- Então como é viver com Deus? 

(Essa pergunta é tão profunda, mas tão profunda, que só há uma forma de respondê-la. E a forma, é a mais simples que existe) 

- Estar com Deus é como sentar-se à mesa para comer. Nada mais espiritual do que isso. Nada mais orgânico do que isso. 

Mas sentar-se à mesa para comer pode ser bem complicado para quem cresceu ouvindo que o que nos aproxima de Deus é a abstinência, a negação, o preço alto a ser pago por algo que não provamos para dizer se gostamos ou não. Sentar-se à mesa espiritual pode ser uma afronta aos conceitos que disseram “não toque, não sinta, lave-se muito bem antes de assentar-se”, ou pior, “você não foi convidado porque não tem os mesmos modos que nós”. E é claro que isso explica o fato de muitas pessoas terem o espírito subnutrido. Explica o cansaço profundo. Explica o cansaço espiritual que se confunde com cansaço na alma, que se confunde com cansaço no corpo, e leva muita gente a resolver de forma superficial, temporária e junk, o que na verdade é uma grande fome espiritual. 

A ideia de banquete não é minha. O departamento espiritual de todas as coisas se utiliza desse simbolismo a todo instante. Sentamos à mesa para celebrar mais um ano de vida, sentamos à mesa para discutir negócios e fazemos planos importantes enquanto comemos. Para olhar nos olhos de quem amamos nós fazemos reservas em restaurantes, e também preparamos a mesa para abrigar um amigo querido em casa e dizer “olha, você é bem vindo aqui e por isso queremos que você se alimente do que nos alimenta.” Na bíblia, a rainha Ester deu um banquete. Salomão deu vários banquetes. Davi falou com poesia sobre um cálice que transborda, e sobre a honra que é ter um banquete preparado na presença dos inimigos. No livro de Apocalipse o apóstolo João descreve uma festa, um noivo, uma noiva, e claro.. um banquete! Nos dias de hoje, reunir um pai, uma mãe e os filhos ao redor de uma mesa, e conseguir conversar, comer com calma, e sem stress, é praticamente o maior desafio da semana, e por milhares de outros motivos, chega a ser um milagre. Justamente porque sentar-se e alimentar-se é profundamente espiritual. É um ato de amor entre quem prepara a comida e quem come. Um encontro entre a necessidade imediata e a satisfação sentida aos poucos. É a reunião do ato coletivo com uma certa entrega individual. É a necessidade que atinge todas as pessoas e as obriga a dobrar-se ao alimento. O banquete é um manifesto de entrega. Os devotos oferecem alimentos aos deuses e aos santos para mostrar gratidão, fé, serviço. E por fim, sentado à mesa com seus amigos mais chegados, Cristo explicou seu amor enquanto partia o pão e bebia o vinho. 

Pois bem, banquetes são espirituais, mas tentaram dizer ao Homem que andar com Deus ou ter Jesus no coração não é isso. Disseram que é uma fome sem fim, um desejo não saciado, um grande vazio onde lá você deve encontrar alguma coisa que faça sentido, e talvez a sua grande fome faça você ter uma alucinação e aí, obviamente, você até pode encontrar umas loucuras no meio do caminho. Ou então disseram que o lance espiritual é viver de uma fé fast-food. Coisas rápidas, pequenos ritos sem fundamento ou beleza. Manias que se confundem com fé, que se confunde com superstição. 

Movimentos sem essência, coisas que você pede pra Deus, sim, mas pede pra viagem porque ainda há muito o que desejar, viver, sentir e ganhar! É, essa fé te alimenta, claro. Mas também te deixa estufado. Pesado. 

Pensa uma coisa: se você soubesse que tem um banquete esperando por você, preparado especialmente para você, com as coisas que você deseja comer mas que nunca teve oportunidade. Você abriria mão dessa experiência e iria para uma lanchonete comer sanduíche? Sabe, a fé deve ser degustada, mastigada, saboreada, sentida. O a sua existência precisa entender isso. A fé é feita de coisas específicas e raras. Temperos feitos com as tuas próprias experiências e as belezas de Deus combinadas com a sua história. Isso é feito para o seu paladar. Quando foi a última fez que você alimentou a sua fé com calma, ou com algo mais substancioso que um café com papo raso? Pode ser que você não tenha essa resposta, porque nunca soube que esse banquete é pra você. E também pode ser que você tenha outras perguntas, do tipo: “ok, então onde é esse banquete?” ou então, “como eu faço pra entrar nele?” 

