Ao lermos as obras de vários escritores Arminianos, nos parece que o seu primeiro e talvez o mais grave erro seja o de que eles não dão a devida importância à rebelião pecaminosa e separação espiritual da raça humana de Deus, ocorrida na queda de Adão. Alguns a negligenciam por completo, enquanto que para outros, isso parece ser um evento distante com pouca influência na vida das pessoas hoje. Mas, a menos que insistamos na realidade da separação espiritual de Deus e o efeito totalmente desastroso que esse evento exerceu sobre toda a raça humana, nunca seremos capazes de apreciar devidamente a nossa real condição ou a nossa desesperadora necessidade de um Redentor. 

Talvez isso nos ajude a perceber mais claramente o que a condição do homem caído realmente é se a compararmos com a dos anjos caídos. Os anjos foram criados antes do homem, e cada anjo foi colocado em teste como um ser individual, pessoal e moral. Esse foi, aparentemente, um puro teste de obediência, como foi o de Adão. Alguns dos anjos permaneceram firmes em seu teste, por razões plenamente conhecidos somente por Deus, e, como resultado, foram confirmados em um estado de santidade angélica perfeita, e são eleitos os anjos no céu (1 Timóteo 5:21). Mas outros caíram, e agora são os demônios sobre os quais lemos nas Escrituras, sendo o diabo, ao que parece, o de mais alto posto entre aqueles que caíram. 

Em Judas, lemos de "anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, Ele [DEUS] tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia" (v.6). E em 2 Pedro, lemos que"Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo" (2:4). O diabo e os demônios estão totalmente alienadas de Deus, totalmente entregues ao pecado e sem qualquer esperança de redenção. Seu destino é descrito por Cristo como aquele de ser lançado no "fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”. (Mateus 25:41). 

Não há redenção para os anjos caídos. O escritor da Epístola aos Hebreus diz:"Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão" (2:16). Seu destino é fixo e certo. Para os homens e para os anjos, a punição eterna é a penalidade para o infinito pecado contra Deus. Alguns tentariam fazer Deus parecer injusto, como se Ele infligisse punição infinita por pecados cometidos apenas nesta vida. Mas os homens perdidos e anjos perdidos, ou demônios, estão eternamente em rebelião contra Deus, e eles recebem punição eterna para essa rebelião. 

Mas quando Deus criou o homem como um ser moral, ele deu seguimento a um plano diferente daquele realizado com a ordem angelical. Em vez de criar todos os homens de uma só vez e colocá-los em teste individualmente, Ele criou um homem, com um corpo físico, de quem toda a raça humana descenderia, e que, por sua união com todos aqueles que viriam depois dele, poderia ser apontado como o cabeça legal ou federal e representante de toda a raça humana. Se ele resistiu ao teste, ele e todos os seus descendentes, seus filhos, seria confirmado em santidade e estabelecido em um estado de criatura perpetuamente bem-aventurada como foram os santos anjos. Mas se ele caísse, como fizeram os outros anjos, ele e toda sua posteridade estaria sujeito a punição eterna. Era como se Deus dissesse: "Desta vez, se o pecado tiver que entrar, deixe que entre por um homem, de modo que a redenção também possa ser realizada por um homem." 

Portanto Adão, em sua capacidade representativa, foi colocado em um teste de obediência humana pura. A pena da desobediência foi claramente colocada diante dele: "E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gênesis 2:16-17). 

Assim, a pena claramente declarada para o pecado foi a morte - exatamente a mesma pena infligida aos anjos que caíram. Tal como aconteceu com os anjos, esse foi puramente um teste para estabelecer se o homem seria ou não seria um sujeito obediente e grato no reino dos céus. Foi um teste perfeitamente justo, simples e claramente apresentado, muito em favor de Adão, para que ele não teria nenhuma desculpa caso desobedecesse. 

