“Se vocês desejam receber todas as dádivas aqui mencionadas, aceitem a Jesus! Assim como ele me abençoou, poderá te abençoar também. Basta que você entregue sua vida a ele!”, esse tem sido o final dos discursos na maioria das igrejas da atualidade. Conta-se um testemunho fantástico e sugere-se que Jesus fará o mesmo com quem se aproximar dele. Não vou me restringir aqui à igreja evangélica, pois tenho notado uma grande aproximação de conteúdo entre evangélicos e católicos, principalmente os carismáticos.

Ora, não há nada de errado em proclamar as grandes maravilhas que Deus tem realizado na vida pessoal de cada um. Não há problema em testemunhar milagres. Afinal, cremos mesmo que o Senhor é poderoso para nos assombrar com seus gestos.

Na verdade, o que deve ser questionado nestes apelos é a superficialidade do conteúdo. A fé cristã possui mais de dois mil anos de história; e algo muito básico mudou nas pregações dos “porta-vozes” do Evangelho. Não se prega mais arrependimento!

Quem leu o Evangelho sabe que a sua mensagem principal é o chamado ao arrependimento. Ele é uma oferta de anistia ao homem rebelde. O converso à fé cristã não era atraído por possibilidades temporais, status, conforto ou segurança material que Jesus poderia lhe dar. Pelo contrário, nos primórdios seguir a Jesus era como se apossar de um selo que o distinguia de todos; um selo que evidenciaria sua escolha e que o tornaria alvo de perseguições. Claro, a mensagem subversiva do Evangelho por si mesma era uma afronta aos religiosos judeus, ao império romano e aos valores da sociedade de seu tempo – o Evangelho na sua essência ataca a religiosidade mórbida, despreza os poderes terrenos e propõe um estilo de vida extravagante que se opõe duramente aos valores deste mundo.

“Arrependei-vos, pois é chegado o Reino de Deus”, proclamou Jesus logo ao iniciar seu ministério (Mt 3. 2). Essa também era a pregação de João Batista, quando anunciava acerca da manifestação do Messias (Jesus). Também foi essa a pregação de Pedro no seu primeiro sermão público: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo”. Estes são alguns dentre os vários textos nos quais a humanidade é chamada ao arrependimento para perdão dos pecados.

E arrependimento era entendido por uma mudança de pensamento. Conversão não significava ceder ao assédio proselitista de pregadores sectaristas. O converso passava a enxergar a si mesmo, a Deus e à humanidade com outros olhos. Caiam-se as escamas e este, pela pregação do Evangelho, tinha sua visão ampliada. De forma que este novo homem, agora, tinha consciência de si mesmo – e a partir daí, da vida em sua totalidade. Ele não ia até Jesus para ganhar alguma benção material, embora ela pudesse acontecer e talvez também fosse esperada, mas o verdadeiro converso aceitava o Evangelho por ter compreendido sua situação diante de Deus e entendido que era carente de perdão.

E tudo isso era acompanhado de mudança de conduta, como no caso de Zaqueu, o publicano, que se comprometeu a restituir àqueles a quem abusou quando do exercício de suas funções de cobrador de impostos (Lc 19. 2-9).

Hoje tudo tem sido bem diferente. Basta ligarmos a televisão e assistir-mos aos programas religiosos. O que vemos e ouvimos são convites para um tipo de aglomeração que mais se parece com uma reunião para compras num centro comercial. Algumas instituições religiosas transformaram-se em supermercados e shoppingns da fé. Nestes lugares não importa se você conhece ou não alguém, se há identificação entre consumidor e vendedor, se a propaganda é boa ou honesta, não importa se você gosta dos outros consumidores ou se terá algum tipo de comunhão com eles. Para os donos do negócio, o mais importante é que você tenha alguma quantia de dinheiro, há produtos de todos os preços. E para os consumidores, basta que o produto seja instantâneo e eficaz!

A velha galeria dos heróis da fé, que era fator de motivação para se caminhar com Deus ainda que na adversidade, foi substituída pela galeria de mercadorias da fé. A dispensa que antes era guardadora de bens de toda sorte que deveriam ser distribuídos entre os cristãos foi trocada por prateleiras de produtos que são comercializados em rituais de uma religião de consumo. Uma religião que só é eficaz para aqueles que podem se sacrificar financeiramente. Uma fé mesquinha que não se preocupa com a dor do próximo – ainda que finja descaradamente que sim.

Estamos vivendo o tempo da religião da inafetividade. Essas “igrejas” não formam comunidades de fé. Não possuem, em contraste com as igrejas de outrora, reuniões para comunhão, não se fala dos dons que Deus concede a cada crente para que sirva ao seu próximo, não se fala de transformação social, não se apregoa afeto.

E o Evangelho, onde ele está no meio disso tudo? Bem, há alguns anônimos que o têm pregado por aí. Há algumas comunidades humildes e sinceras que o têm vivenciado; há alguns pregadores que ainda não se venderam à religião do mercado; há alguns que ainda se opõem a tudo isso. Muitos destes, de tanto resistir às pressões, chegam a se questionar sobre a validade de sua luta.

Não deve mesmo ser fácil viver uma vida simples e observar os novos “apóstolos” esbanjando glamour e riqueza nos seus carros importados, encastelados em mansões, exercendo influência considerável diante de uma enorme massa de fiéis...

No entanto, Graças a Deus, estes questionamentos não são nada além de alguns segundos de devaneios, que são solapados pelo sentimento de asco que toma conta destes corações legitimamente pastorais, fazendo com que eles permaneçam olhando para o alvo, e, assim como Jesus, rejeitem as ofertas de Satanás.

Adaptado por Juliano Fabricio via

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