Não resta dúvida de que todo ser humano enfrenta muitas crises pessoais em seu desenvolvimento existencial. A crise faz parte da nossa natureza humana, e diferentemente dos animais, nós temos a consciência das crises que enfrentamos, mesmo que não percebamos sua intensidade. Absolutamente nenhum ser humano está imune as crises.

O psicólogo pós-freudiano Erik Erikson em sua teoria do ciclo de vida humano - modelo por ele denominado epigenético - aborda o papel e a importância das crises no ciclo que vai da infância á idade adulta e velhice. De acordo com Erikson cada estágio é caracterizado por uma crise que deve ser resolvida para que o indivíduo avance para o estágio seguinte. Na teoria epigenética de Erikson, e acredito que também na realidade de nossas vidas, a crise é uma época especial de decisão entre progresso e regressão. O estágio da adolescência, por exemplo, é marcado por inúmeras crises. Quem não passou por crises nesta fase? Eu fui um típico adolescente mergulhando em crises pessoais e existenciais perturbadoras, o que me levou a buscar no esporte, rock e bebidas, as respostas para angustias interiores. Neste caso pessoal, eu assumi a realidade da crise, mas por falta de direção e entendimento, eu regredia a cada dia ao invés de avançar para o estágio adulto do ciclo da vida.

Resolvi abrir espaço para este tema por dois motivos básicos. O primeiro é a leviandade que este tema é abordado no ambiente eclesiástico em que muitos leitores vivem. Geralmente os que passam por crises, sejam elas existenciais, de identidade e ou de natureza espiritual, são considerados como indivíduos de pouca fé. Supõe-se que um cristão cheio de fé pode até enfrentar muitas tribulações, mas nunca ao ponto de achar-se em crise. Ora, não precisamos ser psicólogos para descobrir que este discurso atrapalha o desenvolvimento natural da crise, agravando mais ainda a saúde emocional do cristão que acredita nesta mentira. Creio que Francis Schaeffer teve razão ao afirmar que "nós enchemos as pessoas de problemas psicológicos ao lhes assegurar que cristãos não tem colapsos nervosos (crises), e isto é um tipo de assassinato". A psicóloga Esther Carrenho também diz que:

"...muitas vezes no meio religioso, principalmente no evangélico, além de não existir o acolhimento tão necessário a pessoa em depressão (crise), ela ainda será acusada de não crer, de estar em pecado. Como se isso não bastasse, não raro, o deprimido será exorcizado, como se o próprio demônio estivesse incorporado nele".

O segundo motivo é o fato de que não passei crise apenas na minha adolescência, ainda enfrento muitas delas, mas são diferentes das que passei ao sons de Bob Marley ou Led dos 12 aos 18. O estágio que me encontro no desenvolvimento humano chama-se Idade Adulta. Esta etapa é marcada por crises psicossociais específicas, e foi definida por Erikson como uma etapa da crise "geratividade versus estagnação". Geratividade envolve a produtividade e criatividade em nossas tarefas profissionais e em nossas vidas pessoais. Aos 36 anos sinto a necessidade de produzir, de criar e ensinar de acordo, idéais e princípios assumidos por mim. Se nada acontecer neste sentido, serei vitimado por uma sensação de aborrecimento e estagnação.

Algumas coisas importantes que estou aprendendo nesta fase:

1- Sinto-me mais próximo de personagens bíblicos que, diferentemente do que se pensa, não eram super-homens espirituais. Abraão, Jacó, Moisés, Davi, Elias e outros tantos, enfrentaram muitas crises em suas vidas. Arrisco dizer sem medo que o próprio Jesus enfrentou muitas crises também (veja Hb 4:15). E por isso, sinto-me mais humano, mais vivo, mais gente, por assim dizer. Foi meditando na biografia dos personagens bíblicos que comecei a trilhar o caminho da minha identidade pessoal. A verdade é que há muitas vozes projetadas sobre nós, que nos pressiona e nos julga, a fim de que sejamos o que os outros esperam de nós. Contudo, nós somos únicos e singulares, seremos o que Deus quer que sejamos.

2- Sinto-me mais próximo de Deus e de sua Palavra que guiou estes homens e os preservou da queda enquanto eram lapidados em suas crises. Lembro de forma visceral a quantidade de vezes que chorei lendo os Salmos, em especial, o Salmo 31. Não há dúvidas que todas vezes que aproximava-me da Palavra, uma nova esperança invadia meu ser. "Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois tens visto a minha aflição. Tens conhecido as minhas angústias" (Sl 31.7).

3- Sinto-me mais próximo das pessoas que verdadeiramente me amam e me aceitam como sou. Amigo, como diz o pastor Ed René, é alguém que tem todos motivos para não ser teu amigo e ainda assim continua a sê-lo. Enquanto enfrentei crises em 2008 foram pouquíssimos os que ficaram ao meu lado, a maioria agiu como os amigos-auditores de Jó. Muitas vezes me senti exatamente como o salmista expressa no Salmo 31.12 "esquecido como um morto de quem não há memória; como um vaso quebrado". Louvado seja Deus, pois foi na crise que aprendi a diferenciar quem são os amigos verdadeiros, os conhecidos e os colegas do dia-a-dia. Como disse o sábio "é na angustia que se nasce um irmão" (Pv 17.17).

4- Haja o que hover, haja o que houver, haja o que houver...fique firme até o fim. Em Efesios 6:13 está o segredo que descobri: "Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes".

Não tenho formulas prontas à apresentar para os que enfrentam as crises. Mas penso que os quatro pontos acima são importantes sustentáculos. Singularidade, Fé, amizades espirituais verdadeiras e firmeza .

Adaptado por Juliano Fabricio via

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