Muitas questões foram levantadas com a primeira parte do Dossiê Gospel (clique aqui se você não viu). Nunca foi nossa intenção dar uma resposta certa sobre o que pode ou não pode, mesmo porque este é um nicho de mercado, e como mercado vigente, movimenta muito dindim. (Não culpem a mim, mas a indústria cultural).

Nosso objetivo com isso na verdade foi levantar todas as perguntas possíveis e mobilizar uma discussão sobre a arte , o mercado dito gospel e a comercialização disso tudo. Houveram muitas pessoas falando que não cabe a nós dizer quanto deve ou não uma pessoa cobrar para tocar.

De fato, a palavra fala que o trabalhador é digno do seu salário, mas vamos combinar que ninguém aqui chega pro chefe e fala: “Oh patrão… a partir de hoje meu salário vai ser 28 mil reais, beleza?” Tudo tem limites né, convenhamos. E isso pra citar apenas um exemplo, porque existem exemplos piores, como de um ministro das massas famosão aí que exige, repito, EXIGE (em capslock pra dar ênfase e dramaticidade) água mineral importada no camarim.

É por isso que nesta segunda parte queremos abordar como um músico independente cristão sobrevive quase sufocado no meio dessa idolatria gospel indústria e mercado. Para isso entrevistamos três ótimos músicos atuantes no reino:
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Jorge Camargo
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Eduardo Mano
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Danni Distler

Confira como é a vida de um músico independente, e como eles sobrevivem sem cobrar 20 mil reais por show/ministração/toca-lá-na-minha-igreja.

—————————-E . N . T . R . E . V . I . S . T . A ————————–

Por que você resolveu ser um músico independente, quando poderia ter uma certa “fama” e reconhecimento?

“Ser músico independente por vezes não é uma escolha. É falta de opção.” (Jorge Camargo)

“Olha, até o momento (e não creio que isso irá mudar) não tive a alternativa de não ser independente. Mas creio que ser independente hoje, para mim, é a melhor opção, principalmente por eu precisar trabalhar para ter meu sustento, então eu faço o tempo, agenda e projetos da banda tendo meu emprego em mente.” (Eduardo Mano)

“Ser independente te da liberdade de promover canções que não poderiam ser cantadas, talvez, dentro dos limites de uma gravadora. Além disso, o mercado fonográfico está mudando e hoje é possível ser independente e conhecido ao mesmo tempo sem a ajuda de gravadoras. Porém eu ainda luto comigo mesmo para aceitar isso e ser independente por opção e não por rejeição do mercado quanto ao meu trabalho. É uma mentalidade relativamente nova pra mim.” (Danni Distler)

Como você sobrevive e se sustenta sendo músico? Consegue, vai só pela graça, ou também trabalha?

“Eu nunca vivi exclusivamente da música. Talvez por falta de coragem, ou talvez por anseio de liberdade: poder escolher o meu repertório sem ingerência de gravadora.” (Jorge Camargo)

“Cara, eu tenho um emprego. Sou formado em publicidade desde 2001, trabalhei em agências até 2008 e desde então trampo exclusivamente com design. Esse emprego sustenta, além da minha esposa e minha casa, meu ministério. Além disso, quando vou tocar com a banda ou sozinho, a única coisa que falo pra igreja é que, se ela quiser (e unicamente se quiser) abençoar o ministério com uma oferta, nós aceitamos. Mas não é uma imposição, uma condição sine qua non para irmos ministrar. E de fato, tudo é pela graça.” (Eduardo Mano)

“Cara, a música já é um trabalho, rsrs. O meu sustento vem de Deus, as vezes através da música, as vezes de outro lugar.” (Danni Distler)

De graça recebei, de graça dai… Como isso se aplica na vida de um músico cristão? Como você encara isso?

