Estudo 5 - “Às vossas tendas, ó Israel!” (I Rs 12:16) 

Você se lembra que em Êxodo 20:5, no meio dos Dez Mandamentos, Deus faz aquele comentário sobre “visitar a iniqüidade dos pais nos filhos (a NVI diz ‘punir os pecados dos pais nos filhos) até a terceira e quarta geração dos que o aborrecem”? Em Ezequiel 18:20, por outro lado, Deus diz que o filho não levará a iniqüidade do pai. Como ficamos então diante da aparente contradição? Na verdade a explicação é bem simples. O Antigo Testamento, escrito por semitas, nasceu de uma cultura que, ao contrário da nossa, ocidental e do século XXI, nunca teve por preocupação ser matematicamente precisa - daí a Bíblia dizer, às vezes, algo que “é” e, às vezes, algo que “parece que é”. Quer um exemplo? Provérbios 15:3 fala sobre “os olhos do Senhor” e João 4:24 diz que “Deus é espírito” - ora, espírito não tem olhos, mas Deus “parece que tem” olhos. Se Pv 15:3 fosse algo escrito por um contemporâneo nosso, provavelmente diria “os aparentes olhos do Senhor...” (Ainda bem que o Antigo Testamento não surgiu na nossa cultura!) 

Mas por que afinal estamos falando disso? Simples, porque Roboão, filho de Salomão, teve que arcar com as conseqüências dos pecados de seu pai. Ele não foi responsabilizado, mas sofreu as conseqüências. Uma delas foi herdar o trono no meio de um povo que já estava cansado de ser oprimido por pesados impostos, que estava pronto para se rebelar. Outra foi não ter sido instruído na mesma sabedoria que Salomão havia recebido direto de Deus. E como essa sabedoria não foi transmitida geneticamente, os resultados foram desastrosos. Roboão insistiu em oprimir o povo, como fizera seu pai, e o resultado foi que Jeroboão organizou uma rebelião que culminou na separação das dez tribos do norte, as quais nunca mais voltaram a se unir com as duas que restaram no reino do sul. O mais patético é que Salomão falou tanto em como se deve criar os filhos... 

Em I Reis 11:38, lemos que Jeroboão também tinha de tudo para dar certo. Eis o trato: ele seria fiel a Deus e este o honraria, abençoando seu reino e sua descendência. Dito e fracassado. Ao invés de confiar em Deus, temeu que o povo resolvesse reunificar o reino e construiu dois bezerros de ouro. Fato é que sua dinastia foi até seu filho e acabou. Desta forma, várias dinastias reinaram sobre o reino do norte, e nenhum dos reis que se seguiram a Jeroboão foi fiel a Deus. O resultado foi que, no ano 722 aC, o reino do norte, que ficou conhecido como Israel, foi levado cativo para a Assíria, de onde nunca mais retornou. Os que ficaram sofreram miscigenação, dando origem aos samaritanos. Foi assim que o reino de Israel perdeu sua identidade nacional, para nunca mais recuperar. Os livros de Crônicas nem sequer mencionam os reis do norte - aliás, naquele livro o reino do sul, Judá, é chamado de Israel! 

Os dois reinos co-existiram por cerca de 250 anos, havendo um período de rivalidade entre eles nos primeiros 60 anos, seguido de um período de paz trazido pela aliança entre Jeosafá e Acabe. A amistosidade cessou nos reinos de Amazias, no sul, e Joás, no norte - em I Reis 14 podemos ler sobre a discórdia entre os dois reis, que continuou nos reinados seguintes até a queda de Israel diante do império assírio. 

Os livros de Reis e Crônicas nos dão um retrato do que foi essa época, que não foi em nada melhor do que havia sido a dos juízes. Os israelitas adoraram baal, astarote e todos os outros deuses dos povos à sua volta. A lei de Deus foi totalmente negligenciada e, se no tempo dos juízes cada um fazia o que achava mais certo, agora cada um fazia o que achava mais errado - com um agravante, se alguém fizesse o certo seria perseguido, como foi o profeta Elias. 

Aliás, por falar em Elias, ele e Eliseu representam os únicos raios de luz daquele período de trevas. Elias, ousadamente, desafia os profetas de baal, prova que Yaweh é o único Deus e compra uma briga com Acabe e Jezabel que o obriga a fugir com uma forte crise de depressão. Desesperado da própria vida, Elias descobre que ainda existiam sete mil que não haviam dobrado os joelhos a baal - fica aqui a lição, sempre que você achar que ninguém mais à sua volta teme a Deus, ou que você é o mártir da situação, o único fiel que restou, lembre-se de Elias e dos sete mil! 

