Quando eu disse na postagem anterior que a mensagem da Teologia da Prosperidade Megalomaníaca (TPM) dá resultados e que ela é eficiente mas apenas em parte, eu estava levando em consideração aos inúmeros decepcionados que surgem dia após dia no cenário religioso em que esta ideologia é pregada. Isso porque, se no caso mencionado no primeiro texto o camarada citado consegue se reerguer da crise que enfrentava, uma grande maioria não tem a mesma sorte. E é isso que vamos abordar agora. Qual o motivo?

Bem, como já afirmei, o êxito da mensagem da Teologia da Prosperidade não é resultante de milagre algum. É na verdade uma conseqüência lógica de um processo de ação e reação; um sujeito com determinado nível de vida está em crise, quando decide ingressar a um grupo religioso que dá ênfase exacerbada em palestras de motivação e sucesso.

Ora, esse indivíduo, ainda que em crise, desfruta (ou já desfrutou) de condições e de uma qualidade de vida distintas da grande massa que freqüenta tais grupos religiosos. Trocando tudo em miúdos (para melhor exclarecer), podemos dizer sem mais delongas que há dois tipos de pessoas que buscam solução para seus problemas financeiros nas “igrejas da prosperidade”: aquelas pessoas que advém da classe média e alta e aqueles que são realmente pobres.

O primeiro grupo, com um pouco da disciplina instigada pelos “pastores”, e com esforço, garra e muita força de vontade (e não raras vezes algumas pitadas de ganância), conseguirão se reerguer de suas más condições. Tudo em conformidade com o que anteriormente já foi dito na postagem abaixo. E isso se dá justamente porque, estando em más condições, eles ainda estão em uma situação mais favorável que os verdadeiramente pobres. Geralmente têm estudo, profissão definida, capital, são proprietários de bens e empresas.

Agora tratemos daquele sofrido trabalhador que vende algodões-doces na feira de domingo. Ele mora num bairro periférico, não tem estudo, não tem profissão definida, durante a semana cata latinhas para a reciclagem e tem vários filhos para sustentar. Ele também se alegra e fica muito empolgado quando os “pastores da prosperidade” anunciam que Deus pode fazer com ele o que fez com Davi e outros personagens bíblicos.

Durante os dias da semana, segundo as instruções que recebeu no culto de domingo, sai repetindo frases como: “Agora no campo, amanhã no trono!” Isso em alusão à obra de Deus na vida de Davi, tirando-o do serviço de pastor de ovelhas para ser o rei de Israel.

Vamos ser lógicos e respeitar o bom-senso: esse cara só vai ser rico no dia de São Nunca.

Puxa, parece pessimista demais, e você muito possivelmente deve conhecer alguém que saiu de condições piores que esta e se tornou razoavelmente bem de vida, influente e cheio de sucesso profissional. Não duvido que tal coisa possa acontecer. Mas é fato que ocorre com um entre mil. É coisa rara.

Para não dizer que falo do que não sei. Posso dizer que tenho alguns dentre os meus familiares que muito já se iludiram com estas falsas esperanças. E não se enriqueceram. Muito pelo contrário, tornando-se consumistas, não conseguem acumular bens. Não agem de forma previdente com suas finanças e não tem garantias para o futuro. Ora, normal! Sim, muito normal para quem faz parte dos discípulos da Teologia da Prosperidade.

Não se enriquecem, mas assim como todos os adeptos dessa mensagem, tornaram-se megalomaníacos, triunfalistas e consumistas natos. Em suas bocas não raras vezes estão os discursos sensacionalistas vomitados diretamente dos templos e dos programas de TV das empresas da fé.

Não estou afirmando com estas palavras que não acredito na possibilidade de ascensão social, de que qualquer um pode alcançar êxitos com a força de seu trabalho e inteligência. Não é isso! Apenas estou alertando para a sedução perversa do discurso manipulador dos “profetas” da prosperidade megalomaníaca.

E mais, digo o que digo porque, dentre outras coisas, sei que Jesus não se comprometeu em tornar-nos ricos; muito pelo contrário, sempre sugeriu que, para servirmos a ele, deveríamos nos fazer pobres. Incitou-nos a compartilhar tudo o que temos, a fim de que nada seja tido apenas por nosso, mas sim de todos.

Enfim, essa TPM definitivamente não pega em pobre...

Juliano Fabricio Via
 

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