“No princípio criou Deus...” (Gn 1:1)

Chegamos assim ao nosso primeiro estudo, o livro de Gênesis - onde tudo começou. O mais interessante é que Gênesis não explica por que Deus criou todas as coisas, e nem muito menos como Ele o fez. E mais, à pergunta quando é oferecida, a resposta mais vaga possível é - “no princípio”. A resposta ao “por que” é oferecida apenas no Novo Testamento. O Pai queria uma família de filhos semelhantes ao Unigênito, o Filho um corpo formado por crentes (ou uma noiva, dependendo da metáfora) e o Espírito Santo um templo. Admira-me como algumas seitas possam negar a doutrina da Trindade! A pergunta “como” deve ser respondida adivinhe por quem? Acertou se disse “pela ciência”! E mesmo esta não está lá tão confiante de muitas das teorias, afinal elas não podem ser reproduzidas (como manda o Método Científico). Aliás, pelo menos uma coisa a ciência nos provou sem deixar margem a dúvidas: os sete dias de Gênesis não são dias literais, de 24 horas (o hebraico “yom”, dia, não precisa ser entendido assim, mas isso já foge ao nosso escopo!) Mas afinal por que o relato da criação de Gênesis foi escrito?
O relato bíblico foi feito para nos dizer QUEM foi o Criador. Simples até demais a resposta. Porque dEle, por Ele e pra Ele são todas as coisas. Nele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra. Todas as coisas foram feitas por intermédio dEle, e sem Ele nada do que foi feito se fez (leia Rm 11:36, Cl 1:16 e Jo 1:3). “No princípio criou Deus os céus e a terra...”

Segundo Scroggie, apenas o primeiro versículo da Bíblia nega pelo menos seis falsos ensinamentos: (1) eternidade da matéria, (2) ateísmo, (3) politeísmo, (4) panteísmo, (5) agnosticismo e (6) fatalismo (que o universo seria produto do acaso). Eu acrescentaria mais um, o animismo, que é a adoração à criatura e não ao Criador.

É interessante notar o contexto no qual vivia Moisés, que é o provável autor de Gênesis segundo as tradições rabínicas. Moisés foi instruído em toda a ciência do Egito (At 7:22), e o mais interessante de tudo é que não se vê absolutamente nada de influência da “ciência” da civilização egípcia em Gênesis. Por exemplo, eu li em algum lugar (e não sei até que ponto essa informação é confiável), que os egípcios eram “evolucionistas”. Acreditavam que o homem teria vindo de um verme que habitava a região do Nilo. Independentemente de essa informação ser correta, sabemos com certeza que os egípcios eram politeístas, e que adoravam vários deuses em forma de animais e corpos celestes. No entanto, já no primeiro capítulo de Gênesis fica bem claro quem é criatura e quem é o Criador. E a propósito, os egípcios adoravam seu faraó também. E mais uma vez o relato bíblico vai deixar claro que o homem é apenas uma criatura.

Outro fato curioso sobre os primeiros capítulos de Gênesis é que já se delimita qual vai ser o assunto de toda a Bíblia. Gasta-se uma linha para falar de todo o universo (pra ser mais preciso, apenas duas palavras: “os céus”), cerca de 30 versículos para falar da criação de toda a terra, mais uns 20 para falar especificamente da criação do homem (que é apenas um entre os zilhões de seres criados) e o resto da Bíblia para falar sobre o drama da redenção! Agora leia o salmo 8, especialmente o verso 4 (“que é o homem, para que dele te lembres?”), e medite no que acabou de ser dito - eu fico sem palavras!

Resumindo a questão da criação, o que podemos dizer é que, muito embora a Bíblia não nos conte como Deus criou a vida, ela nos conta sim como surgiu o homem e deixa bem claro três coisas: (1) a origem da vida não é de forma nenhuma produto de reações químicas feitas ao acaso, (2) o homem carrega a imagem e semelhança de Deus, portanto é superior ao restante da criação (é por isso que a vida humana vale mais que a de um mico leão, embora matar este último seja crime inafiançável pelas nossas leis) e (3) foi a desobediência de apenas um casal, ancestral de toda a raça humana, que colocou a todos sob a condenação de Deus.

Isto nos traz ao assunto da queda do homem. Dizem as más línguas que, para convencer a mulher a comer a fruta, a serpente teve apenas que convencê-la que não engorda... Bem, brincadeiras à parte, o resto da história nós já conhecemos. Deus disse “no dia em que comeres da fruta, certamente morrerás”. Nem Adão nem Eva morreram fisicamente no dia em que comeram o fruto, o que nos deixa duas possibilidades: (1) “dia” não é para ser interpretado literalmente ou (2) Deus poderia estar se referindo a uma morte espiritual, na qual o ser humano perderia sua comunhão com Ele - eu acho essa possibilidade mais plausível. Para entender melhor a questão da queda, leia Romanos 5:12-21. Está tudo explicadinho lá...

Já em Gênesis 3:15 lemos o que os teólogos chamam de “proto-evangelho” - Deus anuncia ao diabo (vocês não acham que Deus estava amaldiçoando as cobras, não é? Cobra sempre rastejou, provavelmente mesmo antes da queda!) que um descendente da mulher esmagaria a sua cabeça. Foi a primeira profecia da Bíblia sobre a vinda de Jesus, que na cruz cumpriu cabalmente essas palavras.

