar mais uma alma.

Uma hora depois passava por aquela rua um líder espírita que, vendo o homem caído, aproximou-se dele e lhe disse: “Isso que lhe aconteceu não aconteceu por acidente. Nada acontece por acidente. A vida humana é regida pela lei do karma: as dívidas que se contraem numa encarnação têm de ser pagas na outra. Você está pagando por algo que você fez numa encarnação passada. Pode ser, mesmo, que você tenha feito a alguém aquilo que os ladrões lhe fizeram. Mas agora sua dívida está paga. Seja, portanto, agradecido aos ladrões: eles lhe fizeram um bem. Seu espírito está agora livre dessa dívida e você poderá continuar a evoluir.“ Colocou suas mãos na cabeça do ferido, deu-lhe um passe, levantou-se, voltou para o carro, maravilhado da justiça da lei do karma.

O sol já ia alto quanto por ali passou um travesti, cabelo louro, brincos nas orelhas, pulseiras nos braços, boca pintada de batom. Vendo o homem caído, parou sua motocicleta, foi até ele e sem dizer uma única palavra tomou-o nos seus braços, colocou-o na motocicleta e o levou para o pronto socorro de um hospital, entregando-o aos cuidados médicos. E enquanto os médicos e enfermeiras estavam distraídos, tirou do seu próprio bolso todo o dinheiro que tinha e o colocou no bolso do homem ferido.

Terminada a estória, Jesus se voltou para seus ouvintes. Eles o olhavam com ódio. Jesus os olhou com amor e lhes perguntou:

“Quem foi o próximo do homem ferido?“


provocante reflexão do 
inspirador Rubem Alves



É aí que localizo na minha cidade o espaço de resistência a esses padrões uniformes do mundo global – o botequim. O buteco é a casa do mal gosto, do disforme, do arroto, da barriga indecente, da porrada, da grosseria, do afeto, da gentileza, da proximidade, do debate, da exposição das fraquezas, da dor de corno, da alegria do novo amor, do exercício, enfim, de uma forma de cidadania muito peculiar.

A luta pelo buteco é a possibilidade de manter viva uma Ágora efetivamente popular, espaço de geração de ideias e utopias – sem viadagens intelectuais, mas fundadas na sabedoria dos que têm pouco e precisam inventar a vida – que possam nos regenerar da falência de uma (des)humanidade que limita-se a sonhar com a roupa nova e o corpo moldado. O botequim é o anti-shopping center, é a anti-globalização, é a recusa mais veemente ao corpo-máquina dos atletas olímpicos ou ao corpo doente das anoréxicas – doença comum nesse mundo desencantado.

Ali, entre garrafas vazias, chinelos de dedo, copos americanos, pratos feitos e petiscos gordurosos, daquele mar de barrigas indecentes, onde São Jorge é o deus e mercado é só a feira da esquina, a vida resiste aos desmandos da uniformização e o ser humano é restituído ao que há de mais valente e humano na sua trajetória – a capacidade de sonhar seus delírios e afogar suas dores e medos na próxima cachaça. É onde a alma da cidade grita – Não passarão!

Luis Antonio Simas, em Resistir é preciso

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