Parece ser uma necessidade do homem a classificação. 

O desejo de conferir adjetivo a tudo e todos. Trata-se de uma satisfação, pois supre a preguiça de quem narra e a curiosidade de quem ouve. Engraçado perceber como nos contentamos em descrever uma pessoa repleta de particularidades infinitas com um único qualificador tal qual “simpático”, “sistemático” ou seja lá o que for.

Se a classificação traz os benefícios já mencionados, o fato é que também revela alguns iminentes perigos. 

Isto porque a adjetivação não respeita a complexidade do indivíduo. Por considerar o homem, equivocadamente, como que comportando-se de maneira linear e previsível. Deste modo, um sujeito insensível sempre se comportará de maneira insensível. Cria-se um rótulo que justifica e limita condutas. Uma classificação que espera que o classificado sempre se comporte como então designado. É por assim dizer, das tarefas mais difíceis, derrubando conceitos já previamente formados. Primeiro porque eles possuem fundamentos verdadeiros ainda que parciais. Depois porque toda tentativa de desvencilhar-se do conceito soará anti-natural ou se perderá no anonimato. Cria-se um círculo vicioso.

Você já reparou como toda jogada de um atleta de futebol consagrado é normalmente descrita como genial, ainda que desprovida de qualquer anormalidade? Ou talvez como as palavras de um sábio derrame consentimento mesmo proferidas por uma boca pecadora? De um lado porque aquele que incorpora o rótulo precisa, a todo o momento, justificá-lo a fim de satisfazer os olhos gulosos. Não se admite a trivialidade. Espera-se a jogada dos sonhos, o pensamento original, o conselho ideal. Qualquer movimento precisa ser calculado e todas as palavras desenhadas com minúcia antes de serem ditas. Por outro lado, o esforço por engolir comportamentos de forma uniforme por quem observa. Por arquitetar genialidade forçada na normalidade de uma frase despretensiosa.

Todo rótulo é cruel. 

Por não respeitar a dinamicidade do homem e seu processo de santificação. Por escravizar quem o recebe e quem o cultiva. Porque o sábio pode dizer absurdos. O insensível pode praticar atos de misericórdia. O egoísta, ser transformado. O preguiçoso pode estar lutando bravamente para fazer-se servo… A classificação zomba do poder do Espírito Santo. Afasta pessoas, endurece corações. E você? Quais rótulos tem colocado em si mesmo e nos outros? Quais deles tem cultivado? Liberte-se.

Juliano Fabricio
*vide o verso*

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