Mas, tragédia das tragédias, Adão caiu. E toda a raça humana, representada nele, caiu. As conseqüências do pecado estão totalmente compreendidas sob o termo morte, em seu sentido mais amplo. Foi inicialmente a morte espiritual ou separação de Deus, que fora ameaçada. Adão não morreu fisicamente até 930 anos após a sua queda. Mas ele foi espiritualmente alienado de Deus e morreu espiritualmente no mesmo instante em que pecou. E a partir daquele instante, sua vida tornou-se uma marcha incessante em direção ao túmulo. O homem, nesta vida, não foi tão longe nos caminhos do pecado como foi o diabo e os demônios, pois ele ainda recebe muitas bênçãos por meio da graça comum, como saúde, riqueza, família e amigos, as belezas da natureza, e ainda é cercado por muitas influências restritivas. Mas ele está a caminho. E se não fosse controlado, o homem acabaria por tornar-se totalmente mal como são os demônios. Em seu estado caído, ele teme a Deus, tenta fugir dEle, e, literalmente, O odeia, como fazem os demônios. Se fosse entregue a si mesmo, permaneceria eternamente nessa condição, porque, como está escrito: "Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus"(Romanos 3:10-11). Nada, absolutamente nada além de um poderoso ato sobrenatural da parte de Deus pode salvá-lo dessa condição. Assim, se ele tiver que ser resgatado, Deus deve tomar a iniciativa, deve pagar a pena por ele, deve limpar-lo de sua culpa, e assim o restabelecer em santidade e justiça. 

E é precisamente isso que Deus faz. Ele soberanamente escolhe um homem para fora do reino de Satanás, e o coloca no reino dos céus. Esses são os eleitos que são referidas cerca de 25 vezes nas Escrituras: Mateus 24:22: "por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados." (na destruição de Jerusalém); 1 Tessalonicenses 1:4: "reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição"; Rom. 11:7 "mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos"; Rom. 8:33: "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.", e muitos mais. 

A Bíblia nos diz que Deus tem salvado uma multidão da raça humana da pena de seus pecados. Para realizar esse trabalho, Cristo, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, tomou sobre Si a natureza humana através do milagre do nascimento virginal, e nasceu na raça humana como qualquer criança normal nasce. Assim, Deus se encarnou, tornou-se um de nós. Jesus, então, viveu uma vida perfeita sem pecado entre os homens como representante de seu povo, colocando-se diante da Sua própria lei, e sofreu em sua própria pessoa a pena que Deus havia prescrito para o pecado. Em Sua vida sem pecado, Ele manteve perfeitamente a lei de Deus que Adão tinha quebrado, e assim ganhou justiça perfeita para o seu povo e, assim, ganhou-lhes o direito de entrar no céu. O que Ele sofreu, como uma pessoa de valor e dignidade infinita, foi exatamente o equivalente ao que o Seu povo teria sofrido na eternidade no inferno. Desta maneira Ele libertou Seu povo da lei do pecado e da morte. E como os frutos desta obra redentora são aplicados àqueles que foram dados ao Filho pelo Pai, eles são declarados regenerados pelo Espírito Santo, isto é, para serem vivificados espiritualmente, para nascerem de novo. 

Paulo expressa esta ampla verdade quando na Epístola aos Romanos, diz: 

"Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram... porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação. Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida.Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos." (Romanos 5: 12-19). 

A menos que se veja esse contraste entre o primeiro e o segundo Adão, nunca se entenderá o sistema cristão. 

E escrevendo aos santos que estavam em Éfeso, Paulo disse: "Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados". E ele continua a dizer que: 

"... éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas." (Efésios 2:1-10) 