Mas afinal, quais foram os resultados da queda? Ih, não tenha pressa, nós ainda vamos estudar o Antigo Testamento inteirinho e, mesmo estudando de forma panorâmica, está muito claro que ele foi escrito para mostrar exatamente isto - os resultados da queda. O Antigo Testamento é um livro que mostra por toda parte o fracasso do ser humano - é verdade que ele proclama os atributos de Deus o tempo todo, mas a tônica é a incompetência do homem de andar conforme o padrão de Deus. O mais patético é que a última palavra de Malaquias, o último livro pelo nosso cânon, é “maldição”!

De cara, já em Gênesis 4, temos um assassinato. No capítulo 6 (puxa, a Bíblia mal começou!) Deus já perdeu a paciência e quer destruir tudo. Ainda bem que tinha Noé...(apesar do seu episodio do porre..hehe) Ai quando a humanidade recomeçou, não deu tempo nem de ler dois capítulos e lá vem encrenca de novo com a torre de Babel, o ícone do orgulho humano e símbolo do desejo deste de ser independente de Deus. O resto do Antigo Testamento vai falar de Abraão enganando dois reis pagãos e tentando dar uma “ajudinha” a Deus com Hagar, de Isaque preferindo abençoar Esaú quando Deus já havia escolhido Jacó, do enganador Jacó (e do ainda-mais-enganador Labão), do arrogante José (que queria que seus irmãos se curvassem diante dele), do esquentadinho Moisés, dos invejosos Arão e Miriã, do imoral Sansão, do pai relapso Eli (e possivelmente Samuel também), de Saul (nem precisa falar nada dele), do adúltero Davi, do idólatra Salomão, etc. etc. etc. Mas calma, não se desespere. Tente ver as coisas de outra perspectiva, leia Hebreus 11, que vai falar de muitos desses que eu acabei de mencionar, mas vendo pelo lado bom!

Foi no contexto extremamente pessimista subseqüente a Caim, ao dilúvio e à torre de Babel que Deus resolveu chamar um sujeito sobre o qual não se tem nenhuma informação prévia, e que, segundo Josué 24:2, provavelmente era idólatra! Puro mistério é a razão pela qual Deus escolheu logo ele. Isto se chama soberania! Mas fato é que Deus tinha um plano, que era resgatar o homem para que, mesmo após a queda, este cumprisse o Seu eterno propósito. Assim, para Jesus vir ao mundo, para o próprio Deus se encarnar, uma família deveria que ser escolhida e esta família deveria pertencer a um povo. Foi assim que Deus escolheu Abrão, um caldeu de Ur. Deus prometeu a ele que seus descendentes seriam numerosos como a areia do mar e como as estrelas do céu - como disse o músico Rich Mullins, quando Abraão olhou para o céu, uma das estrelas que ele viu foi “acesa” por minha causa! Isso mesmo, eu não sou descendente genético de Abraão, mas, segundo a revelação dada já no Novo Testamento, a promessa se referia principalmente aos descendentes espirituais!

Deus fez uma aliança eterna, irrevogável com Abrão (mudando assim seu nome para Abraão), descrita em Gênesis 15 - era costume da época as duas partes que firmavam compromisso passarem pelo meio de um animal morto e dividido em dois, deixando a entender que qualquer das partes que descumprisse o acordo merecia o mesmo destino do animal. E imagine só, o próprio Deus passou entre as partes do animal, mas não Abraão! Ainda no capítulo 15 é dito que Abraão creu em Deus, e isto lhe foi imputado por justiça - veja só, o primeiro livro da Bíblia já deixa claro que a salvação é pela fé e não pelas obras!

Bom, o restante de Gênesis é uma história que todos conhecem - a instituição da circuncisão como símbolo da aliança (meninas, por favor, não perguntem o que é circuncisão, dói só de pensar, quanto mais explicar! Ouch!!), o nascimento e quase morte prematura de Isaque, o casamento dele com Rebeca, Esaú e Jacó, a fuga de Jacó, seus 12 filhos, sua mudança de nome para Israel, José e seus altos e baixos, e finalmente a descida para o Egito de todos os descendentes de Israel. A biografia de Jacó, por exemplo, é uma das mais emocionantes da Bíblia. Note que, antes de passar por Peniel, o famoso encontro com Deus, sua vida teve que ser trabalhada durante pelo menos 20 anos na fogueira do sofrimento - o crescimento espiritual, (ao contrário do que muitos ensinam em tempos atuais) é trabalhoso e leva tempo! Como o estudo é panorâmico, não vamos entrar em detalhes aqui. Mas o espaço está aberto a comentários...

Até nosso próximo estudo, espero que tenham gostado! CLIQUE AQUI

3 Comentários - AQUI:

  • Graça e Paz. Muito boa sua análise, me acrescentou e condiz com o que eu penso sobre a bíblia. Sou leitor e admirador dos seus posts. Que Deus o continue abençoando e trazendo luz com base na sua palavra. Até mais.

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