O homem que não vendeu a sua alma [A man for all seasons], vencedor do Oscar de 1966, o emocionante relato da fidelidade de um homem a si mesmo e a Cristo a todo custo. Thomas More, primeiro-ministro da Inglaterra, foi aprisionado na Torre de Londres por recusar-se a obedecer à Coroa. Ele é visitado por sua filha Meg, que implora que ele mude de idéia para salvar sua vida. More explica que, se jurasse lealdade a Henrique VII, estaria sendo infiel a sua consciência e traindo Jesus. 

Ela argumenta que não é culpa dele que o Estado seja em sua maior parte corrupto, e que se escolher sofrer por ele estará assumindo para si mesmo o papel de herói. O pai replica: "Meg, se vivêssemos num Estado em que a virtude fosse lucrativa, o bom senso nos faria bons e a ganância nos faria piedosos. E viveríamos como animais ou anjos na feliz terra que não carece de heróis. Mas já que normalmente vemos a avareza, a ira, a inveja, o orgulho, a preguiça, a luxúria e a estupidez rendendo muito mais do que a humildade, a castidade, a bravura, a justiça e a ponderação, e temos de escolher ser humanos de todo, talvez devamos então perseverar um pouquinho, mesmo ao risco de nos tornarmos heróis". 

Em 1535, More foi para o patíbulo alegremente na liberdade de rei do homem cristão. Ele orou brevemente pela misericórdia de Deus, abraçou seu executor — que implorou perdão —, confessou sua fé cristã e conclamou os presentes a orarem pelo rei, dizendo que morria "bom servo do rei, mas de Deus em primeiro lugar". Suas últimas palavras foram uma piada sobre sua barba, que ele dispôs sobre o cadafalso de modo que não fosse cortada, já que sua barba pelo menos não era culpada de traição. 

Thomas More, homem do mundo vestindo trajes seculares, vivendo numa cidade secular e cercado por família, posses e pelas obrigações da vida pública, foi fiel. Não porque era livre de falhas e pecados; ele os tinha, como todos nós, e confessou-os muitas vezes antes de morrer. Mas com todas as suas fraquezas e falhas ele fez a escolha radical de ser verdadeiro consigo mesmo e com seu Cristo no supremo teste do martírio. 

Em 1929, G. K. Chesterton vaticinou: "Sir Thomas More é mais importante neste momento do que em qualquer outro momento desde sua morte, talvez ate mais do que no grande momento de sua morte; mas não é tão importante agora quanto será daqui a cem anos". Sua vida é uma declaração atemporal — é possível viver-se neste mundo de forma sóbria, honesta, não fanática, não pietista, séria e ao mesmo tempo jubilosa: fiel. Qual é a mensagem da vida desse homem? Faça uma escolha radical na fé, a despeito de toda a sua pecaminosidade, e sustente-a ao longo da vida diária por Cristo, o Senhor, e seu reino. 

Os cristãos maduros que conheci ao longo do caminho são aqueles que falharam e aprenderam a viver de forma graciosa com seu fracasso. A fé requer a coragem de arriscar tudo em Jesus, a disposição de continuar crescendo e a prontidão de arriscar o fracasso ao longo de toda a nossa vida. O que querem dizer essas coisas, especificamente? 

Arriscar tudo em Jesus: o evangelho de Jesus afirma que não temos como perder, porque não temos nada a perder. A fidelidade a Jesus implica que com todos os nossos pecados, cicatrizes e inseguranças, mantemo-nos em pé diante dele; que somos formados e informados pela sua Palavra; que reconhecemos que o aborto e as armas nucleares são duas faces da mesma moeda cunhada no inferno; que tomamos partido ao lado do Príncipe da Paz e recusamo-nos a nos ajoelhar diante do altar da segurança nacional; que somos um povo de Deus doador de vida e não negociador de morte; que vivemos sob o signo da cruz e não sob o signo da bomba. 

A disposição de continuar crescendo: a infidelidade é uma recusa a tornar-se, uma rejeição da graça (graça inativa é uma ilusão) e uma recusa a sermos nós mesmos. Há muito tempo li uma oração composta por um senhor já de uma idade bem avançada, ela dizia assim: 

A juventude não é um período de tempo. E um estado de espírito, um resultado da vontade, uma qualidade da imaginação, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto pela aventura sobre o amor ao conforto. Um homem não precisa ficar velho porque viveu um determinado número de anos. Os anos podem enrugar a sua pele, mas o desertar dos ideais enruga a alma. As preocupações, os medos, as dúvidas e o desespero são os inimigos que devagar nos fazem prostrar em direção à terra e transformam-nos em poeira antes da morte. A sua vontade permanece jovem enquanto você está aberto para o que é belo, bom e grande; receptivo para as mensagens de outros homens e mulheres, da natureza e de Deus. Se um dia você se tornar amargo, pessimista e consumido pelo desespero, Deus tenha piedade da sua alma de velho. 

Juliano Fabricio

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