“A arte que eu produzo e compartilho é fruto de trabalho, de dedicação, de estudo. Isso tem um custo. Pobre de um país que não sabe valorizar sua produção artística. Eis uma das diferenças entre países desenvolvidos e atrasados.” (Jorge Camargo)

“Encaro isso distribuindo todo e qualquer material da banda gratuitamente na internet, tendo ele um custo ou não. Até porque na verdade, sempre tem um custo. Mas é resolução minha junto à banda que tudo aquilo que produzirmos, independente de quanto custou para ser produzido, sempre ser distribuído gratuitamente na internet, além das tradicionais mídias físicas para aquisição.” (Eduardo Mano)

“Quando faço algum trabalho na igreja, procuro manter no campo da oferta, já que preciso confiar que é Deus quem manda a provisão. Procuro confiar que a igreja dará o que entender ser justo. Quando é um trampo fora da igreja com cunho missionário, mantenho o mesmo padrão da oferta. E quando toco, por exemplo, num bar com músicos da noite, aceito o cachê até pra não prejudicar a classe, já que tocar de graça ou por oferta seria ruim para os músicos que vivem da noite.” (Danni Distler)

Dá pra ganhar alguma coisa com as vendas de CDs independentes?

“Para os músicos independentes, a venda de cd’s serve mais como um veículo de divulgação. Os recursos vêm do que lhes é pago para se apresentarem.” (Jorge Camargo) 

“Rapaz, a única coisa que eu ganho com isso, creio, são os emails que recebo sempre de gente agradecendo por aquilo que fazemos, e isso é uma benção grande demais. É claro que convites vêm com isto, mas a ideia não é ter uma ferramenta de marketing, mas sim, de alguma forma, abençoar a vida das pessoas. Quanto ao se eu ganharia mais apenas vendendo ou numa gravadora, eu não sei, mas “de que vale o homem ganhar o mundo e perder a sua alma?” (Eduardo Mano)

“Eu comecei a fazer cd por insistência das pessoas de quererem o cd. De início minhas musicas estavam disponíveis para download gratuito. Acho que o download gratuito é parte fundamental da divulgação. Tem artistas que vendem cd e que tem algumas faixas grátis em sites. Além disso você dá a possibilidade de alguém ouvir sua música antes de comprar como um tipo de cortesia. Se o cara gostar, compra o cd. Mas gosto de disponibilizar mesmo as coisas “B-sides” que não poria num cd, mas dependendo da quantidade de acesso, podem acabar entrando em algum. De fato uma distribuidora seria interessante pois abriria um leque maior de alcance. Mas minhas tentativas de parcerias normalmente são frustradas pois não me encaixo no perfil ‘comercial’ do negócio.” (Danni Distler)

Qual o limite de transformar a arte pra Deus, em comércio para os homens?

“Essa questão tem um componente subjetivo. Por outro lado, uma produção artística sem autonomia, sem liberdade de expressão é de certo modo uma produção “comercial” e, portanto, comprometida em sua função artística.” (Jorge Camargo)

“Rapaz, não sei. De verdade.” (Eduardo Mano)

“Acredito que principal razão da arte é expressar a beleza de Deus aos homens. Enquanto esse for o foco, a arte não tem preço, porém na realidade de hoje o dinheiro naturalmente faz parte do mercado artístico. Buscar o equilíbrio entre as duas coisas é a parte mais difícil. Porém se o artista entende que sua provisão vira de Deus, não terá coragem de cobrar absurdos por seu trabalho. Se entende que faz arte, não terá coragem de vender seus valores por um contrato. Se percebe que o dom tem um propósito, não se prendera a fórmulas de sucesso mas sim ficara sensível ao que Deus lhe incumbir como profeta de sua geração, e não terá reputação a zelar pois já estará ocupado demais zelando por seu chamado.” (Danni Distler)

O que é necessário para ser um bom músico profissional cristão?

“O que é necessário para qualquer atividade: visão, integridade, verdade e perseverança.” (Jorge Camargo)

“Outra pergunta que não sei responder. A única coisa que faço profissionalmente na vida é o design. Sou um músico amador, não vivo exclusivamente disto. Faço por amor a Deus e à igreja.” (Eduardo Mano)

“Pra ser bom em qualquer profissão você precisa dedicação, amor, verdade e talento. Tendo isso fará sempre um bom trabalho.” (Danni Distler)
________________________

(DICA – Para mais sobre o assunto leia o livro: “Músico: Profissão ou Ministério” por João Alexandre Silveira e João Garruti Filho.) Texto e entrevista: @Clarkrent @Erezias 

Rafael Mesquita, no Profetada Gospel 

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