Já tem algum tempo que venho demonstrando determinantemente minha aversão ao capitalismo. Talvez isso faça de mim um idealista ou um anarquista – e sempre uso essas palavras no bom sentido, pode ser, mas nem sempre o bastante para andar nos caminhos que aponto. Covarde, talvez você tenha dito. Talvez! A questão é que diante de obsessivas observações tenho muito a dizer, e minha vaidade não me deixa ficar calado.

O Evangelho me abre os olhos para um tipo de relação totalmente oposto a esse que temos vivido. Ou seja, a proposta do Evangelho não é só diferente, mas também é antagônica à sugestão do capitalismo. O primeiro prega que o desprendimento de bens materiais além de ser uma virtude leva a um estado de paz que transcende o natural.

Felizes são vocês, pobres, porque o reino de Deus pertence a vocês. Felizes são vocês, que agora passam fome, porque serão satisfeitos. (Lucas 6.20-21)

De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos. Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Algumas pessoas por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram com muito sofrimento. (1 Timóteo 6.6-10)

Jesus de Nazaré foi o principal patrocinador desse conceito, articulando poética e subversivamente para não acumularmos tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem (Mt 6.19); para não nos preocuparmos com a vida, quanto ao que comer ou beber (Mt 6.25); que abençoado não é quem tem é quem é (Mt 5.3-9). Com isso, Jesus chama de tolo o empreendedor arrojado que vive para amontoar e nada desfruta daquilo que tem.

O capitalismo por outro lado, vende continuamente aos pobres a possibilidade de se tornarem ricos. Mas, se enganam aqueles que acham que o capitalismo se aplica somente ao mercado corporativo. Hoje ele é um sistema universal e predominante, regido por aqueles que se instituíram os cabeças, e na verdade só eles se favorecem desfrutando de mais de 80% dos benefícios do nosso planeta. São aproximadamente 7 bilhões de pessoas no nosso planeta, e apenas um quinto disso tudo come do bom e do melhor. Os outros economizam no sentido literal da palavra, fora os que perecem por falta de alimentos, doenças e da descomedida violência que nos assola.

O sistema capitalista conseguiu fabricar um novo tipo de homem e mulher, determinando assim seu estilo de vida e relacionamento, não só com o próximo, mas, com tudo ao seu redor. Somos manipulados pelo mercado, pela mídia e pelo governo, o qual elabora métodos próprios de construção coletiva da subjetividade humana. No mercado somos tratados como seres impessoais, como máquinas, notados por aquilo que produzimos e não pelo que somos, nos coagindo a produzir obsessivamente mais do que ganhamos, fazendo-nos entrar num círculo de estagnação indigesta. 
A mídia, ( em todos os sentidos como, p. ex., jornal, rádio, televisão, cinema, outdoor, página impressa, propaganda, mala-direta, balão inflável, anúncio em site da Internet, etc.), com suas façanhas de marketing, nos incita a serem consumidores alienados e compulsivos. Somos manejados diariamente – por novelas, filmes e Big Brother – a comprar aquilo que não queremos e também não precisamos. Haja vista que muitos estão caindo na real, a mídia apela agora para publicidades infantis pegando pesado para os pequeninos comprarem. Segundo reportagens na revista Galileu 83% das crianças brasileiras são influenciadas pela publicidade, sendo que 72% por produtos com personagens famosos, 38% por brindes e jogos e 35% por embalagens coloridas e atrativas. Isso faz com que 80% das decisões de compra de uma família brasileira estão na mão das crianças. Foi-nos inserido a ilusão de que só somos felizes e que a vida não tem sentido se não vier acompanhado de insígnias de posses, status, consumos de bens, etc., ou seja, na nossa sociedade é aquele que tem. E quando eu digo sociedade me refiro também a qualquer e toda instituição eclesiástica.

E o governo? A cada dia mais hipócrita. Com vozes que não passam de homílias supostamente honoríficas. Com promessas que jamais poderão cumprir enquanto vivermos alicerçados em um sistema que se resume em uma máquina de moer gente. Vivemos uma pseudo democracia, onde o povo só tem voz na hora de votar. A corrupção só aumenta contraditoriamente com o acrescentamento de evangélicos inseridos no meio político (Que coisa não!).

A mensagem subversiva de Jesus me instiga massivamente a andar no caminho oposto desse negócio todo. Quero viver sem me vender, caminhar sem ser escravo da máquina porque como disse alhures, eu não sou prisioneiro dos deuses, eu não sou prisioneiro de ninguém; eu sou escravo de Jesus Cristo, e paradoxalmente ser escravo de Jesus Cristo, é andar na liberdade.

Juliano Fabricio via

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