Estudo 3 - “À tua descendência dei esta terra” (Gn 15:18)

Com a morte de Moisés, restaram apenas dois representantes da geração dos que eram adultos na época do Êxodo, Josué e Calebe. Exatamente os dois espias que não foram vítimas da “síndrome do gafanhoto” (Nm 13:33). Dentre eles, Josué foi o escolhido por Deus para ser o novo líder de Israel. Pelo sim pelo não, desta vez foram enviados apenas dois espias para observar a terra - a experiência de mandar um espia de cada tribo não tinha dado bons resultados...

Bem, com o retorno dos dois espias, houve a travessia do Jordão, que aliás ocorreu durante a época da cheia. Lembre-se que quase ninguém ali havia participado da travessia do Mar Vermelho, logo aquilo era algo novo para eles. Josué recebeu ordens de Deus para fazer dois memoriais de 12 pedras cada um, um deles no leito do Jordão e o outro como uma coluna que servisse de memorial para as gerações futuras. Terminada a travessia, foram circuncidados todos os homens do povo em Gilgal, nas campinas de Jericó, como sinal de renovação da Aliança. Por isso o lugar recebeu o nome de Gilgal, que tem a ver com “rolar”, pois Deus fez “rolar” para longe naquele dia a vergonha da escravidão no Egito. Pouco tempo depois houve a celebração da Páscoa, e, assim que os israelitas comeram do fruto da terra pela primeira vez, o maná cessou para sempre. Aliás, por falar em maná, lembre-se do que disse Jesus, o verdadeiro pão da vida, sobre o pão que desceu do céu!

Agora sim, tudo pronto. Resta a conquista da terra que Deus há tanto prometera ao ancestral Abraão. Lembre-se que eram povos, militarmente falando, muito superiores a Israel. Não obstante, o que ocorrera 40 anos antes já era do conhecimento de todos e havia grande temor entre aqueles povos. Em Nm 33:51-56, é relatada a ordem de Deus para exterminar completamente qualquer vestígio da população que habitava aquela terra. Mas note que eles tinham a opção de se entregar pacificamente, se arrepender dos seus pecados e da sua idolatria e se converterem ao Deus de Israel - Raabe e sua família assim o fizeram e foram poupados, logo certamente todos que assim procedessem também o seriam. Os gibeonitas foram até espertos, enganando Israel e fazendo Josué jurar que não os destruiria - mesmo assim, foram feitos escravos dos israelitas. Mas o que se viu foi resistência militar da parte de todos eles (Js 11:19).

A primeira cidade a cair foi Jericó, mediante uma demonstração sobrenatural do poder de Deus. Restaram apenas Raabe e sua família. Bem, quer dizer, restaram também alguns objetos que foram parar na tenda de um tal de Acã, da tribo de Judá. Isto custou caro a Israel, que perdeu a batalha seguinte contra a cidade de Ai. Cabe dizer aqui que esta é a definição de “anátema” - é um termo grego que designa algo que é irrevogavelmente destinado à destruição, como eram no caso os habitantes de Jericó, seus animais e seus pertences. A ganância e a rebelião de Acã custaram caro a Israel!

O que se seguiu foi a conquista parcial da terra. As tribos de Gade, Rúbem e metade da tribo de Manassés já tinham seu pedaço de terra do outro lado do Jordão, mas foram convocadas desde o tempo de Moisés para ajudar as outras tribos a conquistar a terra. E a conquista não foi fácil. A terra era montanhosa, as cidades eram fortificadas, os cananeus eram muito melhor treinados para a guerra (possuíam até cavalos) e podiam se unir contra Israel. Do ponto de vista humano, impossível conquistar. Mas o relato bíblico da conquista está repleto de intervenções sobrenaturais, como a queda dos muros de Jericó, a chuva de pedras e o dia prolongado. De forma bastante resumida, a conquista do sul da palestina está narrada em Josué 10 e a conquista do norte em Josué 11 - note que primeiro foi conquistada Jericó, na região central, para impedir que as cidades do sul e do norte se unissem contra Israel. Conforme Josué 13, ainda havia muita terra para se conquistar, e os capítulos seguintes narram a divisão da terra entre as tribos de Israel. Os levitas não tinham herança, e deviam habitar em cidades pré-determinadas que pertenciam às outras tribos. É por isso, aliás, que Samuel é chamado de efraimita em I Sm 1 e de levita em I Cr 6. Sua família descendia de Levi, mas habitava em território efraimita.

Note que vários critérios foram usados para se dividir a terra entre as tribos de Israel, tais como tamanho da população (Js 19:9), direito adquirido (caso das tribos do outro lado do Jordão), providência divina disfarçada de sorteio (Js 14:2), privilégio (caso das cidades dos levitas), pedido e fidelidade (caso de Calebe e sua família).

