Do alto de sua suntuosa batina, Bento XVI deu uns chiliques por conta de um programa de computador que promete substituir a função de um padre na confissão dos fiéis. Bento alega que não é possível abrir mão da liturgia instituída antes dos tempos em que galinha voava e deixar o povo livre pra sair por aí recebendo perdão que não tenha o frescor do império romano.

Facilitar o acesso burlando regras rígidas da religião, não é coisa bem vista por sacerdotes jurássicos que guardam Deus num cofre blindado com todos os segredos possíveis. Tecnologias a parte, o que os programadores deste século tentaram, usando os preceitos dominantes do catolicismo, foi uma forma de acesso direto ao alívio proposto por Jesus no seu “Venham a mim e encontrareis descanso para vossas almas”.

No começo de toda essa coisa de reino de Deus que depois começaram a chamar de cristianismo, houve um sujeito chamado João que quebrou todas as regras possíveis da religião institucionalizada a fim de garantir o acesso das pessoas à promessa dos céus, ainda aqui na terra. Como bom judeu e filho de sacerdote, João Batista foi circuncidado, estudou a Torá, fez seus sacrifícios anuais e obedeceu religiosamente o comando dos fariseus de sua época. Eles regiam o templo.

O embaraço de sua carreira missionária, é que ao invés de, como prometido sacerdote*, seguir os passos de seu pai Zacarias que, assim como outros sacerdotes, ministrava em Jerusalém. João desdenha tudo e abandona toda essa pompa indo promover seu “culto hardcore” nada ortodoxo no deserto. Seu rito alternativo se chocava diretamente com tudo aquilo que havia participado e aprendido durante sua formação religiosa.

Hoje para um bom cristão
(ou qualquer um), João era o cara que batizava, mas se você estivesse inserido naquele contexto torceria o nariz por ele não fazer exatamente como sua “querida igreja” exerce seu ministério único na terra. É provável que muitos de hoje se escandalizassem ao ver esse cara sem roupas sacerdotais, vestido como um andarilho louco, burlando o cursinho de batismo e a escola dominical, oferecendo, pasmem todos, salvação até para soldados que oprimiam o “o povo de Deus”.

João levava uma vida separada até mesmo da religiosidade perene da época. Contornando o serviço do templo e desiludindo a vida em sociedade, estava determinado a oferecer uma alternativa para remissão de pecados. Para tanto, bastava desejar mudar de rumo, arrepender-se, e oficializar sendo banhado no rio Jordão. O próprio Jesus, primo de João, formado como qualquer judeu de sua época por todos os escritos sagrados existentes em sua cultura, aderiu à ultrajante oferta de “caniço do deserto”.

Mais ultrajante, controverso, e revolucionário pretendia ser a proposta de Jesus. Ele cria e oferecia uma alternativa assim como João, mas ao invés de se afastar e esperar os que quisessem ouvir seus inflamantes e afáveis discursos inseriu-se totalmente no mundo. O que se tornou algo ainda mais indigesto tanto para seus ouvintes como para seus alvos de crítica. Sua proposta de santidade não é pela exclusão, mas ele tem a terrível idéia de aderir à multidão.

Não importava se fosse uma prostituta, um mendigo aleijado, um corrupto cobrador de impostos, um opressor soldado de Roma, fariseu, leproso, fazendeiro, miserável ou rico, Jesus ia ao encontro dessas pessoas. Estava lá, bem próximo de todos, com a mesma roupa, abraçando, afagando, oferecendo seu mundo fantástico em cada esquina que parava.

O mais desconcertante na vida do messias, era o tipo de conduta que ele portava para demonstrar sua falta de preconceito e seu descarado amor. Se um corrupto o convidasse (às vezes ele mesmo se convidava) para uma festa, não importava quem ou aonde, ele iria. Embora hoje haja um grande conceito entre os cristãos e evangélicos, sobre coisas do “mundo”, Jesus não estava exatamente preocupado com a música que iriam tocar na festa, se as pessoas que freqüentavam o ambiente eram todas de boa conduta, se isso o tornaria mal falado ou coisas dessa natureza. Imagine que no meio da festa Jesus distribuindo seus sorrisos em meio a um “pancadão” rolando, alguma mulher com trajes suspeitos o abraça, por saber quão amoroso e excelente é aquele homem que está ali no meio de tantos pecadores. Quem seguiria esse tipo de mestre?

A religião com o tempo conseguiu criar um véu mais pesado do que o rasgado na crucificação, separando efetivamente os arrependidos da vida inserida na sociedade proposta por Cristo. É indigesto pensar que o Filho do Homem vivia abraçando e fazendo amizade com qualquer um e não só com aqueles irmãos bem vestidos de domingo de manhã. É desconcertante pensar que Jesus freqüentava qualquer festa sem pelo menos perguntar se o som que iria rolar era da Aline Barros, Marcelo Rossi ou MC Marcinho. Sem critério nenhum. Os fariseus ficavam pra morrer com um Cristo que não se dava o respeito e aceitava qualquer um como seguidor, mesmo que a nova adesão destoasse totalmente dos hábitos dos que já estavam com ele há mais tempo.

João, o Batista, encurtou o caminho, se desfazendo da liturgia e ortodoxia desnecessária para adesão ao reino. Fazia isso a qualquer um, qualquer um mesmo, que corresse para ouvir o profeta separado de tudo no deserto. Jesus encurtou mais ainda o acesso quando pegou o reino proposto e andou no meio de maloqueiros, mulheres de má fama, doentes intocáveis, bandidos ou esbanjadores. Sendo chamado de beberrão, glutão, ou sem respeito. Viveu literalmente no mundo mostrando o reino.

Talvez ser o “santinho” com a distância de um terno Armani ou uma batina romana ornamentada de ouro seja mais possível. Ser um seguidor de Jesus ao lado de homens barbeados e peruas de salto num confortável templo domingo seja mais respeitável. Mas, o impactante da mensagem de Cristo é conseguir verter em nossos dias sua “escandalosa conduta de inclusão” que, cá pra nós, duvido que você consiga. Sua sensatez, orgulho, dinheiro (talvez), formação, conceito e preconceito não conseguirão deixar.

Mas não se preocupe, é pra você também o reino da inclusão.

*Obs1: Veja onde começa o erro da religião. Em Lucas 3 fala de um esquema religioso totalmente errônio, pois no versiculo 2 Lucas cita que Anás e Caifás eram sumos sacerdotes. Consegue ver o erro grotesco ai? Quem tinha o direito e tinha linhagem era o nosso amigo João, filho de Zacarias!!!!!

*Obs2: O Deus do templo esta clamando no deserto!!! E pra terminar, em Apocalipse 3:20 por incrível que parece ELE esta do lado de fora batendo à porta!!!!!

Adaptado por Juliano Fabricio via

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