É importante entender os movimentos ao longo da história para discernir as influências que eles projetam até os dias atuais. Um exemplo disso é o Movimento Beat, que foi em minha opinião a maior influência na vida dos jovens em todos os tempos, no que diz respeito ao comportamento, consumo de drogas, influências orientais, surgimento de bandas (The Doors, Bod Dilan, Beck...). Entenderemos isso no decorrer do artigo.

Movimento poético-literário da metade da década de 40 e anos 50, formado por jovens norte-americanos (brancos, classe média, alguns universitários), inconformados com o sistema de sua época. (inclusive com a nação cristã norte-americana que financiou todas as guerras até então).

Características: buscavam uma nova percepção da vida humana através do uso de drogas, das experiências psicanalíticas, do sexo e de filosofias orientais (especialmente o budismo), registrando essas “viagens” em seus poemas, diários e livros. Os beatnicks andavam mal barbeados, cabelos em desalinho, irreverentes e rebeldes. Através da recém inaugurada rodovia Rota 66 e outras estradas, cruzaram os EUA em carro próprio ou de carona, de um lado para outro. Era um jeito diferente de viver o mito do vagabundo. Para os críticos, eles nada mais eram do que jovens burgueses revoltados com sua própria condição de vida. Fascinados pelas doutrinas orientais, rejeitavam o caminho do intelectualismo, devotando-se a uma vida marcadamente sensorial e deixando-se arrastar por sua ludicidade e desprezo pelas satisfações de uma carreira e de um rendimento regular.

Espiritualidade: adotaram religiões orientais (como o budismo) e buscavam uma outra ordem espiritual: a “viagem” interna, a “viagem” para dentro de si mesmos.

Ano-chave: 1957 (lançamento de On The Road, de Jack Kerouac) significou o florescer da estética beat. Ao rejeitar os valores burgueses, os beatnicks valorizavam a espontaneidade, a natureza e a expansão da percepção, que alcançariam através das drogas, do jazz e das religiões orientais. (Influência vista até hoje)

Contexto de época: após a 2ª. Guerra Mundial o mundo ficou dividido entre dois blocos, o capitalista e o comunista, com duas superpotências armadas o suficiente para destruir todo o planeta várias vezes. Isso criou o que foi designado como a Guerra Fria. Os Estados Unidos viam o comunismo como seu pior inimigo e, por isso, passaram a fiscalizar e perseguir todos os cidadãos que tivessem idéias esquerdistas e comunistas, apoiados pelo projeto de um senador, Joseph McCarthy. A perseguição foi tão feroz que deu origem ao termo maccartismo. Em paradoxo ao horror da guerra fria, a classe média americana vivia a euforia de um crescimento econômico e tecnológico sem precedentes.

Insatisfação dos jovens beats: o estilo americano de vida (american way of life) que privilegia o consumismo desenfreado; a multidão solitária absorvida pela ânsia de segurança sob o terrível clima da guerra fria; a tirania das massas, pela tendência de formar rebanhos de cidadãos medíocres; a submissão generalizada; o conformismo e a necessidade de identificação com a imagem que a sociedade exige de cada um. Em oposição aos esquemas americanos de dominação e controle, criou-se a figura do solitário marginal (outsider), arredio a toda engrenagem social oficialmente reconhecida.

Influências que provocou: nos Estados Unidos, o movimento sai da reclusão dos bares e das andanças nos anos 50 para atingir as ruas nos anos 60, influenciando a contracultura, o pacifismo antinuclear, as manifestações contra a Guerra do Vietnã, os grandes festivais de música (Woodstock, Altamont, Whigt), a luta das minorias (gays) e dos direitos civis (mulheres e negros). São responsáveis pela introdução de uma filosofia como motivação e justificativa para o uso de drogas.

O termo BEATNICK
• O termo Beat foi criado por Jack Kerouc em 1948 e levado ao público em 1952 pelo jornalista John C. Holmes, do New York Times, no artigo This is the Beat Generation.

