Livro conta como a ditadura matou

O livro "Memórias de uma Guerra Suja", lançado recentemente pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, deverá servir de subsídio para a Comissão da Verdade, criada para esclarecer as violações de direitos humanos nos anos da ditadura militar. A publicação revela os bastidores de uma parte do trabalho de combate e destruição da esquerda brasileira durante os anos 1970 e início dos 1980.

No livro, o policial Cláudio Guerra, ex-delegado do Dops do Espírito Santo, conta como o governo federal autorizou a matança de militantes de esquerda no Brasil e, após os crimes, de que forma os militares decidira dar sumiço nos corpos das vítimas. O texto já está sendo usado, inclusive, pelo Ministério Público Federal, que investiga quatro das mortes relatadas no livro.

Narrado em primeira pessoa, Cláudio Guerra diz ser o responsável pelo desaparecimento de dez participantes da luta armada, cujos corpos incinerou nos fornos de uma usina de açúcar. Apesar do seu nome não estar em nenhuma das listas de agentes torturadores, feitas pelas organizações de esquerda, Guerra conta que em nome das Forças Armadas tinha a missão de matar opositores. Ele revela que os corpos, na maior parte das vezes, eram incinerados em locais previamente definidos.

No livro, o ex-agente do Dops afirma ainda que um desses locais era a Usina Cambahyba, em Campos, Rio de Janeiro. Ali teriam sido incinerados pelo menos dez corpos de militantes políticos de esquerda.

CP

 
Marinho teria simulado atentado

De acordo com o delegado Cláudio Guerra, ex-agente do Dops do Espírito Santo, hoje com 71 anos, a decisão de usar os fornos foi tomada por ele e pelo coronel da Cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que trabalhava para o Serviço Nacional de Informação (SNI), e o comandante da Marinha Antônio Vieira, do Centro de Informação da Marinha (Cenimar). Os dois aprovaram a ideia e passaram a usar o local para "sumir com os corpos", uma vez que os "cemitérios" utilizados até então começavam a levantar suspeitas.

O ex-agente do Dops afirma também que Roberto Marinho, dono da Rede Globo, já falecido, planejou um atentado contra si mesmo para disfarçar as suspeitas que recaíam sobre as suas publicações. Guerra conta ainda que se disfarçou de padre para tentar assassinar o governador Leonel Brizola, um dos líderes da resistência contra a ditadura militar. O disfarce era uma estratégia para responsabilizar a Igreja Católica pelo atentado.

Na época, Brizola sofreu uma tentativa de assassinato no Hotel Everest, no Rio de Janeiro, em janeiro de 1980, quatro meses depois de chegar do exílio.

Por tudo o que revela o livro do ex-agente do Dops, que será lançado nos próximos dias em todo o país, deverá gerar forte polêmica, pois se trata da confissão de um membro da Polícia política da ditadura militar, que afirma querer agora ajudar as famílias às quais causou forte sofrimento na época.

CP
 

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