Apesar de o preconceito ser uma realidade em praticamente todos os lugares, durante o século XX dois países se destacaram por apoiarem a segregação racial em suas próprias leis: Estados Unidos e África do Sul.

ESTADOS UNIDOS
• Anos 20: a organização branca racista Ku Klux Klan tem quatro milhões de membros, e defendo “o desenvolvimento da raça branca, da fé cristã e a soberania americana contra influências estrangeiras”. • A segregação racial (começou no século XIX e durou, oficialmente, até os anos 60), era executada tanto pela lei como pelo hábito, e colocava suas vítimas, os negros norte-americanos, em perigo mortal se ousassem desafiar o sistema. Todas as facetas da vida do Sul eram segregadas: escolas, transporte público, instalações públicas e privadas de todos os tipos. Os negros são proibidos de morar em determinados bairros e de estudar em escolas reservadas para os brancos. Só podem ocupar os assentos reservados para eles na traseira de ônibus e trens, mesmo que existissem lugares vazios nos bancos da frente.
• 1948 – Strom Thurmond candidata-se à presidência dos Estados Unidos com um discurso abertamente segregacinal. Nos estados do sul do país, que ele representa, o apartheid é oficial.
• 1955 – A senhora Rosa Parks se recusa a ceder seu lugar em um ônibus para um branco, em Monterrey, Alabama, e é presa. Sua prisão repercute em todo o país, desencadeando o movimento pelos direitos civis. Inicia-se a militância do pastor batista Martin Luther King, então com 26 anos, que torna-se conhecido em todos os lares. King defende a não violência nos confrontos com forças policiais que usavam mangueiras de água, cães e aguilhões, e conquista respeito e simpatia por todo o país. A Suprema Corte dos EUA declara ilegal a segregação racial nas escolas públicas. A violenta reação do Sul branco a esta decisão passa a ser conhecida como “resistência maciça”.
• 1957 – Uma ordem judicial determina que nove estudantes negras possam estudar na escola de segundo grau de Little Rock, Arkansas, até então só para brancos. Foram necessárias tropas policiais para garantir o cumprimento da ordem e escoltar os jovens negros na entrada da escola.
• 1961-1965 – Os presidentes Kennedy e Johnson ocupam a Casa Branca e abraçam o movimento dos direitos civis. De todo lado surgem resistências brancas. A resistência do Norte do país torna-se mais intransigente que a do Sul.
• 1964 – Martin Luther King é agraciado com prêmio Nobel da Paz.
• 1965 – O Congresso vota a Lei dos Direitos Civis.• 1966 – Huey Newton e Bobby Seale fundam o Partido dos Panteras Negras para Auto Defesa, abandonando as idéias pacifistas de Luther King e apelando para a luta armada.
• 1968 – Martin Luther King, aos 39 anos de idade, é assassinado, a tiros.
• 1980 – O líder negro Vernon Jordam sofre um atentado, mas não morre. Ele ficara famoso em todo o país ao acompanhar, em seu primeiro dia de aula, a primeira estudante negra que conseguiu ingressar em 1961 na Universidade da Geórgia, então exclusiva de brancos. Advogado e militante pelos direitos civis, ele percorreu diversas organizações negras até assumir, em 1972, a direção de uma delas, a National Urban League. Era casado na época com a cantora sul-africana exilada Miriam Makeba, e os dois mais tarde se tornaram cidadãos de Uganda. Outra aquisição importante foi Eldridge Cleaver, jornalista e diretor da revista Ramparts, que se tornou ministro da informação e organizou o jornal do partido. Além da militância política, os panteras se engajariam num trabalho assistencialista, criando programas como o café-da-manhã para crianças e pobres, a clínica gratuita e ônibus de graça para levar as famílias às visitas semanais nas penitenciárias. Em 1971 os panteras de Oakland distribuíram mais de 50 mil cestas básicas de oito quilos cada uma.

Havia também o lado das manifestações e enfrentamentos com a polícia, freqüentes no auge da organização nos anos de 1967 e 1968, quando haviam 35 capítulos pelos 50 estados e somavam mais de 15 mil militantes. Logo em 1967 o grupo entrou na mira do COINTELPRO – Programa de ContraInteligência do Birô Federal de Investigações, dirigido pelo extrema direita J. Edgar Hoover, com o total apoio do também radical Richard Nixon, o presidente que usou todos os imensos poderes do governo não só contra os panteras mas contra todo tipo de organização, de qualquer coloração étnica ou política, que contrariasse seus objetivos de guerra total contra o comunismo. O FBI instituiu operações de vigilância, sabotagem, infiltração e desinformação contra os Panteras, partindo até para assassinato puro e simples, como aconteceu com Fred Hampton, morto em casa na cama. Na versão oficial, ele morreu num tiroteio com a polícia, a mesma alegação das ditaduras latino-americanas para eliminar opositores. Em dezembro de 1969, o advogado dos Panteras denunciou que 28 militantes tinham sido mortos pela polícia num período de dois anos. A operação do FBI foi bem sucedida em condenar militantes sob alegações falsas, incluindo Newton, Ângela e Cleaver. Um deles. Geronimo Ji Jaga, passou 27 preso com base no depoimento de um informante e Múmia Abu-Jamal ainda se encontra num corredor da morte na Pensilvânia. Hoje (1997), as desigualdades persistem e o protesto inflamado está no discurso dos artistas negros de rap que ecoam a ideologia dos Panteras Negras ao gritar “fight the power” ou conclamam os fãs a matar um policial. A guerra continua.”

