Philip Yancey fez a famosa pergunta, “O que há de tão maravilhoso em relação à graça?” As palavras do famoso hino ecoavam bem alto de domingo a domingo nas igrejas ao redor do globo, mas será que podemos mesmo sondar o mistério, a maravilha, ou até o escândalo da graça?

A graça é um paradoxo
, como “camarão grande” ou “imposto de caridade” ou “para ganhar sua vida, você precisa perdê-la.” Todos necessitamos da graça, mas poucos de nós a compreende. As pessoas que mais requerem a graça são as pessoas que menos merecem. Apesar de achar que todos os pecados são repulsivos aos olhos de Deus, não é justo com o cristão correto que tem tido pouca dificuldade com os “grandes” pecados em sua vida que receba a mesma graça que uma prostituta na rua ou o assassino na cadeia. Ainda assim, a mesma graça é oferecida a ambos.

Um escândalo, se você perguntar minha opinião. Jesus incorpora o escândalo. Seu amor pelos cobradores de impostos e outros pecadores notáveis equivalentes à Enron de seu tempo. Suas parábolas, incluindo a história dos trabalhadores e a vinha (Mt 20:1-16), lembram o Watergate do Messias. A morte de Jesus na cruz pelo pecador e o santo como iguais compôs uma história boa o suficiente para aparecer nas capas dos tablóides.

Eu não alego que entendo a graça. Eu não tenho certeza se nós conseguiríamos compreender o real conceito da graça. Pode ser divino demais pra que nossas mentes finitas consigam abraçar. Mas um retrato da graça alterou pra sempre minha percepção da graça e do Deus que a estenda pra mim. E o retrato é Dom Quixote.

Miguel de Cervantes, um famoso escritor espanhol e contemporâneo de William Shakespeare, escreveu seu famoso conto de Dom Quixote no começo dos anos 1600. Em 1970, a história foi adaptada para os palcos em The Man Of La Mancha. Um dos escritores do musical comentou sobre a produção, “A audiência não está assistindo uma peça, eles estão tendo uma experiência religiosa.”

O início da história encontra Cervantes
e seu fiel parceiro Sancho jogados em uma prisão esperando o julgamento. Os prisioneiros companheiros pedem que Cervantes conte uma história, e ele decide recontar seu conto em forma de charada. Enquanto ele arma o palco, Cervantes se transforma, na nossa frente, no cavaleiro – Dom Quixote.

Dom Quixote e Sancho
se envolvem numa jornada que eventualmente chega em um castelo onde Dom Quixote espera encontrar abrigo para cuidar de feridas de batalha. O castelo na verdade é uma hospedaria para Sancho e para a audiência, mas aos olhos de Dom Quixote, ele está adentrando um lugar de realeza.

É lá que o “cavaleiro” encontra Aldonza. Ela é uma das poucas mulheres na hospedaria, e ela possui apenas uma coisa que todos os homens durões ao seu redor querem: seu corpo. Todos sabem que é imperativo a um cavaleiro que ele possua uma donzela. Dom Quixote diz, “Um cavaleiro sem uma donzela é como um corpo sem alma.” A quem ele dedicaria as suas conquistas? A quem ele devotaria suas vitórias? Que “visão” o sustentaria ao entrar na batalha contra ogros e gigantes?

Em Aldonza, Dom Quixote descobriu sua visão. Ele decide chamá-la por um novo nome: Dulcinéia. Ele põe esse novo título sobre ela significando “aquela que é doce”, apesar de sua reputação e sua ocupação como prostituta. Dom Quixote, com o passar do tempo, chama por sua Dulcinéia. Ele se refere a ela como “a mais soberana e superior donzela.” Aldonza responde, “Ninguém toca meu coração.” Mas o desejo de Dom Quixote por Dulcinéia aumenta. Ele diz, “A moça Dulcinéia; sua beleza é mais que humana. Sua qualidade? Perfeição. Ela é o significado da palavra mulher. E todo o significado de uma mulher para um homem.”

Aldonza responde a ele: “Apenas uma vez, você pode olhar pra mim como eu realmente sou?” Dom Quixote responde: “Eu vejo beleza e pureza.”

Ao desdobrar da história, Dom Quixote está deitado em seu leito de morte, convencido por sua família que ele não é Dom Quixote, mas Alonso Quijana; louco, vestido e sonhando como sendo Dom Quixote. Quando a morte se aproxima, Alonso Quijana chama um padre, pois quer ditar seu testamento. O caos toma o quarto, e a comoção é causada por ninguém mais do que Aldonza. A donzela voltou para seu cavaleiro.

“Não se lembra de mim?” são suas palavras. “Sou sua Dulcinéia. E você é o grande Dom Quixote” os olhos cansados de Alonso Quijana se iluminam ao lembrar de suas aventuras e de sua Dulcinéia.

Então, o que podemos aprender com The Man of La Mancha?

Nós fazemos o papel de Aldonza nessa peça. Somos sujos, impuros e indignos. Não temos linhagem nem futuro. Não somos considerados. Não somos adequados para ser chamados de donzelas de um cavaleiro. Mas a graça de Deus nos oferece, apesar de sermos quem somos, um novo nome. Ele não nos vê como Aldonza, mas Ele escolhe nos chamar de Dulcinéia, a sua doce donzela.

Não faz sentido que Deus escolha uma Aldonza como eu pra ser sua Dulcinéia. Mas a graça de Deus na maioria das vezes não faz muito sentido. Ele a oferece para a prostituta mais baixa e para o mais elevado pregador. Ele estende esse novo nome ao que aborta e ao que adultera, ao contador e ao artista.

Phillip Yancey disse: “A graça não custa nada aos que a recebem, mas tudo ao que a dá.” Eu recebo o novo nome de Dulcinéia pela graça de Deus através de Jesus Cristo. E custou tudo a Ele, poder me dar esse novo nome. E esse é o escândalo da graça. É um mistério, mas um “mistério doce”.

Brandon Smith (post original aqui) via

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