Assim terminam as orações cristãs. Orientação do próprio Jesus: "se vocês pedirem ao Pai alguma coisa em meu nome, ele lhes dará" (João 16.23). Há duas grandes novidades nesta expressão: vocês podem pedir, e devem pedir em meu nome, disse Jesus.

A possibilidade de pedirmos ao Pai alguma coisa é resultado da cruz, pois foi ali que Jesus concedeu crédito a todos os que creem. Até então, nenhum mortal poderia se atrever a pedir a Deus alguma coisa, pela simples razão de nem mesmo ter acesso a Deus: havia um véu entre Deus e os homens, a porta da sala do trono estava trancada e ninguém tinha como entrar para apresentar seus pedidos ao Deus Altíssimo. Deus ouvia apenas seu Filho, e todos os mortais viviam da misericórdia e graça de Deus em honra ao Filho intercessor desde antes da fundação do mundo (1Pedro 1.17-21; Apocalipse 13.8). O Filho sempre teve livre acesso a Deus, o Pai, mas os homens não. Somente após a morte de Cristo na cruz o acesso a Deus foi aberto a todos os homens: um novo e vivo caminho, através do véu rasgado (Hebreus 4.14-16; 10.19-22). Por esta razão Jesus diz aos seus discípulos: "até agora nada pediram em meu nome, e de agora em diante, eu não pedirei mais em favor de vocês, pois vocês mesmos podem pedir em nome" (João 16.24-27).

O que Jesus está dizendo é como se os homens não tivessem crédito no banco do céu, e dependessem de ofertas graciosas do filho do dono do banco. Mas um dia, o filho do dono do banco deu a todos os seus amigos status de irmãos, isto é, compartilhou sua própria conta e deu a todos um cartão e um talão de cheques. Daquele dia em diante, os amigos do filho do dono do banco poderiam sacar diretamente no banco do céu.

Assim como toda conta corrente, no banco do céu há também uma senha e um código. A senha é óbvia: o nome do filho do dono do banco. O código é um pouquinho mais complicado: os mandamentos do filho do dono do banco (João 15.7-10), os interesses do dono do banco, especialmente a relação de amor entre todos os correntistas do banco (João 15.16,17), e, principalmente, a honra do dono do banco e do filho do dono do banco (João 14.13; 15.8).

Orar é acessar as riquezas de Deus, não mais apenas como alvos da misericórdia e graça de seu Filho, Jesus, mas também como amigos (João 15.14,15), parceiros solidários (João 15.18-21) e cooperadores em sua obra de redenção (João 14.12-14). Através da oração Deus nos concede o privilégio de participarmos ativa e criativamente em seu propósito eterno. Enquanto calados, somos passivos beneficiários dos favores do céu. Quando ajoelhados, orando em nome de Jesus, somos administradores responsáveis das riquezas dos céus para benefício do maior número possível de pessoas. Orar é aventurar-se a sacar da conta de Jesus, para abençoar pessoas em nome de Jesus, para a glória do Pai de Jesus. Bendita a hora de oração.

Juliano Fabricio via

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