"Nunca poderemos falar do fracasso do cristianismo, é impossível que ele fracasse. O que fracassa é a falsificação esfarrapada do que é verdadeiro, que nós nos propomos a suportar" (Geoffrey King)


Um dos maiores problemas sociais que enfrentamos no Brasil, pode ser facilmente contemplado todos os dias nas esquinas, ruas e vielas de nosso país. Falo dos "meninos de rua", crianças que são propostas a viver em situações calamitosas, vivendo na sujeira, totalmente esfomeadas, desprovidas de recursos que são necessários para formação de uma saúde física e mental, e com isso elas acabam perdendo a esperança de no futuro se tornarem adultos realmente efetivos dentro da sociedade. Estas crianças sofrem na pele a descriminação e marginalização decorrente do tratamento que a sociedade deliberadamente deposita nestes “pequeninos”, que nunca são compreendidos e muito menos tolerados.

Qual de nós que pelo menos uma vez na vida não se sentiu molestado, ou até foi agredido por uma criança destas? Elas são completamente imprevisíveis, algumas são doces, outras agressivas, mas todas sofrem o mesmo mau, a necessidade de paternidade. Como a sociedade não sabe como lidar com elas, acaba por atirá-las em "instituições sociais", onde a grande maioria destas, não passa de verdadeiros depósitos de lixo humano e faculdades do crime, que na verdade não fazem nem sombra diante das necessidades destes pequeninos.

Por mais triste que pareça a realidade, a grande maioria destas crianças acaba por morrer nos vícios e tráfico, ou cair na prostituição e marginalidade. O descuido e o descaso da sociedade se tornaram descarados, diante deste grave problema social, que mata milhares de pequeninos brasileiros, que morrem sem amparo esfomeados de amor e compaixão nas portas de nossas residências. Pensando nesta realidade, meditei sobre a realidade da igreja, que talvez para nós aparentemente não haja uma conexão direta, mas com os assuntos que irei abordar adiante, talvez você venha a se surpreender.

Depois de refletir sobre o assunto, cheguei à conclusão de que espiritualmente não estamos distantes desta realidade, pois é certo que a sociedade sofre diretamente a influência com a situação espiritual da Igreja. Fatores como violência, impunidade, são resultados de uma baixa moral provinda dos meios sociais e religiosos que auxiliam diretamente na manutenção da ordem dentro de uma sociedade.

A pergunta que fica é:
Como podemos exigir da igreja uma posição diante destes problemas sociais, quando o tratamento dentro da “instituição igreja” não se difere em nada a exclusão social que é dada aos meninos de rua? Cheguei à conclusão de que a antiga frase, que podemos chamar de “chavão evangélico”, é uma grande realidade, onde se diz que “igreja é a único exército que executa seus feridos” Em um curso de plantadores de igreja, uma frase que um professor disse me marcou a mente. Onde ele afirmou que para se matar um crente ferido, bastava apenas entregá-lo a seus compatriotas evangélicos, pois com certeza terminariam o serviço.

Como podemos fazer exigências diante das necessidades sociais de nosso país, quando em nossas atitudes navegamos em um mar de hipocrisia, correndo atrás de profecias de riqueza e prosperidade, a preço do sangue de nossos compatriotas? Como vamos ter moral diante da sociedade, quando nossa casa esta uma bagunça? Onde o melhor que oferecemos para nos representar diante dos líderes de nosso país são canastrões que foram presos por esconder dinheiro na Bíblia? É fato, temos de ajeitar a casa, começando por reconhecer nossos problemas e tratar nossos marginalizados.

Como no início do texto cheguei a uma dolorosa conclusão, que junto comigo existem milhares de pessoas, que por encararem e confrontarem estas realidades não foram aceita dentro dos ambientes religiosos, acabando por serem deixados de lado, excluídos e executados intelectualmente por suas comunidades, caindo num estado de marginalização decorrente à sua atitude repreensiva, a falta de ética comumente em seus ambientes religiosos.

Hoje temos que encarar que surge uma nova classe de “cristãos” que esta abandonada pelas esquinas e vielas da igreja, caminhando pelos cantos escuros, muitos lesados pelo abandono, outros lutando pela sobrevivência. Pessoas que lutaram pela dignidade exigindo o que era justo da instituição, mas foram atropelados por uma avalanche, resultados de uma crise ética decorrente do momento em que nos encontramos.

Muitos morrem, outros sobrevivem, alguns mendigam, outros roubam, mas todos buscam a mesma coisa, uma igreja mais justa, um lugar para reclinar a cabeça e descansar neste deserto que é o mundo. Um Oasis, um lugar de aceitação, família, agregação e apoio, é o que estes “cristãos" querem. Estas pessoas, grupo ao qual tenho orgulho de me dizer participante, verdadeiramente são sobreviventes, venceram os abusos decorrentes da religião. Fizeram jus a sua fé, e são dignos de nossa compreensão e aceitação, acima de tudo merecedores de nossa adoção. São poucos que podemos dizer não serem lesados com as patologias decorrentes aos abusos, mas em minha análise, se hoje apontarmos quem representaria melhor um verdadeiro evangelho, com certeza não encontraríamos nos grupos religiosos, e sim, em meio a estes excluídos da igreja.