Na teologia cristã, existem três atos distintos e separados de imputação. Em primeiro lugar, o pecado de Adão é imputado a todos nós, seus filhos, isto é judicialmente estabelecido em nossa conta para que sejamos responsabilizados por isso e soframos as conseqüências do mesmo. Isto é comumente conhecido como a doutrina do pecado original. Em segundo lugar, e, exatamente da mesma forma, o nosso pecado é imputado a Cristo, para que Ele sofra as conseqüências do mesmo. E em terceiro lugar, a justiça de Cristo é imputada a nós e garante a nossa entrada no céu. Estamos, naturalmente, não mais culpados pessoalmente pelo pecado de Adão do que Cristo é pessoalmente culpado pelo nosso pecado, ou do que nós somos, pessoalmente meritórios por causa de Sua justiça. Em cada caso, é uma transação judicial. Nós recebemos a salvação de Cristo precisamente da mesma maneira que nós recebemos a condenação e a ruína de Adam. Em cada caso, o resultado segue por causa da estreita união oficial que existe entre as pessoas envolvidas. Rejeitar qualquer uma dessas três etapas é a rejeitar uma parte essencial do sistema cristão. 

Assim, vemos o paralelo estrito entre Adão e Cristo no que se refere à salvação. Nas passagens acima, Paulo amontoa frases sobre frases salientando o fato de que não éramos apenas doentes ou relutantes espiritualmente, mas espiritualmente mortos. O próprio Cristo disse: "Se alguém não nascer de novo, ele não pode ver o reino de Deus" (João 3:3). E novamente Ele disse: "Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra." (João 8:43). O homem irregenerado não pode ver o reino de Deus, e nem pode ouvir, discernindo espiritualmente, as palavras que dizem respeito a esse reino, muito menos pode se achegar a ele. Tivéssemos sido nós deixados por nossa própria conta, assim como os anjos caídos, nunca teríamos voltado para Deus. 

Uma pessoa espiritualmente morta não pode dar vida espiritual a si mesma da mesma forma que uma pessoa fisicamente morta não pode dar a si mesma a vida física. Isso exige um ato sobrenatural da parte de Deus. Nós entramos na família de Deus precisamente da mesma maneira que entramos em nossa família humana, por termos nascido nela. Por esse ato sobrenatural próprio Deus, através do Seu Espírito Santo, soberanamente nos leva para fora do reino de Satanás e nos coloca no Seu reino espiritual, um renascimento espiritual. 

E, uma vez nascidos no reino de Deus, não podemos, jamais, nos tornar não-nascidos. Uma vez que foi necessário um ato sobrenatural para nos trazer a um estado de vida espiritual, seria necessário um outro ato similar para nos tirar desse estado. Daí a absoluta certeza de que aqueles que foram regenerados e que, portanto, tornaram-se verdadeiramente cristãos, jamais perderão sua salvação, mas serão providencialmente guardados pelo poder de Deus através de todas as provações e dificuldades da vida e serão conduzidos ao reino celestial. "Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida." (João 5:24); "E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” (2 Coríntios. 5:17); "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”(João 10:27-29). Isso é conhecido como a doutrina da segurança eterna ou a perseverança dos santos

Este dom da vida eterna não é conferido a todos os homens, mas apenas àqueles a quem Deus escolhe. Isso não significa que todos que querem ser salvos são excluídos, pois o convite é "Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida.” (Apocalipse 22:17). O fato é que uma pessoa espiritualmente morta não pode desejar vir. "Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:44). Somente aqueles que são tocados (espiritualmente vivificados) pelo Espírito Santo, experimentam essa vontade ou esse desejo. Estes são chamados, nas Escrituras, os eleitos. Mas, em contraste com estes, há um outro grupo que podemos chamar de não-eleitos. E em relação aos mesmos o Professor Floyd Hamilton muito apropriadamente escreveu: 

"Tudo o que Deus faz é deixá-los sozinhos e permitir que sigam seu próprio caminho, sem interferências. É a sua natureza para de serem maus, e Deus simplesmente predestinou deixar essa natureza inalterada. A imagem, muitas vezes pintada por opositores do Calvinismo, de um Deus cruel recusando-se a salvar todos os que querem ser salvos, é uma caricatura grosseira. Deus salva todos os que querem ser salvos, mas ninguém cuja natureza não tenha sido alterada quer ser salvo." 


Não deixe de ler o post anterior Soberania de Deus - Fé Reformada

Próximo artigo da série: A Expiação de Cristo

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