• O termo Beat: - significa beatitude, beato, santificação. O espírito de contestação induzia esses jovens a se refugiarem numa suposta ‘beatitude’; - refere-se também à batida do jazz (o estilo musical preferido desses jovens – ainda não havia o rock), o embalo, o ritmo.
- expressa também ‘cansaço’, ‘saturação’. Traduzida para o português quer dizer “derrubado”.
• O Nik foi emprestado do satélite Sputnik, que acabara de ser atirado no espaço pela extinta União Soviética, e anexado só em 58.

• O termo Beatnick nasceu a partir de uma reportagem de comportamento do jornal San Francisco Chronicle, que apontava na direção de legião de jovens que migravam para as praias do norte da Califórnia. Para a imprensa que o criou, o beatnick era um termo depreciativo, pois designava os rebeldes jovens americanos alundindo à suposta simpatia deles pelas idéias esquerdistas e revoltas contra o conformismo.

Curiosidade: o movimento hippie influenciou a escolha do nome, nos anos 60, do grupo de rock Beatles, uma fusão das palavras beat e beetles (besouro).

Thimothy Leary – O guru do LSD
Leary não era um dos escritores poetas beat, mas tornou-se amigo deles e compartilhou das mesmas idéias que eles, sendo uma forte influência no pensamento libertário dos anos 60. PhD na Universidade de Berkeley e psiquiatra de Harvard, Leary experimentou alguns cogumelos, pela primeira vez, no México, em 1960, aos 45 anos de idade, tendo sua primeira “viagem psicodélica”. De volta a Harvard, começou a experimentar em centenas de voluntários (muitos seus alunos), os efeitos da psicolocibina (princípio ativo dos cogumelos sagrados mexicanos), e é expulsão da Universidade. Organiza, então, a IFIF (Fundação Internacional para a Liberdade Interior), no México, onde intensifica suas atividades com a mescalina, ahuasca, ácido lisérgico, e é convidado a retirar-se do país. Em Nova York, funda um centro de pesquisas psicodélicas que se tornaria o santuário e Meca mundial dos peregrinos do ácido. Ali, ele promove sessões de terapia coletiva com mais de 300 pessoas e profetiza, em 1966, a Revolução Psicodélica, que começa a tomar vulto nas capitais São Francisco e Londres. O governo não tarda em se assustar: hordas de alucinados assolam o país em delírio coletivo e até na Casa Branca uma dosagem de LSD é colocada na comida do presidente Richard Nixon por uma amiga de sua filha. Leary começa a ficar cada vez mais incômodo, principalmente com a proibição nacional do ácido lisérgico em 1968. Nos anos 80, durante a “era Reagan” –que não ia com sua cara desde os tempos de governador da Califórnia- é exilado e percorre vários países difundindo sua teoria. No fim da vida dedica-se à informática, vislumbrando no Internet uma revolução tão fantástica quanto sérgica. Queria morrer “On Line”. Proferiu como últimas palavras “why not?” (por que não?) e “yeah”. Seu último desejo, cumprido, foi ter suas cinzas lançadas no espaço por onde tanto “dreambulou”.

O livro chave (On The Road – considerada “a Bíblia da geração beat”
On The Road não é um livro para qualquer um. Capote, que foi Capote, com todos os louros que merece por isso, não entendeu. Reza a lenda que, quando foi apresentado ao livro de Kerouac, disse: “Mas isso não é escrever. Isso é bater à máquina”.
No entanto, a importância de On The Road para a cultura pop (e para se constatar isso basta dizer que, após ler o livro, Bob Dylan fugiu de casa e foi tentar carreira em Nova York – deu no que deu) não pode ser medida por literatos e intelectuais. Jack Kerouac era o tipo de escritor que repudiava isso e escrevia de maneira simples e livre, sem garimpar dicionários para tentar esconder a falta de assunto.

