Devemos repensar continuamente nossas imagens de Deus e em caráter de urgência pensá-lo também para hoje, pois, muitos cristãos estão sendo acometidos por uma peste pós-moderna, diagnosticada por crise existencial, gerada por tal religiosidade e nomeada de desgraça.
Diante das supostas conversões a esse “cristianismo” constata-se a existência de um Deus nada gracioso. O fundamentalismo hipócrita conduz o fiel ao que podemos chamar de vazio ou abismo existencial.

Confesso que como muitos tentei segui-los em minha “santa” ingenuidade, mas não consegui, o peso dessa religiosidade foi o basta, tornando-me mais um no meio de muitos, pois, a peste que se alastrou em determinados templos abriu-me os olhos para perceber o quanto sou avesso a essa teologia (vazia) e até a esse deus (desgraçado = ausência de Graça) que durante muito tempo me faz carregar uma cruz que não deveria ser minha, cansei como muitos na tentativa de ser o que tais sacerdotes queriam que eu fosse (um “santo hipócrita”).

A experiência do abismo existencial existente na minha alma proporcionou-me uma experiência concreta da desgraça, tornei-me “ATEU CONVICTO”. Pois foi através dessa teologia hipócrita onde esse deus não passa de uma criação (projeção) gerada nas vontades humanas (só Freud explica), que barganha com os seus, que é um ser extremamente materialista e ambicioso, que me condena simplesmente por ser quem eu sou e que não possui a capacidade de mudar uma vírgula da minha vida, fez de mim um cético.

Hoje os templos são outros (é isso mesmo, templos). Ao ligarmos as nossas TV´s durante as madrugas, nos damos conta de um mercado religioso dos movimentos pentecostais, mercado esse que nos deixa estarrecidos diante de propostas ousadas e muitas vezes absurdas.

Estava passeando pela TV quando dei com um culto da Igreja Mundial do poder de Deus. Teria rapidamente mudado de canal se não tivesse acabado de ler o interessante livro de Ronaldo de Almeida, “A Igreja Universal e seus Demônios – Um Estudo Etnográfico” [ed. Terceiro Nome, 152 págs.], que me abriu os olhos para o lado especificamente religioso dos movimentos pentecostais. Até então, via neles sobretudo superstição, ignorando o sentido transcendente dessas práticas religiosas. No culto da TV, o pastor simplesmente anunciou que, dado o aumento das despesas da igreja, no próximo mês, o dízimo subia de 10% para 20%. Em seguida, começou a interpelar os crentes para ver quem iria doar R$ 1.000, R$ 500 e assim foi descendo até chegar a R$ 1.

Com as teologias da prosperidade e todas as mazelas do pós-modernismo teológico, o cristianismo tem se tornado uma desgraça para muitos. Infelizmente o deus que se apresenta em shows Cristãos, é um ser extremamente vingativo, ambicioso, interesseiro, apresenta-se como bondoso no momento em que sua criação corresponde com as expectativas (teologias da prosperidade), tornando-se a imagem e semelhança do próprio homem.

Segundo o filósofo Friedrich Nietzsche “Deus está morto. Deus permanece morto. E nós o matamos. Como poderemos nós, os assassinos entre os assassinos, nos consolarmos? O que foi mais santo e poderoso de tudo que este mundo jamais possuiu sangrou até à morte sob nossas facas. Quem removerá este sangue de nós? Com que água nos purificaremos?” A idéia da morte de Deus certamente tem implicações para todos as áreas da vida. Como acertadamente afirmou o escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881): “Se Deus não existe, tudo é permitido”.

Pois com a “morte de Deus” o homem achou ter assumido o posto de criador de todas as coisas, de ter dominado completamente a ciência, a religião e até mesmo o mundo. Pensou ter possuído o conhecimento sobre todas as coisas, inclusive achando-se no direito de velar e enterrar o seu criador, achou ter dominado a ética e a moral, o bem e o mal. Não é bem o que podemos perceber atualmente, pois, durante o processo de modernização e de secularização o homem pensou dominar a vida e a existência humana.

Ó graça momentânea dos homens mortais, que nós procuramos mais do que a graça de Deus. Shakespeare, Ricardo III

Conheci a graça não através dessa teologia pós-moderna, mas através do amor, da kénosis divina, pregada por um Jesus mais humano. Conheci um Jesus que vai muito além das expectativas humanas, que se compadece com a crise existencial de toda humanidade, nunca lançando a sua criação num abismo de onde não possa tirá-lo.

A graça significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais – nenhuma quantidade de renuncia, nenhuma quantidade de conhecimento recebido em seminários, faculdades de teologia, nenhuma quantidade de cruzadas em benefícios de causas justas, a graça significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar menos – nenhuma quantidade de racismo ou orgulho, pornografia ou adultério, ou até mesmo homicídio. A graça significa que Deus já nos ama tanto quanto é possível um Deus infinito nos amar. Deus ama principalmente o mais desgraçado dos homens.

Eugene Peterson traça um contraste entre Agostinho e Pelágio, dois oponentes teológicos do século IV. Pelágio era educado, convincente e todos gostavam dele. Agostinho desperdiçou sua juventude na imoralidade, tinha um estranho relacionamento com sua mãe e fez muitos inimigos. Mas Agostinho conheceu a graça de Deus e acertou, enquanto Pelágio partiu dos esforços humanos e errou. Agostinho buscou apaixonadamente a Deus; Pelágio trabalhou metodicamente para agradar a Deus. Peterson continua dizendo que os cristãos tendem a ser agostinianos na teoria e pelagianos na prática. Trabalham obsessivamente para agradar outras pessoas e até mesmo a Deus.

O caminho que percorro atualmente é o de estudar o campo das Ciências da Religião, na expectativa de conhecer e aprofundar-me nas diversas formas de compreender o sagrado, desmontando o quebra-cabeça dos conceitos universais e intocáveis que até então me foram apresentados, para depois remontá-los com outra perspectiva, como nos ensina muito bem o Teólogo e Filósofo Leonardo Boff, “todo pondo de vista é a vista de um ponto”.

As grandes Religiões da humanidade necessitam conhecer um Deus mais humano, que batalha sempre em prol da humanização do homem, de um Deus para hoje, pois, o cuidado de Deus com o ser humano é o que podemos chamar de expressão mais sublime da religiosidade. Cada sociedade tem o Deus que merece, assim como afirmou Queiruga (1998, p. 11), “dize-me como é teu Deus, e dir-te-ei como é tua visão de mundo; dize-me como é tua visão do mundo, e dir-te-ei como é teu Deus”.

Adaptado por Juliano Fabricio via (http://carmarvieira.com.br/?p=47)

1 Comentários - AQUI:

  • EU SERIA CRISTÃO SE OS CRISTÃOS O FOSSEM 24 HORAS POR DIA. MAHATMA GANDHI

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