O evangélico Arminiano reconhece que Deus detém a presciência, e que Ele é, portanto, capaz de prever eventos futuros. Mas se Deus conhece de antemão qualquer acontecimento futuro, então esse evento é tão fixo e certo, como se predestinado. Porque a presciência implica certeza, certamente, implica a predestinação. O evangélico Arminiano não nega que existe tal coisa como uma eleição para a salvação, pois ele não pode se livrar das palavras "eleger" e "eleição", que ocorrem cerca de vinte e cinco vezes no Novo Testamento. Mas ele tenta destruir a força destas palavras dizendo que a eleição é baseada no conhecimento prévio, isto é, que Deus olha para baixo, para a larga avenida do futuro e vê quem vai responder à sua oferta graciosa, e assim os elege. 

Mas ao reconhecer a presciência, o Arminiano faz uma concessão fatal. Figurativamente falando, ele corta sua própria garganta, pela simples razão de que, como Deus prevê quem será salvo, Ele também vê os que serão perdidos! Por que, então, Ele cria os que serão perdidos? Certamente Ele não está sob nenhuma obrigação de criá-los. Não há poder fora de Si mesmo forçando-o a fazê-lo. Se Ele quer que todos os homens sejam salvos e está fervorosamente tentando salvar todos os homens, Ele poderia ao menos abster-se de criar aqueles que, se criados, certamente serão perdidos. 

O Arminiano não pode consistentemente ou coerentemente manter a presciência de Deus e mesmo assim negar as doutrinas da eleição e predestinação. A pergunta persiste: por que Deus cria aqueles que Ele sabe que irão para o inferno? Seria mera loucura dele desejar salvar ou tentar salvar aqueles que Ele sabe que se perderão. Isso seria, da parte dele, trabalhar com propósitos contraditórios, ou contrários a si mesmo. Mesmo o homem tem o bom senso de não tentar fazer aquilo que não fará ou que não pode fazer. O Arminiano não tem alternativa senão a de negar a presciência de Deus - e então ele tem apenas um Deus limitado, ignorante e finito, que na realidade não é Deus em absoluto no verdadeiro sentido da palavra. Se a eleição é baseada na presciência, isso a transforma em algo tão sem sentido que se torna mais confusa do que esclarecedora. Pois mesmo no que diz respeito aos eleitos, que sentido há em Deus eleger aqueles que Ele sabe que irão eleger-se a si mesmos? Isso seria puro absurdo. 

(Além disso, cria-se a idéia de um Deus trapaceiro, que se utiliza de sua prerrogativa de prever o futuro e antevê quem O escolherá e então diz que Ele o elegeu. Se na verdade a eleição foi fruto da antevisão da escolha do homem, Deus está mentindo quando diz que elegeu. Afinal, ele só anteviu a escolha do homem e se apropriou indevidamente dessa escolha e a tomou desonestamente para si, dando-lhe o nome de eleição, quando, em última analise, a escolha foi do homem – Nota do tradutor

As passagens Universalistas 

Provavelmente, a defesa mais plausível para o Arminianismo é encontrado nas passagens universalistas das Escrituras. Três das mais cotadas são: 2 Pedro 3:9, "não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento."; 1 Timóteo 2:3-4, ... Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.", e 1 Timóteo. 2:5,6, "... Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos". 

Em relação a estes versículos, devemos ter em mente que, como dissemos anteriormente, Deus é o governante absoluto e soberano do céu e da terra, e nunca devemos pensar Nele como alguém que deseja ou se esforça para fazer o que ele sabe que não vai fazer. Fazer de outro modo seria, para Ele, agir estupidamente. Uma vez que a Escritura nos diz que alguns homens vão se perder, 2 Pedro 3:9 não pode significar que Deus está ardentemente desejando ou se esforçando para salvar todos os homens individualmente. Pois se fosse a Sua vontade que cada indivíduo da humanidade fosse salvo, então não poderia haver uma alma perdida. "Pois quem jamais resistiu à sua vontade?" (Romanos 9:19). 

