Rubem Alves diz que "Deus criou o Universo inteiro só para nele plantar um jardim". Deus sempre gostou de jardim. Sempre gostou de frutas. Observe demoradamente uma maçã, uma banana, um cacho de uvas, o vermelho delicado de um caqui, ou mesmo a complexidade majestosa de um abacaxi. Deus criou a arte das frutas. Você já parou para observar uma cebola? Plablo Neruda chegou a escrever um poema sobre ela: "rosa de água com escamas de cristal..."

Gosto de imaginar Deus sem as roupagens da religião. Deus apenas Deus. Sem cetros e coroas. Sem os relatórios tristes das divindades carrancudas. Deus menino. Como Alberto Caeiro, no "Guardador de rebanhos": "Num meio-dia de fim de primavera/Tive um sonho como uma fotografia/Vi Jesus Cristo descer à terra/Veio pela encosta de um monte/Tornado outra vez menino/A correr e a rolar-se pela erva/E a arrancar flores para as deitar fora/E a rir de modo a ouvir-se de longe".

Gosto de pensar no Deus que se alegra em minha alegria, não apenas no que dói em mim. Um Deus que ama ver minha paz. Não quero oferecer-lhe apenas sacrifícios, mas também meu sacro-ofício. Não somente lágrimas, como se em seu ambiente só existisse o cinza da tempestade, mas sim a minha gargalhada, para que em sua celestialidade feliz, eu também contribua um pouco.

Cada vez mais acredito menos no deus mesquinho das religiões. Esse "deus" que ama o sangue inocente das guerras. Que ama o martírio dos pobres nas filas injustas do país do jeitinho, um país onde poucos possuem milhões, mas milhares vivem de migalhas. Esse não é o Deus que conheço. O Deus do qual escrevo nessas linhas é aquele que passou seis dias criando e, resolveu parar, admirar e descansar - criança/artista que depois de brincar, deita e dorme o sono dos livres.

A religião tem um deus tão monstruoso que essas imagens que uso: criança, poeta, artista, acabam por suscitar a ira dos talibãs. Seu deus nada tem de alegre. É um monstro, feio, desagradável, tirano, vingativo, mediocre, lento para o bem. Esse não pode ser o Deus que as Escrituras fotografaram: o Deus andarilho que desceu só para que eu pudesse subir - e não apenas para essa coisa/outra chamada céu, mas para tudo que envolve a liberdade. Subo sempre que desço como ele fez.

Quero amar o Deus que é. Ele é livre dos complexos de ditador. Ele não tem poder sem amor - isso é possessão - tem poder e amor, muito mais amor que o poder que usa. Por isso tem também meu coração. 

Juliano Fabricio via

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