Um criador e uma criatura cultuados hoje – e lá se vão 50 anos – por um simples motivo: “a Bíblia da geração beat” pode ser vista também como a Bíblia da geração anos 90. Se eles cresceram largados em casa enquanto os pais lutavam na Segunda Guerra e as mães trabalhavam nas fábricas de armas, nós crescemos vendo televisão, o que é mais ou menos como crescer largado à própria sorte.

E Kerouac foi um membro típico da geração anos 50, da “geração beat”, da “geração perdida”, um dos escritores malditos – seção em que casa perfeitamente bem com Miller, Bukowski, Fante, Ginsberg, entre outros. A paixão, que beirava o fanatismo, por escrever livros “com emoção”, o impediu de se trancafiar num gabinete. Por isso, saiu cortando os Estados Unidos e depois contando tudo numa verborragia desenfreada, atropelando vírgulas, assassinando a “pontuação inútil”, escrevendo um livro na mesma velocidade em que saía de San Francisco e dava às portas de Nova York – cerca de três semanas. É esse o tempo que ele teria levado para escrever o primeiro rascunho de On The Road, que acabou precisando ser reescrito posteriormente, a pedido da corja editorial. Três semanas rasgadas à benzedrina em que ele narrou, quase que ininterruptamente, as alucinadas viagens de carona, em que cruzava um país inteiro com cinco dólares no bolso.

Em On The Road, Kerouac é Sal Paradise. Seu comparsa, Dean Moriarty, pseudônimo de Neal Cassady, considerado “o pai dos hippies”, anos mais tarde acabaria morrendo escaldado pelo sol junto às ferrovias mexicanas depois de tomar mais peyote do que o bom senso consideraria aceitável. Juntos eles vão cobrir as estradas americanas com os passos angustiados de uma geração instável – personificada, principalmente, na figura impulsiva, frenética e idiossincrática de Moriarty – que não sabia de onde vinha e acabaria nunca vindo a saber. Mas também juntos, eles criam um culto de amor a vida, que mantém um pacto de não-agressão com a morte, regado a porres homéricos, benzedrina e a fumaça da maconha mexicana.

Ao fim de sua vida, Kerouac – que ainda escreveria coisas brilhantes como O Livro dos Sonhos, O Viajante Solitário e o curto, mas excelente Tristessa – morreria reacionário, alcoólatra e dando tiros em aparelhos de TV. Porém, antes de Dr. Frankenstein enveredar por devaneios nixoneanos, On The Road já havia conquistado gerações – e continua conquistando, até hoje. O estrago estava feito e o caminho livre das pedras pra quem topasse uma carona.

0 Comentários - AQUI:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Comentem pelo Facebook

Paninho do AMOR

Click e Confiram D+

Segue ai...

Curta no Facebook

Amigos do Blog

Postagens populares

Twittes

Google+ Followers

Blog que escrevo

Pesquisar este blog

Siga-me por Email

Marcadores

@provérbios (27) #pronto falei (304) #Provocações (283) #Word (55) Administração (58) Amor (296) Arte (270) Atitude (561) Bíblia (99) Boas notícias (118) Contra Cultura (165) cristianismo inteligente (546) Curiosidade (106) Dicas (49) Estudo (83) Familia (74) Fundamentos (313) GRAÇA (140) humor (87) Igreja (144) imagem que vale post (33) Juventude (61) Livros (17) Masculinidade (41) Missão integral (103) modelos (171) Nooma (8) Opinião (313) Oração (38) Polêmica (94) Politica (53) Protesto (138) Questionamentos (492) Recomendo (131) Relacionamento (285) relevante (335) Religião (69) Solidariedade (58) Teologia (169) Videos (386)

Blog Arquivos

Minha lista de blogs

Juliano Fabricio Ferreira. Tecnologia do Blogger.

Visão Mundial - Conheça

Visitantes

Contato:

Juliano Fabricio Ferreira

jucafe2@yahoo.com.br

Uberlândia - MG - 34 99149-5443

Networkedblogs - Siga

Recomendações