A honestidade é uma mercadoria tão preciosa que raramente é encontrada no mundo da igreja. A honestidade exige a sinceridade de admitir os apegos e as dependências que controlam a nossa atenção, dominam a nossa consciência e agem como falsos deuses. Posso ser tão viciado em vodka quanto em agradar os outros, tanto em maconha quanto em ser amado, tanto em jogo quanto em relacionamentos, tanto em futebol quanto em fofoca. Minha dependência pode ser de comida, atuação, dinheiro, popularidade, poder, vingança, leitura, televisão, tabaco, peso ou sucesso. Quando damos a qualquer coisa mais prioridade do que damos a Deus, cometemos idolatria. Portanto, todos cometemos idolatria incontáveis vezes ao dia.

Uma vez que aceitamos o evangelho da graça e buscamos nos livrarmos dos mecanismos de defesa e dos subterfúgios, a honestidade torna-se ao mesmo tempo mais difícil e mais importante. Agora a honestidade envolve a disposição de enfrentarmos a verdade a respeito do que somos, não importando quão ameaçadoras ou desagradáveis nossas percepções possam ser. Significa perseverar conosco e com Deus, discernindo nossos truques mentais pela experiência de como eles nos derrotam, reconhecendo nossas fugas, admitindo nossos lapsos, aprendendo de forma completa que não somos capazes de lidar conosco. Esse resoluto autoconfronto requer força e coragem. Não podemos usar o fracasso como desculpa para deixar de tentar.

Sem honestidade pessoal posso com facilidade criar uma imagem bastante impressionante de mim mesmo. A complacência tomará então o lugar do deleite em Deus. Muitos de nós não querem a verdade a respeito de nós mesmos; preferimos ter nossa virtude reafirmada, como mostra a seguinte ilustração. Um dia um pregador disse a um amigo:

— Acabamos de ter o maior avivamento que nossa igreja experimentou em muitos anos.

— Quantos novos membros vocês acrescentaram ao rol?

— Nenhum. Perdemos quinhentos.


Estar vivo é estar incompleto. E estar incompleto é carecer da graça. A honestidade nos mantém em contato com nossa carência e com a verdade de que somos pecadores salvos. Há uma belíssima transparência nos discípulos honestos que nunca usam uma máscara e não fingem ser nada além do que são.

Quando um homem ou mulher são verdadeiramente honestos (e não estão ainda apenas trabalhando nesse sentido), é virtualmente impossível insultá-los pessoalmente. Não resta nada ali para insultar. Aqueles de nós que estamos verdadeiramente prontos para o reino somos esse tipo de pessoas. Sua pobreza de espírito interior e sua rigorosa honestidade os libertaram. São gente que não tinha nada do que se orgulhar.

Houve a mulher pecadora do vilarejo que beijou os pés de Jesus. Houve liberdade em fazer aquilo. Desprezada como prostituta, ela aceitou, diante do Senhor, a verdade da sua flagrante condição de nada. Ela não tinha coisa alguma a perder. Ela amou muito porque muito lhe havia sido perdoado.

O assim chamado Bom Ladrão era terrorista que reconhecia receber recompensa justa pelos seus crimes. Ele também não tinha nada do que se orgulhar.

O Bom Samaritano, escolhido como modelo da compaixão cristã, era desprezado como herege de miscigenada ascendência pagã e judaica. Ele já era tão impuro que, ao contrário do sacerdote e do levita que passaram de largo com suas falsas espiritualidades, podia dar-se ao luxo de expressar o seu amor pelo homem ferido deixado ali para morrer.

Ser honestos conosco não nos torna inaceitáveis para Deus. A honestidade não nos distancia de Deus, mas nos leva de arrasto para ele — como nenhuma outra coisa consegue fazer — e nos deixa abertos de forma renovada para o fluir da graça. Embora Jesus chame cada um de nós para uma vida mais perfeita, não somos capazes de fazê-lo por nossos próprios esforços. Estar vivo é estar incompleto; estar incompleto é carecer da graça. E através da graça apenas que qualquer um de nós pode ousar esperar tornar-se mais como Cristo.

Obs: #desabafo# De tudo que tenho ouvido e visto sobre os atuais lideres midiaticos chego a uma conclusão: ...não consigo enxergar honestidade na maioria deles.


Juliano Fabricio

3 Comentários - AQUI:

  • Poxa, nem comentando no seu blog consigo te converter ao 'flamenguismo'?? kkkkkkk.. [essa palavra existe?].

    Obrigada por responder.
    Quando comentei sobre a 'acidez' dos textos, eu entendo sua extrema revolta com o falso cristianismo que tem se levantado. Como falei, as vezes também sou um pouco ácida nos meus textos, só comentei pq temos q cuidar, se não, ao invés de ficar clara a nossa revolta, tornamos obscuro o nosso real desejo de vivenciar/compartilhar o verdadeiro evangelho.
    É o caso do meu pai... Ele é tão sarcástico, tão ácido que nem eu tenho mais paciência de ouvir os comentários dele - mesmo sabendo que a maioria são verdadeiros. [e olha que tenho que me cuidar para não seguir o mesmo caminho].

    Evito escrever sobre essa 'era sinistra do evangelho', pq a íra sobe! Mas depois te mando o link de um dos textos que publiquei num jornal regional, que quase custou minha estadia na cidade!! rsrs... Moro em cidade pequena, escrevi contra os fariseus da alta classe, imagina o fuzuê que deu!! kkkkkk!! Nem posso fingir que não gostei!!! Na época eu ainda não tinha nem 18 anos, por isso, mesmo eu tendo assinado a matéria, até hoje, alguns culpam minha mãe de ter escrito, e outros, culpam meu pai, afinal, quem mais faria tanta questão de expor tão cruamente tal realidade?!?!

    A resposta é que somente o Espírito Santo pode fazer isso! Pq somente eu sei o quanto tentei fugir daquele texto, só eu sei o qnto prorroguei de escrevê-lo e o qnto hesitei em publicá-lo.

    Enfim, que Deus continue nos usando!

    Bjs

  • Conforme o prometido, um dos links. http://detudoumpouco-lolo.blogspot.com/2009/04/grande-meretriz.html

    Hj, relendo, nem sinto o mesmo peso, mas pra ocasião, caiu como uma bomba, pois condizia com a realidade local. Depois deste texto, pelo menos um pastor, que não atendia a uma determinada 'ovelha ferida' - até lhe virava a cara- eu soube, que voltou a procurar essa ovelha... Entendi nisso um sinal de arrependimento, como uma forma de Deus me mostrar que não havia sido em vão! Tenho outros textos, mas não lembro o título, rsrs... então eu mando quando encontrar!

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