"Muitas vezes especulo sobre a escolha que o apóstolo Paulo faria se estivesse vivo hoje, no que diz respeito à sua esfera de serviço pelo Senhor Jesus Cristo. Acho que ele iria logo a algumas das nossas grandes universidades ... Nelas, estão sendo treinados os líderes do futuro ... " (citado em Lowman, p. 13). 

A universidade é filha do cristianismo. As primeiras universidades são organizadas em torno da igreja, a partir do sec. XII. Os professores são do clero. No Brasil também, as primeiras faculdades são de ordens religiosas (Direito de SP - Franciscanos; Direito de Olinda - beneditinos). 

A história do protestantismo está muito ligada à universidade - Wycliffe (um pré-reformador do sec. XIV) é professor da Univ. de Oxford. Lutero é professor da Univ. de Wittemberg. Calvino se converte como estudante em Paris, e depois funda a Univ. de Genebra. Os primeiros missionários protestantes à Índia eram estudantes da Univ. de Halle na Alemanha. Muitos impulsos para a expansão missionária tiveram origem entre estudantes cristãos. 

A influência de valores e conceitos cristãos na universidade diminui a partir do sec. XVIII com o Iluminismo e o Racionalismo. Um humanismo antropocêntrico passa a dominar nas Universidades. 

Boa parte da Igreja ajoelha-se diante das novas idéias, abandonando a revelação, levando a razão a julgar a revelação, anunciando "outro evangelho". Tudo isso para conquistar os intelectuais e parecer "respeitável". O que não consegue. 

Surge uma reação. Temos notícias de grupos evangélicos da iniciativa estudantil desde o sec. XVII - mas eram grupos não evangelísticos. Mas no século XIX surgem grupos evangelísticos, grupos de estudantes que, apesar de estarem nas universidades dominadas pelo racionalismo, querem proclamar o evangelho bíblico aos seus colegas. Já na década de 1870, começam a surgir federações. A ABU da Cambridge começa em 1877. Simultaneamete, há iniciativas na Noruega, nos EUA e outros países. 

Estes grupos começam bem evangélicos. Mas, por várias razões, a maioria deles começa a se tornar teologicamente liberal (isto é, abandonam o evangelho bíblico) no início do século XX. Finalmente, há uma cisão. Por um lado, aqueles que querem uma definição mínima de "cristão" para poder incluir o maior número possível - este grupo funda a Federação Mundial de Estudantes Cristãos, que nos anos de 1950 chega no Brasil e funda a Associação Cristão de Acadêmicos (ACA), que não existe mais. Por outro lado, aqueles que querem manter a ênfase na doutrina bíblica e uma atuação evangelística - estes fundaram movimentos nacionais autônomos de linha evangélica, reunidos à nível internacional na Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (CIEE) e que a partir de 1957 está representada no Brasil pela Aliança Bíblica Universitária (ABU). 

Robinson Cavalcanti frisa que a presença do catolicismo na formação do povo brasileiro foi menor do que se poderia esperar. Ele aponta para duas fontes de rejeição do cristianismo na formação cultural brasileira: 

a) rejeição psicológica - devido à formação da família na época colonial, surge o machismo e por outro lado, a Igreja Católica aparece na figura do sacerdote celibatário, pregando um Cristo deturpado. Assim, surge a oposição: caçador de fêmeas x sacerdotes celibatários + Cristo distante, derrotado na cruz, piegas e assexuado. A religião torna-se uma prática das crianças, mulheres e velhos. 

b) rejeição intelectual - a influência mais marcante na vida cultural, especialmente entre as elites, era a francesa, isto é, da França pós-revolucionária, racionalista e anti-cristã. Daí, o elemento anti-religioso básico nas modas intelectuais que dominam no Brasil. No século XIX, é o positivismo de Comte, que divide a história em três estágios, o teológico, o metafísico, e o científico, relegando assim a religião a um estágio infantil da humanidade. Depois, é o existencialismo, o anarquismo, o marxismo ... A entrada de Cristo era proibida na universidade brasileira. (Cavalcanti, pp. 12-24). 

Até a década de 1950, quase não havia evangélicos nas universidades brasileiras (havia poucos universitários no país, e os evangélicos eram em geral de classe social inferior). Quando começaram a chegar, havia alto número de "baixas". Não estavam preparados para dar a razão da sua fé, ou não estavam convertidos mesmo. Por isso, abandonaram a igreja, ou dicotomizavam suas vidas, por causa de um complexo de inferioridade numérica e intelectual. Tudo isso reforçou a opinião de muitos líderes evangélicos de que a universidade era um lugar perigoso. Nessa época (década de 1950) começam a funcionar a ACA, da linha liberal (e hoje inexistente) e a ABU, de linha evangélica.

Espero que os cristãos voltem a ser essa elite pensante...


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