Por Paulo Júnior 

“Façamos o homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança”. 

Esta é, sem dúvida, uma das declarações mais conhecidas da Bíblia a respeito da origem e criação do homem. Fica claro que Deus estava gerando uma imagem de Si mesmo que nos possibilitaria Conhecê-lo como Ele, de fato, é. Uma expressão visível e encarnada de Seus atributos invisíveis. Alguém que estaria apto a conhecer a Deus e se relacionar com Ele, a ponto de partilhar e testemunhar Suas Virtudes. 

Sendo assim, Deus fez um homem que tivesse olhos que pudessem ver; boca que pudesse dizer; ouvidos que pudessem ouvir; mãos que pudessem tocar; pés que pudessem andar. Condições e capacidades que nos dariam a perspectiva de poder saber como é o Deus que fez o homem. 

O nosso verdadeiro Deus, Aquele que nos fez, é o Deus que se relaciona conosco nessa condição íntima e tangível. Podemos sentir o toque de Suas mãos a consolar nosso coração, podemos ouvir Sua voz a nos revelar segredos e nos indicar a direção, podemos seguir o Caminho que Ele nos revela e ter a certeza de que Ele segue conosco; sabendo do fundo do nosso coração que Ele nos ouve e, mais do que isso, entende exatamente o que estamos falando, sem que tenhamos que nos perder em explicações. Ter a certeza de que toda a nossa realidade, mesmo a mais íntima e secreta, está revelada diante Dele, e que não há nada que possa ficar oculto aos Seus olhos. 

Em cada um dos nossos sentidos e capacidades estava uma mensagem de como é o nosso Deus e de como Ele poderia ser conhecido e revelado aos outros. Na forma como somos ouvidos por Ele poderíamos nos dedicar a ouvir os outros, tocados por Ele tocaríamos os outros, instruídos por Sua voz nos empenharíamos em instruir os outros; nos disporíamos a caminhar ao lado deles em suas jornadas e travessias. Para que, assim como nossos olhos foram iluminados pelo Seu Amor, sejamos sensíveis para perceber e reconhecer quem está diante de nós, independentemente do seu tamanho, brilho, cor ou aparência. 

Ao longo do tempo as pessoas foram deixando de conhecer a Deus através do que Ele mesmo se encarregou de providenciar como imagem e expressão de Si. A questão principal do coração do homem deixou de ser o conhecimento de Deus nas relações, para se tornar uma busca cega por uma forma de controlar o poder e as ações de Deus, colocando-o a serviço dos nossos interesses e necessidades. A vaidade e a cobiça foram, progressivamente, ocupando o lugar do Amor nos corações. A espiritualidade passou a se dedicar mais em saber como controlar Deus, do que em conhecê-lo. 

Os olhos passaram a enxergar só o que é visível e desejável, e deixaram de ver o que é invisível e requer nossa atenção. As mãos passaram a se ocupar daquilo que podemos tomar, e deixaram de ser usadas para o que podemos oferecer. Os ouvidos passaram a escutar só o que nos interessa ou que nos agrada, e deixaram de ouvir o que interessa aos outros. Os pés passaram a correr pela necessidade de sermos os primeiros a chegar, e deixaram de caminhar pacientes pelo simples prazer de acompanhar. As bocas passaram a falar para convencer, e deixaram de dizer o que podiam ensinar. 

Foi assim que alguns olhos continuaram a enxergar, mas já não conseguem ver; ouvidos continuaram a escutar, mas já não podem ouvir; mãos continuaram a pegar, mas já não sabem mais tocar; pés conseguem correr longas distâncias, mas sem percorrer nenhum caminho; e as bocas têm muito para falar, mas tão pouco a dizer. 

Na sua confusão de alma, o homem decidiu fazer para si imagens de divinas que pudessem representar sua devoção e necessidade espirituais. Ao fazê-las, fez segundo ele mesmo. Assim, o homem criou deuses que têm pés, mas não andam; têm mãos, mas não tocam; têm olhos, mas não veem; têm boca, mas não falam. Deuses que são como aqueles que os fizeram. Seus adoradores mostram o quanto são apaixonados, devotados, obstinados, enquanto se reúnem em torno de suas crenças e suas imagens, dedicados e atentos aos seus dogmas e os seus ritos sagrados, mas nem sempre sinceramente ocupados uns com os outros. 

Afinal de contas: 

- Quem é o Verdadeiro Deus? Aquele que nos fez, ou algum desses que fizemos? 

- Qual o significado da verdadeira espiritualidade? Que ao fim de tudo, a gente fique cada vez mais parecido com o Deus que nos fez, ou que os nossos deuses se pareçam cada vez mais conosco? 

Com certeza o Verdadeiro Deus não é aquele que tem que ser acordado pelo bater dos nossos tambores, não pode ser seduzido pela beleza das nossas canções, iluminado pelas nossas fogueiras, tampouco corrompido pelas nossas ofertas e sacrifícios. 

O Verdadeiro Deus é Aquele que nos dá a condição de ver mesmo quando já não conseguimos mais enxergar, tocar mesmo quando as nossas mãos estão muito cansadas, ouvir mesmo quando tudo o que queríamos era o descanso do silêncio, caminhar mesmo quando os pés já estão feridos, ensinar mesmo quando isso parece ser tão pouco e amar sempre, a Ele, a nós e aos outros, na certeza de que isso é tudo. 

Paulo Borges Júnior é coordenador do Ministério Sal da Terra

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