Estes versos ensinam simplesmente que Deus é benevolente, e que Ele não se deleita com o sofrimento de suas criaturas assim como um pai humano não se deleita com a punição que às vezes tem de infligir ao seu filho. A palavra "vontade" é usada em diferentes sentidos nas Escrituras assim como em nossas conversas diárias. Às vezes é usada no sentido de "desejo" ou "propósito". Um juiz justo não quer (deseja) que ninguém seja enforcado ou condenado à prisão, mas ele quer (pronuncia a sentença) que o culpado seja punido. No mesmo sentido, e por razões suficientes, um homem pode querer ter um membro removido, ou um olho retirado, embora ele certamente não deseje isso. 

Os Arminianos insistem que em 2 Pedro 3:9, a expressão "nenhum" e "todos" se referem a toda a humanidade, sem exceção. Mas é importante, primeiramente, que vejamos a quem estas palavras foram dirigidas. No primeiro versículo do capítulo 1, vemos que a epístola não é dirigida a toda a humanidade, mas para os cristãos: "... aos que conosco obtiveram fé igualmente preciosa”. E em um versículo anterior (3:1), Pedro se dirigiu àqueles a quem estava escrevendo como "amados". E quando olhamos para o verso como um todo, e não apenas na última metade, percebemos que não é, primariamente, um versículo sobre a salvação, mas um versículo sobre a segunda vinda! Ele começa dizendo que "Não retarda o Senhor a sua promessa” [singular]. Que promessa? O versículo 4 nos diz: "a promessa da sua vinda." A referência é à Sua segunda vinda, quando Ele virá para o julgamento, e os ímpios perecerão no lago de fogo. O versículo faz referência a um grupo limitado. Ele diz que o Senhor é "longânimo para conosco," Seus eleitos, muitos dos quais ainda não tinham sido regenerados, e que, portanto, não tinham ainda chegado ao arrependimento. Daí podemos muito bem ler o versículo 9 do seguinte modo: “Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco), não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” 

Em relação a 1 Timóteo 2:4,6 “o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade ... o qual a si mesmo se deu em resgate por todos”, “todos” é usado em vários sentidos. Muitas vezes isso não significa todos os homens sem exceção, mas todos os homens sem distinção - judeus e gentios, servos e livres, homens e mulheres, ricos e pobres. E em 1 Timóteo. 2:4-6 é claramente usado nesse sentido. Através de muitos séculos, os judeus tinham sido, com poucas exceções, os destinatários exclusivos da graça salvadora de Deus. Eles haviam se tornado as pessoas mais intensamente nacionalistas e intolerantes no mundo. Ao invés de reconhecerem a sua posição como de representantes de Deus para todos os povos do mundo, eles tomaram essas bênçãos para si mesmos. Mesmo os primeiros cristãos, por um tempo, estiveram inclinados a se apropriarem da missão do Messias apenas para si mesmos. A salvação dos gentios era um mistério que não havia sido conhecido em outras épocas (Efésios. 4:6; Colossenses 1:27). Tão rígido foi o exclusivismo farisaico que os gentios eram chamados imundos, comuns, pecadores dentre os gentios, e mesmo cães; e não era lícito a um judeu manter-se em companhia de ou possui qualquer negócio com os gentios (João 4:9, Atos 10:28, 11:3). Depois que um judeu ortodoxo mantivesse contato com gentios na praça do mercado, era considerado impuro (Marcos 7:4). Depois que Pedro pregou para Cornélio, o centurião romano, e os outros que estavam reunidos na casa dele, foi severamente repreendido pela Igreja em Jerusalém, e quase podemos ouvir o suspiro de espanto quando, depois de Pedro lhes dizer o que tinha acontecido, eles disseram: "Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida” (Atos 11:18), isto é, não a cada indivíduo no mundo, mas para os judeus e gentios. Utilizada neste sentido, a palavra "todos" não tem referência para os indivíduos, mas simplesmente para a humanidade em geral. 

