ABRAÃO: O primeiro faraó

O governante egípcio cujo encontro com Abraão mostrou ser ocasião tão infeliz foi o primeiro a levar o nome de Faraó. Os reis que o sucederam foram nomeados a partir dele.

A origem do nome está ligada à vida e às aventuras de Rakyon, o Despossuído, um homem bonito, sábio e pobre que vivia na terra de Shinar. Encontrando-se incapaz de se sustentar em Shinar, Rakyon resolveu partir para o Egito, onde esperava exibir sua sabedoria diante do rei, Ashwerosh, filho de Anam. Quem sabe Rakyon encontrasse graça aos olhos do rei, e ele lhe desse a oportunidade de se sustentar e de tornar-se um grande homem. Quando chegou ao Egito ele descobriu que era costume do país que o rei vivesse retirado em se palácio, distante da vista do povo. Num único dia do ano ele aparecia em público, e recebia a todos que tinham alguma petição a submeter a ele.

Profundamente desapontado, Rakyon ficou sem saber o que fazer para ganhar a vida naquele país estranho. Foi obrigado a passar a noite numa ruína, faminto como estava. No dia seguinte decidiu tentar ganhar alguma coisa vendendo verduras, mas como não conhecia os costumes do país seu empreendimento não foi bem sucedido. Malfeitores o assaltaram, tomaram sua mercadoria e fizeram dele alvo de zombaria. Na segunda noite, que ele foi forçado a passar novamente na ruína, um plano astucioso foi amadurecendo em sua mente. Ele levantou-se, reuniu uma turma de trinta homens vigorosos e levou-os ao cemitério, onde ordenou-os, em nome do rei, a cobrar duzentas peças de prata por cada corpo que enterrassem; sem o pagamento nenhum enterro deveria ser realizado. Desse modo ele conseguiu acumular uma grande fortuna em oito meses; não apenas acumulou prata, ouro e pedras preciosas, mas anexou uma tropa considerável, armada e montada, à sua pessoa.

No dia em que o rei apareceu entre o povo, as pessoas começaram a reclamar dessa taxa sobre os mortos:

– O que é isso que o senhor está infligindo sobre seus servos: não permitir que ninguém seja enterrado sem que lhe seja pago prata e ouro? Eis algo que jamais aconteceu desde os dias de Adão: que os mortos não sejam enterrados a não ser mediante pagamento! Sabemos que é privilégio do rei tomar uma taxa anual dos vivos, mas o senhor toma tributo também dos mortos, e o faz dia após dia. Ah rei, isso não podemos mais suportar, pois por essa razão toda a cidade está arruinada.

O rei, que nada suspeitava dos feitos de Rakyon, foi tomado de grande fúria quando o povo lhe informou a respeito deles. Mandou que ele e sua tropa armada comparecessem diante dele.

Rakyon não veio de mãos vazias. Foi precedido por um milhar de rapazes e moças, montados em corcéis e trajando indumentárias riquíssimas; esses foram dados como presente ao rei. Quando ele mesmo apareceu diante do rei, Rakyon veio trazendo ouro, prata e diamantes em abundância, bem como um magnífico cavalho de batalha. Esses presentes e a exibição de pompa não deixaram de impressionar o rei, e quando Rakyon, em palavras bem estudadas e com toda persuasão, descreveu-lhe o empreendimento, conquistou não apenas o rei para o seu lado, mas com ele toda a corte. O rei lhe disse:

– De agora em diante você não será mais chamado Rakyon/Despossuído, mas Faraó/Mestre dos pagamentos, pois chegou a coletar taxas dos mortos.

Tão profunda foi a impressão produzida por Rakyon que o rei, os grandes e o povo decidiram de comum acordo colocar o governo do reino nas mãos de Faraó. Sob a suserania de Ashwerosh ele passou a administrar a lei e a justiça ao longo do ano; só no dia em que aparecia diante do povo o rei proferia julgamento e decidia casos. Por via do poder que lhe foi conferido e de estratagemas astuciosos, Faraó conseguiu usurpar a autoridade real, coletando impostos de todos os habitantes do Egito. Apesar disso era amado pelo povo, e foi decretado que todo governante do Egito traria dali em diante o nome de Faraó.

Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928. via
 

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