Há algum tempo fiz um treinamento com base no livro Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes de Stephen R.Covey.

Não que o livro seja ruim. Fosse isso não teria mais de 15 milhões de cópias vendidas. Ocorre que, para mim, o que o autor fala nas intermináveis 444 páginas são hábitos já arraigados em nosso cotidiano e que de certa forma esta direcionado para o mundo dos negócios, fomentando somente uma velada competição. E que sete hábitos seriam esses?

1. Seja proativo.
2. Comece com o objetivo em mente.
3. Primeiro o mais importante.
4. Pense ganha/ganha.
5. Procure primeiro compreender, depois ser compreendido.
6. Crie sinergia.
7. Afine o instrumento.


Porem achei interessante sua ótica ao retratar sobre aonde as pessoas centralizam suas vidas. Algumas na igreja, outras na família, amigos, bens materiais, etc. Abaixo faço uma pequena reflexão sobre aquelas que centralizam sua vida em torno do trabalho.

Certo dia eu estava indo para uma reunião e estava no táxi junto com minha ex-chefe e uma assistente, quando ela comentou: “Esse pessoal não trabalha, não?” referindo-se ao pessoal numa praça tomando sorvete, pois estava calor, e ao invés de tomar sorvete eu estava dentro de um taxi indo para uma reunião. Outro dia, minha amiga comentou comigo que com orgulho, uma amiga disse que o trabalho dela era prioridade ao invés do marido. Uma das primeiras perguntas que as pessoas geralmente fazem ao se conhecer é: “Em que você trabalha?”

Antigamente o trabalho era apenas uma questão de sobrevivência, ou seja, trabalhava-se para conseguir comprar alimentos e outros bens de consumo. Hoje o trabalho passou a ser questão de status social, além de cada vez mais consumir nosso dia-a-dia. Quando não havia energia elétrica era declarado como aceitável um ser humano dormir 10 horas ao dia. Hoje, é aceitável que se durma 8 horas e quem realmente consegue com o dia tão corrido? Será que realmente nosso organismo mudou ou foi o nível de exigência que se faz a ele?

Vejo as mães tão cedo se preocupando com o futuro profissional dos filhos. A criança mal sabe escrever, porém já está no curso de inglês. É curso de inglês, música, espanhol, informática e as crianças mal tem tempo de brincar. Existe tanta preocupação dos pais quando o assunto é educar profissionalmente os filhos que se esquecem de ensinar o filho a ser um ser humano preparado para viver em sociedade (criado para competir). Hoje, quem sente esse peso são os educadores.

Os pais que tem pouco tempo para ficar com os filhos por causa do trabalho, deixam a responsabilidade da educação fundamental para os professores e babás, porém esta não é a responsabilidade deles. Esse tipo de educação só se pode adquirir em um único lugar: em casa.

Os valores familiares estão sendo esquecidos aos poucos. A família já não tem mais importância como tem o trabalho. Ao chegar em casa depois de um dia inteiro de trabalho e estudos (para buscar uma prospecção profissional) cada membro da família vai para seu quarto onde possui sua televisão e seu computador. Cada membro leva uma vida completamente independente e com o tempo as pessoas passam apenas a dividir o mesmo teto, às vezes a mesma cama, porém de fato não se conhecem.

Estamos caminhando para uma sociedade cada vez mais individualista, com um grande crescimento no número de pessoas solteiras convictas ou pessoas divorciadas. Cada vez mais as pessoas não acreditam no casamento.

E tudo isso reflete na educação de nossos jovens que cada vez esta mais abalada. Vemos jovens agredindo idosos, não respeitando os limites e acreditando ser os donos do mundo. Isso é reflexo da ausência dos pais e de uma educação firme apoiada nos valores básicos e essenciais para qualquer ser humano.

Vivemos dentro de um sistema que cada vez nos exige mais. Sobrevivemos numa rotina incansável de correr atrás do próprio rabo aonde todos os dias temos que acordar cedo e chegamos exaustos em casa para dormir e acordar no dia seguinte para recomeçar tudo novamente. Alimentamos esse sistema da qual nos suga a vida.

Atualmente quem está na praça tomando um sorvete é chamado de “vagabundo”. Quem está dentro de um terno sobre um calor infernal é conhecido como “importante”. Conheço várias pessoas que dizem com orgulho que trabalham 12 horas por dia e se sentem importantes para uma empresa. Quem é que se sente orgulhoso de somente ser importante para alguém? Ou quem se importa realmente com a pessoa em si? O que importa é o que ela trabalha ou que ela tem.

Você quem decide. Continuar vivendo dentro dessa “Matrix” ou apenas viver. Sim, viver não é ficar trancado 12 horas no escritório. Já parou para pensar que assim você vai conviver mais com as pessoas que você trabalha do que com aquelas que você realmente ama? Dê valor as coisas simples. Passe mais tempo “não fazendo nada”. Tome seu sorvete na praça à tarde, afinal de contas o único aprendizado que você levará daqui não é sua faculdade ou seu curso de inglês, mas certamente seu conhecimento espiritual, seu conhecimento sobre a vida e seus relacionamentos.

Juliano Fabricio

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