Os Poetas e Repentistas são, não raro – e este é bem um caso elucidativo! – uma espécie de radares privilegiados ou uma antena com alto potencial perceptivo. Captam com rara felicidade os sinais que circulam pelo espaço social. Com sentidos aguçados, não tardam em captar sinais de contradição espalhados em nossa realidade social, econômica, politica, cultural, religiosa. Desta faixa de um seus CDs, houve por bem selecionar três das estrofes encimadas pelo mote instigante: “No comércio da fé Jesus não passa / De um produto vendido à prestação”. 

Mesmo sabendo que não se trata de um fenômeno novo – a exploração religiosa, como se sabe, remonta a séculos em nossa conturbada história -, não há negar que o acelerado processo de globalização também se traduz por meio de valores religiosos. A chamada “teologia da prosperidade”, tão ao gosto das recentes expressões neopentecostais (alguns preferem chamar “pós-pentecostais”) constitui um exemplo paradigmático. Situação agravada em conjunturas de crise sócio-econômica, ocasião em que se fazem mais fortes e mais freqüentes os apelos à divindade, no sentido de socorrer milagrosamente desempregados, endividados, enfermos graves, lares desintegrados. Quase tudo passa do terreno das possibilidades humanas para o campo da segurança exclusive em Deus. Transfere-se para Deus tudo o que, antes, era da alçada dos homens. 

Nesse contexto, a tendência dominante é de abusar do recurso aos milagres e às magias, “em nome de Deus”. Bateu desemprego na família? Vamos apelar a Deus, trazendo a Carteira de Trabalho para ser abençoada, e fazer tornar a situação de emprego. O mesmo se estende a outros desafios. 

Não se restringe a apelar para Deus, mas também cuida de extrair vantagens. Abusa-se da recomendação ao pagamento de dízimo, de ofertas generosas, como condição explícita ou implícita de reação de Deus aos apelos formulados pela vítimas, com a mediação de pastores e padres…

Eis o clima propício para a ocorrência do relato poético dos Repentistas: 

Os pastores e padres são isentos
De despesas com carro, casa e feira
Os fiéis são quem tira da carteira
As despesas e os gastos dos aumentos
Para Deus tem até 0800
Custa quatro reais a ligação
Eles chamam isso tudo louvação
Mas eu chamo isso tudo de trapaça
No comércio da fé Jesus não passa
De um produto vendido à prestação 

(…) 

Sei que a Bíblia em CD está gravaada
E que Cid Morieira as cifras soma
A Capala Cistina lá em Roma
Quem quer ver são dez dólares a entrada
21
Hoje, toda cidade é explorada
Por novena, por missa e e procissão
Vendem até o rosário de oração
Crucifixo, água benta, blusa e tassa
No comércio da fé, Jesus não passa
De um produto vendido à prestação 

(,,,) 

Sei que a seita dos Mórmãos quantifica
Quem dá mais é quem consta do arquivo
A Presbítera tem cunho lucrativo
Renascer muito atrás também não fica
A Igreja Católica é a mais rica
Mas as outras igrejas também são
Não aceitam fazer a divisão
Essa hipótese a Igreja não abraça
No comércio da fé, Jesus não passa
De um produto vendido à prestação 

(Do CD recolhendo os melhores momentos do I Grande Encontro de Poetas e Repentistas do Nordeste, realizado em João Pessoa, em abril e maio de 1999) 

Inscritas igualmente no padrão clássico das décimas, as estrofes seguem as características comuns de um “martelo agalopado”: estrofes de dez linhas, cada verso contendo dez sílabas, acentuadas na terceira, na sexta e na décima. Mesmo padrão de rima (ABBAACCDDC). 

Convém destacar a criatividade do mote, quanto à força dos argumentos e ao seu caráter didático, ao alcance das pessoas comuns. Há de se destacar, ainda, a imaginação dos autores, quando se trata de fazer analogias criativas entre as práticas religiosas dominantes e o espírito de mercado que as impregna.