Eliseu, discípulo de Elias, repetiu alguns de seus milagres e efetuou alguns que seriam feitos, séculos mais tarde, por Jesus (por exemplo, II Rs 4:42-44 e II Rs 5). Convém notar que houve três épocas na Bíblia em que os milagres foram abundantes: (1) No tempo de Moisés, (2) no tempo de Elias e Eliseu e (3) no tempo de Jesus e dos apóstolos. Não é à toa que, no Monte da Transfiguração, apareceram Moisés e Elias. Elias teve a preferência sobre figuras como Abraão e Davi! 

Ah, eu já ia me esquecendo dos profetas. Os livros históricos nos mostram os fatos de um ângulo, e os livros dos profetas nos mostram de outro. Além dos profetas orais, como Elias, Eliseu e outros, temos profetas que escreveram livros, como Amós e Oséias (estamos falando do reino do norte). Amós, por exemplo, diz que, embora as nações pagãs cometessem pecados aparentemente muito mais horrendos, Israel seria julgado com muito mais severidade, uma vez que conhecia bem qual era a lei de Deus e o castigo por ela decretado. 

O reino do sul, por sua vez, durou um pouco mais, tendo sido destruído em 586 aC, quando sua população foi levada cativa para a Babilônia, sucessora da Assíria como potência mundial. Também a seu favor pode ser dito que houve apenas uma dinastia que reinou no período, a de Davi, e que muitos desses reis foram fiéis aos mandamentos de Deus - Jeosafá, Ezequias e Josias, para citar alguns. Esses reis organizaram reformas, com o propósito de levar o povo ao arrependimento e retorno à comunhão com Yaweh, mas estas não duravam mais do que uma geração. 

Os principais profetas do reino do sul, nessa época, foram Isaías, Miquéias, Jeremias e Habacuque. Todos eles denunciaram a corrupção moral do reino de Judá e as inevitáveis conseqüências da falta de arrependimento do povo e das autoridades, tanto civis quanto religiosas. Aliás, ao se ler Jeremias, é nítida da idéia de que as autoridades religiosas eram os maiores responsáveis pela deterioração moral e apostasia do povo. Os sacerdotes se ocultavam sob a promessa de Deus de habitar no templo de Jerusalém para ridicularizar Jeremias e dizer que jamais qualquer inimigo poderia fazer qualquer mal a eles. Obedecer à lei? Bem, isto é um mero detalhe... 

O profeta Habacuque, contemporâneo de Jeremias, chega a ficar perplexo em como Deus não fazia nada e aparentemente não se importava com os pecados do povo. Mal sabia ele, imagine a sua cara quando ficou sabendo que o instrumento de Deus para puni-los seria justamente os babilônios, um povo que fazia os israelitas parecerem santinhos... 

Por outro lado, em meio ao estado moral deplorável da época, não se pode deixar de notar que, em nenhum outro período da história de Israel, surgiram tantos heróis da fé. Já mencionamos Elias e Eliseu, que realizaram muitos milagres e não se intimidaram diante dos reis perversos (quer dizer, Elias fraquejou um pouco, mas nada fora do alcance da graça de Deus), a anônima viúva de Sarepta e a também anônima sunamita, o rei Asa com suas reformas, o rei Jeosafá, que ganhou uma batalha apenas louvando a Deus, o profeta Isaías que viu a glória de Deus, o rei Ezequias que se derramou diante de Deus por causa da ameaça dos assírios e que pela fé ganhou mais quinze anos de vida, a conversão dramática do rei Manassés, que havia sido o mais perverso de todos, a coragem do profeta Jeremias e do rei Josias, entre tantos outros, muitos deles anônimos. 

Mas mesmo assim, a monarquia que os israelitas haviam pedido a Samuel fracassou e definitivamente não estava nos planos deles que Deus fosse o verdadeiro rei. O que eles queriam era ser iguais às nações vizinhas, ainda que isto significasse sacrificar sua comunhão e sua aliança com Yaweh. 

Eu sei que já falei isso, corro o risco de me repetir demais, mas vale a pena reforçar que o ser humano é um fracasso, pois não consegue andar no caminho de Deus. Observe o exemplo dos israelitas, que tiveram tudo que era necessário para ganhar acesso às bênçãos descritas nos livros da Lei. Bastava obedecer... Tinham reis, sacerdotes, profetas, mas que pena... 

A propósito, com a divisão do reino, o povo do sul, constituído principalmente pela tribo de Judá, passou a ser conhecido não mais como israelita, mas como judeu. O povo israelita perdeu totalmente sua identidade nacional, mas não o povo judeu. Mas eles tiveram que sofrer as conseqüências da sua desobediência. 

Quer saber o que aconteceu com eles? Você saberá, no nosso próximo post! Hasta la vista, baby! CLIQUE AQUI

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