ÁFRICA do SUL
• 1912 – É fundado o Congresso Nacional Africano (CNA), a primeira organização de luta contra o apartheid.
• 1960 - O CNA é banido e cria seu braço armado, o Lança da Nação.
• 1963 – Nélson Mandela, um dos líderes da CNA, é preso. Uma de suas principais reivindicações é pelo direito de voto para a maioria negra do país.
• 1975 – O Comitê Olímpico Canadense veta a participação de esportistas da África da Sul nos jogos pré-olímpicos preparatórios para as Olimpíadas de Montreal, do próximo ano. A Federação Internacional de Tênis determina a exclusão dos tenistas sulafricanos da Taça Davis, em protesto contra a política racista do apartheid.
• 1977 – O líder popular líder negro Steven Biko morre, após oito dias de greve de fome, em uma prisão do governo. Multidões de negros, em todo o país, choram sua morte. Durante uma cerimônia em uma igreja católica em Soweto, a multidão ergue seus punhos fechados e canta, ao som de tambores, uma de suas músicas de libertação, Zinja Zobulawa: “Os cães serão mortos”.
• 1984 – O arcebispo Desmon Tutu é agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, por suas lutas contra o apartheid.
• 1984-1989 – O presidente Pieter Botha cria a Conselho de Segurança Nacional, organismo que aplica a lei de ferro do apartheid. Dezenas de milhares de negros são presos sem processo e outros milhares morrem em batalhas de rua contra a polícia e o exército.
• 1988 – Divesos artistas e grupos pop, como U2, Peter Gabriel, participam, em Londres, do mega show Liberdade para Nélson Mandela.
• 1988 – Em dezembro, uma gangue do Mandela Futebol Clube – mais conhecido pela truculência do que pela habilidade com a bola – seqüestra quatro jovens negros suspeitos de serem informantes da polícia branca. Levados para a casa de Winnie Mandela, em Soweto, os rapazes são torturados, e um deles, Stompie Seipel, de 14 anos, aparece degolado cinco dias depois. Winnie alegará, nos tribunais, que não sabia de nada. Porém, é condenada, em 1991, a seis anos de prisão.
• 1990 – Aos 71 anos de idade, Nélson Mandela é libertado após 27 anos de prisão.É recebido pelo povo negro (e por todo o mundo) como um herói.
• 1994 – Os negros ganham direito de voto, e Nélson Mandela tornase o primeiro presidente negro da África do Sul, nas primeiras eleições livres da história do país.
• 1998 – Junho – É revelado que, durante o apartheid, cientistas foram financiados pelo governo para desenvolveram armas biológicas que fossem nocivas apenas aos negros, como chocolates, cigarros ou bebidas envenenadas. Um cientista revelou que uma camiseta impregnada de veneno fora dada a um ativista do CNA que, inocentemente, deu-a a um amigo, que morreu ao vesti-la.
• 1998 – Dezembro – Morre (de problemas respiratórios) a líder ativista anti-apartheid Dorothy Nyembe. Durante o período da segregação racial, ela liderou, com Winnie Madikizela (ex-mulher de Mandela), a luta das mulheres negras contra o governo da minoria branca. Em 1956, organizou uma campanha contra os passes, documento que limitava a mobilidade dos negros no país. Depois que o CNA foi banido, em 1960, Dorothy aderiu à facção armada do CNA, a Lança da Nação. Detida, passou 18 anos na prisão de Barberton, ao leste do país. Foi eleita deputada em 1994.
• 1998 – Julho - Mandela casa-se (pela terceira vez), com a exprimeira - dama de Moçambique, Graça Machel.


MUNDO
• Em fevereiro de 1992, o Papa João Paulo II pede “perdão do céu” pela escravidão, na pequena ilha senegalesa de Gorea, frente à baía de Dakar, que durante dois séculos foi ponto de partida dos negros capturados no oeste africano para seu transporte como escravos no Novo Mundo. João Paulo recordou que o Pio II condenara a escravatura em 1462, mas “homens batizados, que não foram capazes de viver sua fé, participaram desse vergonhoso ato”.

BIBLIOGRAFIA:
Jornais:
ESTADO de MINAS. “Martin Luther King: a estrela de luz negra”. 18/1/86 / “Perdão do Céu para Escravidão”. 23/2/92
O GLOBO. “O jogo pesado dos ‘Crips’ X ‘Bloods’.
JORNAL do BRASIL. “Dirigente racista sul-africano será julgado por negro”. 17/1/98. “Morre líder sulafricana”. 28/12/98. “O aniversário de Mandela”. 16/7/98. / “Pantera negra declara guerra”. 24/8/97 - “Segredos do ‘apartheid’”. 13/6/98. – Foto-legenda.

Revistas: ISTO É. “O profeta da transição”. 21/2/90.
MANCHETE. “Um presidente negro na Casa Branca?”. No. 1633, 6/8/83.
TIME. “Cape of Good Hope”. 9/5/94.
VEJA – “Barrados de Novo”. 2/4/1075 “Cai uma estrela”. 22/5/91. / “Tentam matar o líder negro Vernon Jordan”. 4/6/80 / “Tropeço nopassado”. 25/12/2002.

1 Comentários - AQUI:

  • Juliano, graça e paz meu mano!

    Obrigado Pela visita no Conexão da Graça.
    Seu blog tá chique pra caramba! Parabéns, conteúdo de 1ª!Vou colocá-lo nos favoritos subversivos.
    Gostei do seu post sobre:BLACK POWER.
    Aqui em casa, apesar de sermos todos branquelos, somos fãs da cultura black.
    Se me permitir vou postá-lo no conexão.

    Um abração, e continuemos carregando a cruz com classe!

    Franklin Rosa

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