O Goldman Sachs investiu US$ 500 milhões no Facebook de olho no grande cliente que poderá ter. A Microsoft já fez o mesmo, segundo um novo livro a respeito do site mais popular da internet

O ano começou agitadíssimo para um setor movido a doses iguais de cálculo frio e especulação intensa: os capitalistas de risco, ou, como eles preferem atualmente, capitalistas empreendedores. São empresas que compram pedaços de negócios que consideram ter grande potencial de crescimento. Quando o investimento é certeiro, a compra sai barato, o capitalista de risco contribui com o crescimento do negócio (com dinheiro, conhecimento, contatos, orientação estratégica, novas contratações etc.) e vende seu pedaço – muito mais valorizado – para outros investidores, mais adiante. E quando a compra inicial parece absurdamente cara?

Essa foi a impressão de parte dos capitalistas de risco com a notícia dada pelo jornal americano The New York Times, de 3 de janeiro, de que o banco americano Goldman Sachs e a empresa russa de capital de risco Digital Sky estariam investindo, juntos, US$ 500 milhões para comprar cerca de 1% do Facebook. Isso colocaria o valor da companhia inteira perto de US$ 50 bilhões. No começo de 2010, esse valor era estimado em US$15 bilhões. O movimento é ousado, mas não absurdo.

Um salto tão grande é possível porque o valor de mercado de uma empresa é atribuído por quem investe nela. "É em função da oferta e da demanda. Se o comprador e o vendedor concordam, aí está o valor de uma empresa", diz Emerson Duran, diretor da Confrapar, gestora de fundos que investem em empresas de tecnologia. A avaliação do investidor leva em conta os números, mas também fatores intangíveis, como a popularidade da empresa comprada, a facilidade de revendê-la adiante e, no caso do Goldman Sachs, a possibilidade de lucrar por outro caminho, prestando serviços financeiros à empresa valorizada.

Com a nova valorização, o Facebook passou para o time dos gigantes de tecnologia, como o Google. "O perfil das duas empresas é parecido. Elas têm certo domínio sobre o segmento em que atuam e estão ficando cada vez mais fortes, mais inovadoras. É difícil para que os concorrentes façam o que fazem, por isso também são tão valorizadas", afirma Duran. "A diferença é que o Google provou que seu modelo de negócios é rentável, o Facebook não", afirma Luís Enrique Tevis, diretor de gestão de fusões e aquisições do Banco Santander.
Já aconteceu antes

Se o valor de mercado atribuído ao Facebook for mesmo alto demais, não será a primeira vez que isso acontece. Em 2007, a Microsoft comprou 1,6% da empresa baseada em um total de US$ 15 bilhões. Pagou US$ 240 milhões. A estimativa foi considerada supervalorizada, quase absurda, mas a Microsoft tinha motivos para querer agradar Mark Zuckerberg e sua equipe, segundo conta o jornalista americano David Kirkpatrick no livro O Efeito Facebook, que chega ao Brasil até o final do mês, publicado pela editora Intrínseca (o autor entrevistou Zuckerberg e vários outros executivos do Facebook). As duas companhias negociavam acordos sobre anúncios publicitários e a Microsoft teria claro interesse em comprar o Facebook, de acordo com o livro. Dois anos depois do negócio, o site estava valendo “apenas” US$ 11 bilhões, bem menos do que o calculado pela Microsoft ao comprar sua participação. Mas o Facebook voltou a subir e seu valor mais que triplicou durante 2010.

Os episódios com a Microsoft e agora com o Goldman Sachs têm pontos parecidos. O primeiro é o salto de valorização numa empresa que ainda testa seu modelo de negócio. Estima-se que o Facebook tenha lucrado US$ 200 milhões em 2009 e US$ 400 milhões em 2010, mas ele não tem um modelo claro de exploração de publicidade, mesmo com mais de 500 milhões de usuários. O segundo ponto em comum entre a negociações é que as duas empresas teriam interesses secundários. O Goldman Sachs estaria de olho em possibilidades como o lançamento das ações do Facebook na Bolsa de Valores, o que o mercado americano espera para até 2012. Da mesma forma, anos antes, a Microsoft estreitava os laços com o Facebook para conseguir melhores acordos. Um último aspecto comum importante é a participação de um parceiro na rodada de investimento. No mesmo momento em que a Microsoft desembolsava os US$ 240 milhões, o megaempresário chinês Li Ka-shing investia US$ 60 milhões no Facebook. O Goldman Sachs investiu junto com a Digital Sky. A empresa russa tem ações de outras companhias importantes em tecnologia, como a Zynga (criadora do jogo Farmville) e o Groupon (dono de clubes de desconto). Os empresários russos compraram US$ 200 milhões em ações no Facebook em maio de 2009, com base numa avaliação bem inferior, de US$ 10 bilhões. O novo valor de mercado elevou os próprios papéis. Todos os envolvidos saíram ganhando de alguma forma – até agora.


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