No tempo de Josué, Israel não eliminou todos os povos que habitavam a terra de Canaã, mas Deus permitiu que alguns deles permanecessem para colocar os israelitas à prova, se guardariam os mandamentos divinos. Segundo Tiago, “Deus não tenta a ninguém”, porém às vezes permite que outros nos tentem. No caso, os deuses dos cananeus, como baal e astarote, associados à fertilidade da terra, eram um engodo muito grande para um povo basicamente agrícola. Como se isso não bastasse, os israelitas casaram-se e deram-se em casamento com os cananeus, algo que Deus os proibira terminantemente (Dt 7:3,4). Foi só Josué morrer e surgir uma nova geração que foi tudo por água abaixo - tudo que Deus proibira o povo de fazer eles fizeram, atraindo sobre si as maldições descritas em Deuteronômio 28 e Levítico 26. Além disso, por terem sido reprovados no teste, Juízes 2:21 nos diz que Deus nunca mais expulsou os cananeus da terra.

Com a morte de Josué, iniciou-se o período dos juízes. Para uma descrição resumida do que foi aquela época, leia Juízes 2:16-19. Nada mais era do que um ciclo: Israel pecava, era oprimido por um povo vizinho, se arrependia, Deus levantava um juiz que libertava o povo e havia como resultado um período de tranqüilidade. Mal começava o período de paz e o ciclo se reiniciava.

Algumas razões podem ser enumeradas para o fato de Israel se envolver tão facilmente com a idolatria dos povos vizinhos, entre elas, a incapacidade de eliminá-los completamente, a localização do Tabernáculo, que era o lugar central de culto, colocado em Siló, a corrupção das classes levítica e sacerdotal (como se pode ler em Jz 17, por exemplo, ou no caso dos filhos do sacerdote Eli no começo de I Sm) e a atração pelos ídolos agrícolas dos cananeus.

Lembra que eu disse o Antigo Testamento inteiro mostra o fracasso do homem em obedecer a Deus? Um dos melhores livros para se entender isto é Juízes. Mesmo os personagens que libertaram o povo, que são inclusive elogiados pela coragem e fé no capítulo 11 de Hebreus, tiveram falhas escandalosas que o livro de Juízes não faz a menor questão de ocultar. É só ler as narrativas sobre Gideão, Sansão e Jefté. (Ah, sim, não me pergunte se Jefté queimou sua filha como holocausto, porque o texto é inconclusivo!)
Voltando à questão do fracasso do ser humano, note bem como Israel tinha duas escolhas aparentemente simples, ou seja, podiam seguir e obedecer a Deus, tendo todas as bem-aventuranças como recompensa, ou rejeitá-lo e servir a outros deuses, atraindo maldição sobre si. Por incrível que pareça, eles optaram pelo caminho da insensatez. E se isto tem algo a nos ensinar, e segundo Paulo tem sim (Rm 15:4 e II Tm 3:16 vêm imediatamente à memória!), é que o potencial do ser humano para pisar na bola é algo que cientista algum jamais será capaz de medir! Desde que nossos antepassados Adão e Eva fizeram a escolha errada, nossa natureza tem a tendência de tomar as decisões que desagradam a Deus. Não é de se admirar que um capítulo como Romanos 3, acerca da culpabilidade total e universal do homem, esteja na Bíblia! Mas mesmo em meio a um quadro tão pessimista, podemos ver alguns raios de luz. A obediência e fidelidade de homens como Josué e Calebe renderam bênçãos a uma geração inteira, e a fé e coragem dos juízes deve ser um exemplo para nós. Lição de Josué e Calebe: “Com Deus do seu lado, você é maioria”!

A tabela abaixo (página 210 do volume I do livro de Scroggie) mostra quais foram os juízes e os povos opressores, quanto tempo houve de opressão e quanto tempo de paz subseqüente:

Referência (Jz)  Povo opressor   Tempo de Opressão  Juiz libertador               Tempo paz
3:1-11                 Arameus             8 anos                           Otoniel                               40 anos
3:12-31               Moabitas            18 anos                          Eúde                                  80 anos
4:1-5:31              Cananeus            20 anos                         Débora                               40 anos
6:1-8:31              Midianitas           7 anos                           Gideão                                40 anos
8:33-10:5            (Guerra civil)       3 anos                           Tolá/Jair                              45 anos
10:6-12:15          Amonitas            18 anos                         Jefté, Ibsã, Elom e Abdom   31 anos
13:1-16:31          Filisteus              40 anos                         Sansão                                 20 anos

Nos últimos quatro capítulos do livro de Juízes é narrada uma seqüência de eventos que mostram bem a condição moral daquele período. Várias vezes é repetido o chavão “naquele tempo não havia rei em Israel e cada um fazia o que lhe parecia mais certo” - não que Deus estivesse se contradizendo quando repreendeu Israel por querer um rei, mas o fato é que o próprio Deus queria ser o Rei sobre o povo, o que lamentavelmente não aconteceu durante o período dos juízes. A falta de absolutos, característica marcante da sociedade pós-moderna dos nossos dias, leva a conseqüências desastrosas, como podemos ler em Juízes.

Os últimos juízes de Israel foram Eli e Samuel, o que mostra que, àquelas alturas, os ofícios de sacerdote, líder civil e profeta já se misturavam.

É interessante notar também que, durante o período da conquista da terra, aparecem na narrativa bíblica duas mulheres, gentias, sendo uma delas prostituta e a outra moabita (povo amaldiçoado até a décima geração), que viriam a ser ancestrais de Davi e, posteriormente, de Jesus! Era a bênção de Abraão se estendendo a todas as nações, conforme Deus prometera.

Ficamos por aqui, até nosso próximo post! CLIQUE AQUI

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