É certo que grande maioria não suporta a pressão, e a exemplo dos meninos de rua, acabam morrendo ou deteriorando por não suportar a exclusão religiosa. Tenho amigos que por causa da descriminação que sofreram em suas comunidades, acabaram por adquirir varias patologias a ponto de ter que se submeter a uma infinidade de tratamentos psiquiátricos na tentativa de darem continuidade em suas vidas. Tenho conhecimento de outros que estão hoje internados em instituições psiquiátricas, como o caso de uma igreja onde participei, que os líderes submeteram uma menina saudável, que era estudante de enfermagem, a uma regressão induzida por hipnose, “fruto de práticas excêntricas de cura interior”, que a levou a um surto psicótico irreversível, e até as últimas informações que tive, ela estava internada em um hospício na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Percebemos vários destes, hoje pela internet ou por outros meios tentando apedrejar os telhados das instituições evangélicas, tentando retribuir de forma a vingar-se do abandono sofrido por suas comunidades. Assim como muitas crianças de rua fogem de suas residências devido aos abusos sofridos, muitos cristãos estão fugindo de suas denominações por causa das práticas abusivas a que são submetidos. Destes grupos podemos fazer uma análise e chegaremos à conclusão de que uma porcentagem muito pequena consegue sobreviver, depois de todas as barbáries ao qual foram submetidos. Como já havia falado outras vezes, em muitos ambientes evangélicos “pensar é um crime passível de execução”.

Os que sobrevivem, em grande maioria lutam para continuar em atividade nos meios cristãos, atuando em áreas sociais ou trabalhando diretamente com pessoas. São indivíduos que procuram não determinar o seu cristianismo as quatro paredes, ou em uma dependência parasita das denominações, procuram simplesmente “ser”, sem barreiras ou dogmas, tornando-se cristãos efetivos.

Embora marginalizados, muitos destes “meninos de Rua da Igreja” lutam por um evangelho de justiça, desprendendo-se do jugo falsário do “denominacionalismo” vivendo um evangelho livre, sem as barreiras “pseudo-doutrinárias”, estudando e crescendo, desprendendo-se das cadeias de um cristianismo preso a ignorância, regido por coação e medo. Deixaram seus ambientes “esterilizados” para viver em meio a uma sociedade em contato com os detritos do mundo, exercendo um cristianismo prático e empático.

Tendo por resultado desta liberdade a compreensão verdadeira do que é profano e sagrado, pois muitas coisas que julgamos “sagradas” para Deus são abomináveis, e outras que condenamos como profanas, por Deus são santificadas. Pessoas que não levam sobre si nenhuma bandeira, mas tem tatuado em seus sofridos corações sobreviventes, a mensagem gravada em letras garrafais e escrita com sangue, falando de um evangelho de justiça e inclusão.

Penso que é tempo da “igreja denominacional” reconhecer estes “desagregados”, e transformar-se para entender que o evangelho não pode ser detido em nossos dogmas doutrinários. Creio que de certa forma alguns novos movimentos com muito sucesso tem conseguido incluir e recuperar estes “meninos de rua da igreja”, mas ainda há muito a se fazer para que parte deste problema de “exclusão eclesiástica” venha a se resolver dentro das instituições evangélicas. Mas um grande princípio já é notável nestes novos movimentos que buscam requestionar fatores como a cultura e a transculturalidade, revisando nossas condutas e base doutrinárias, buscando uma aproximação maior com uma teologia mais histórica.

O primeiro passo que devemos dar para uma reestruturação na igreja, relativo à sua função social, é começar com uma “arrumação” severa em nossa casa. Não podemos falar de justiça social, sem primeiro lavar nossas vestes em relação à vida comunitária e reestruturação doutrinária. Não podemos adotar nossa sociedade sem primeiro solucionar os problemas relativos a esta grande evasão, e a alta taxa abortiva de neófitos.

Não acredito em uma nova reforma, mas creio no poder transformador do efeito conversão, e com certeza precisamos “converter” e reformular nossa forma de “ser” igreja, manifestando a multiforme sabedoria de Deus unilateralmente. Penso que, “Como podemos falar de amor, ao ponto de que as calçadas de nossas denominações estejam cheias de meninos de Rua da Igreja, a mendigar um pouco de afeto e adoção?”

“Que reine primeiro a justiça em nossas igrejas, e depois flua para sociedade.”

Adptado por Juliano Fabricio via

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