Quando foi dito de João Batista que "Saíam a ter com ele toda a província da Judéia e todos os habitantes de Jerusalém; e, confessando os seus pecados" (Marcos 1:5), sabemos que nem todos os indivíduos reagiram dessa maneira. Lemos que, depois de Pedro e João curarem o coxo à porta do templo, "todos glorificavam a Deus pelo que acontecera" (Atos 4:21). Jesus disse aos seus discípulos que “todos odiarão vocês por serem meus seguidores” (Lucas 21:17). E quando Jesus disse: "E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo” (João 12:32), Ele certamente não queria dizer que cada indivíduo da humanidade seria atraído dessa maneira. O que ele queria dizer era que judeus e gentios, homens de todas as nações e raças, seriam atraídos para Ele. E isso é o que vemos que realmente está acontecendo. 

Em 1 Coríntios 15:22, lemos: "Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo". Este versículo é freqüentemente citado por Arminianos para provar a expiação ilimitada ou universal. Este verso é do famoso capítulo de Paulo sobre a ressurreição, e o contexto deixa claro que ele não está falando sobre a vida nesta era, seja ela física ou espiritual, mas sobre a vida a partir da ressurreição. Cristo é o primeiro a entrar na vida ressurreta, então, quando Ele vier, o Seu povo também entrará na sua vida de ressurreição. E o que Paulo diz é que, naquele momento, uma gloriosa vida ressurreta será uma realidade, e não para toda a humanidade, mas para todos aqueles que estão em Cristo. E esse ponto é ilustrado pelo tão conhecido fato de que a raça humana caiu em Adão, que atuou como seu cabeça federal e representante. O que Paulo realmente diz é que: "Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo”. O versículo 22, portanto, não se refere a algo passado, nem a algo presente, mas a algo no futuro, e não tem qualquer relevância especial sobre a controvérsia Arminiano-Calvinista. 

Dois outros versos, que também são freqüentemente citados em defesa do Arminianismo são "Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Apocalipse 3:20) e "... Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida" (Apocalipse 22:17). Este convite geral é estendido a todos os homens. Isto pode ser, e muitas vezes é, o meio que o Espírito Santo usa para despertar em certas pessoas o desejo de salvação quando Ele coloca em execução o Seu poder sobrenatural para regenerá-los. Mas estes versos, tomados por si só, não levam em consideração a verdade que já foi salientada neste artigo, de que o homem caído está morto espiritualmente, e que, como tal, ele é totalmente incapaz de responder ao convite, assim como são os anjos caídos ou demônios. O homem caído está tão morto espiritualmente quanto Lázaro estava morto fisicamente até que Jesus exclamou em alta voz: "Lázaro, vem para fora", e o fariseu Nicodemos: "se alguém não nascer de novo [ou do alto], não pode ver o reino de Deus "(João 3:3). E novamente, Ele disse aos fariseus: "Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra” (João 8:43). À parte dessa assistência divina, ninguém pode ouvir o convite ou ativar a vontade de vir a Cristo. 

A declaração de que Cristo morreu por "todos" fica mais clara na canção que os redimidos cantam diante do trono do Cordeiro: "porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação "(Ap 5:9). Muitas vezes a palavra "todos" deve ser entendida como todos os eleitos, toda a Sua Igreja, todos aqueles a quem o Pai deu ao Filho, como quando Cristo diz: "Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim” (João 6:37), mas não todos os homens universalmente e cada homem individualmente. A multidão de redimidos será composta de homens de todas as classes e condições de vida, de príncipes e camponeses, de ricos e pobres, escravos e livres, homens e mulheres, judeus e gentios, homens de todas as nações e raças. Esse é o verdadeiro universalismo da Escritura. 


Não deixe de ler os posts anteriores 1# Soberania de Deus - Fé Reformada , 2# A total incapacidade do homem e 3# Expiação em Cristo

Bem como o próximo, e último post da série: A Comparação dos Dois Sistemas

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