Juliano Fabricio via

1 Comentários - AQUI:

  • Antes de existir,evangélicos,apóstolos,judeus,templos,igrejas,Moisés,leis de Moisés,levitas e leis dos levitas.,leis carnais,leis espirituais,leis da graça,leis da desgraça,e leis sem graça,os dízimos já existiam,eles eram repartidos e distribuídos diretamente em mãos dos necessitados caldeus,babilônicos,confederados de abraão,sodomitas,etc.Havia celeiros e câmaras de depósitos para armazenar dízimos de diversos grãos alimentícios para os necessitados se alimentarem no pátio dos templos dos primeiros fiéis dizimistas da bíblia.Melquisedeque distribuiu dízimos e recebeu dízimos de Abraã,Isso serve de exemplos para todos os pastores e evangélicos dizimistas,mas a maioria deles preferem concordar apenas com os seus pastores.
    Depois de 2 mil anos após Abraão ter recebido e dado e compartilhado dízimos com melquisedeque e seus servos babilônicos,etc Deus determinou que o sumo-sacerdote Arão o levita deveria receber a contribuição dos israelitas para a tesouraria pagar as despezas pelos serviços dos sacerdotes,porteiros,cantores,etc Essa contribuição de décimo dos dízimos ou dízimo dos dízimos,que sempre foi e será suficiente e perfeita para todas as despezas das igrejas atuais,assim como foi o azeite da viúva de serepta,que o profeta Elias multiplicou pela determinação do perfeito e sempterno Deus.
    Leia 1ªsamuel 2:13-16:“O costume daqueles sacerdotes com o povo era que,oferecendo alguém algum sacrifício,estando-se cozendo a carne,vinha o moço do sacerdote,com um garfo de três dentes em sua mão;E enfiava-o na caldeira,ou na panela,ou no caldeirão,ou na marmita;e tudo quanto o garfo tirava,O SACERDOTE TOMAVA PARA SI;assim faziam a todo o Israel que ia ali a Siló. Também o moço do sacerdote dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote;porque não receberá de ti carne cozida,mas crua.E,dizendo-lhe o homem:Queime-se primeiro a gordura de hoje,e depois toma para ti quanto desejar a tua alma,então ele lhe dizia:Não,agora a hás de dar,e,senão,por força a tomarei”.
    O sacerdote Tobias,fez uma câmara particular para desviar dízimos para ele,então foi expulso pelo sacerdote Neemias,que mandou limpar e preparar as câmaras e celeiros de dízimos para alimentar os fiéis e necessitados,por isso então todo o Judá voltou a trazer dízimos do grão aos celeiros.Neemias 13:9,12(Mateus 21:12) Siga esse exemplo.
    A bíblia afirma que os sacerdotes tem direito a receber apenas o que Deus ordenou como pagamento para os sacerdotes,em sua própria palavra que jamais passará.O dízimo dos dízimos é o que Deus determinou para pagamento dos líderes espirituais,pelos serviços que prestam ao altar na obra de Deus.O problema é que a maioria dos pastores ficaram ricos,porque os dizimistas e ofertantes,não seguem os princípios bíblicos em relaçãos aos dízimos e ofertas,porque eles tem medo de repartir os dízimos e as ofertas com os necessitados e tirar a “parte santa” correspondente à décima parte para a casa do tesouro.
    Os próprios dizimistas devem separar a parte do altar e entregar a outra parte aos necessitados,orfãos e viuvas desamparadas,porque cada vez que um dizimista ou ofertante dizimar segundo o exemplo dos primeiros dizimistas e ofertantes,os anjos do Senhor Jesus,testemunharãoe anotarão os nomes desses justos ofertantes e corretos dizimista.
    É necessário controlar a boca dos egoístas milionários gafanhotos devoradores de dízimo. É preciso cobrar coerência com a vontade de Deus e mais justiça social,auditoria fiscal e dar o devido direito aos fiéis e seus parentes,e familiares necessitados para que recebam as bênçãos de Deus,nos dízimos.Deus não precisa de prognósticos de pastores para fazer os seus fiéis entender e cumprir a sua vontade.Deus espera há dois mil anos que os órfãos e necessitados saibam que Ele os ama e que pensou em cada um necessitado quando criou os dízimos.

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Gênesis 14 Genesis 26 números 18 Neemias 13 1ªSamuel 2 Malaquias 3 S.Lucas 18 Hebreus 7,etc

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