Bom, o banquete é a presença de Deus, e tudo o que isso significa dentro da vida de uma pessoa. Se a sua fome é ter uma alma com identidade, Ele tem isso pra te dar. Se a sua fome é fé, Ele tem isso pra te dar. Se a sua fome é inspiração, Ele tem isso pra te dar. Se a sua fome é força para passar mais esse dia no seu trabalho, no hospital, num país distante, ou até mesmo dentro da sua casa, Ele tem isso pra te dar. Se a sua fome é amor, consolo, estratégia, ânimo, alegria, paz, Ele tem isso pra te dar. Esses pratos são preparados com as características reais de Deus. De fato, é o que Ele pode representar nos nossos dias aflitos e cheios de vazios. Isso pode parecer tudo muito bonito de ler, mas esses ingredientes tem uma coisa especial, porque respondem a segunda pergunta: pra você entrar no banquete, você precisa se aproximar de Deus pelas características reais que Ele tem, e não pela idéia requentada e sem sabor que você mesmo tem sobre Ele. É preciso vencer as mentiras que você cozinhou. Nós deixamos o assunto “Deus” em banho-maria, mas pra encontrar o banquete é preciso que você se permita ser atraído pelas coisas simples e sinceras que Deus diz. Nossa maldade nos faz duvidar da bondade de Deus. Palavras simples como amor, perdão, comunhão, transformação e cura, passam a ser distorcidas por nós mesmos, que temos a mania de desconfiar até do que é bom para nós. Isso é culpa da nossa insegurança, da banalização da fé, da religiosidade imposta. Sutilmente, deixamos de viver essas coisas verdadeiras porque acreditamos mais em mentiras. É como se Deus preparasse um espaguete maravilhoso, estendesse o prato em nossa direção, e nós, famintos porém enjoados, disséssemos: “ai, não gosto muito desse miojo!” 

O banquete é a presença de Deus e isso também não é ideia minha. Ele mesmo disse que era um Pão. Ele colocou-se nessa posição de alimentador e alimento. Nós pedimos um salvador! Um Deus! Uma linda história de milagres imediatos e explosões de emoções! E aí ele vira e diz que é um Pão? O Pão da vida? O que é um pão para nós que falamos das coisas complexas, espirituóides, das profundezas desconhecidas da alma? O que é um pão para nós que desejamos coisas superiores? Pois é. Pão é relacionamento. Pão é a necessidade de estar fresco todos os dias. Pão é a simplicidade que alimenta o rico, o pobre, o doente, o saudável, e o poder de deixá-los todos igualmente satisfeitos. Pão é para o santo e para o pecador. Pão é a história do trigo, da massa amassada e depois queimando no fogo. Pão é etapa atrás de etapa até ficar pronto. O destino complicado para quem era apenas um trigo, processo sofrido e esquisito, mas que é para todos. Você consegue ver a poesia disso? Cristo não é um discurso de palavras vazias, não é amargor na boca, não é enjoativo. Ele é o Pão. Pães são feitos para quem tem fome, e quem tem fome geralmente está insatisfeito, levemente irritado, e com um pouco de dor de cabeça. 

É o seu caso? Assente-se! O Pão procura esse tipo de convidado. Se não fosse assim, o banquete não seria valorizado. Se não fosse você, o Pão não seria degustado com tanta entrega e experiência. O banquete foi feito pra você, sim! Você que não tem os modos, as roupas, o paladar refinado, mas que por alguma razão sincera, desejosa, intuitiva, humana e espiritual, sabe que banquete é um sinal de amor. E se amor é generosidade e abundância o banquete espiritual não pode jamais ser comparado à uma refeição pequena e sem beleza. Deus não é isso. Jesus Cristo não pode ser isso na sua vida. Um domingo? Um pensamento de 3 minutos? Uma repetição infindável de palavras, idéias e condutas que nem você sabe se acredita? Isso está parecendo mais com um chiclete, e nós estamos falando de um banquete, aqui! Você precisa experimentar mais. 

Há uma festa. Você é o convidado. A fé te leva a crer que Ele está assentado do outro lado da mesa, porque ele tem coisas a oferecer. E há muita comida, porque há satisfação. Você tem uma alma, você é uma alma, e isso merece uma festa. O mundo e as pessoas geralmente não tratam sua alma assim. Pode ser que você também não se trate assim, afinal, de que adianta freqüentar um banquete se você não tem dinheiro? Se está sozinho ou doente, ou muito bravo porque alguém foi mal com você? Talvez o banquete seja uma realidade difícil de acreditar já que você teve que de viver com tão pouco. Eu entendo. Eu respeito. Eu só não concordo com o fato de você cruzar os braços diante da nova possibilidade que se apresenta nessa mesa. 

O banquete foi feito para os que têm fome. Pode ser que você sinta fome de você mesmo. De como você era mais leve, mais livre, e mais feliz, antes de se alimentar apenas das coisas difíceis. Pode ser um exercício de coragem você comer as novidades que Deus tem pra te dar, num tempo onde os fatos, a vida e as contas permanecem iguais. Mas você é o convidado, e a escolha é sua. Não vou me cansar de escrever sobre o banquete, porque o que me atrai nele, é o fato de que o que nos leva até ele não é condição. É escolha e desejo. Nós não precisamos pagar por ele, não precisamos nos vestir adequadamente para ele. 

Não precisamos merecê-lo. “Vinde a mim” é a frase mais desaforada que Jesus já disse. Como assim, Ele me dá acesso? Como assim, o banquete não custa meus flagelos? Como assim, eu estou triste e há um Pão de alegria pela manhã? Sim. E no banquete também há música, porque os melhores banquetes também têm. E há poesia, porque os melhores chefs fazem por paixão e não por obrigação. E há relacionamento com Deus, porque as melhores mesas são acompanhados das melhores conversas. E se você estiver sentado, disposto e aberto para tudo isso, você verá que há um grande “sim” estampado na toalha e na louça. O sim de quem aceitou essa nova realidade espiritual. De quem escolheu a melhor parte da vida, que é descobrir-se vivo não só nas coisas externas, visíveis, perecíveis e temporárias. Há tanto mais, que se você soubesse, convidaria outras pessoas para comer isso também. E há amor. Porque sem amor não se convida ninguém para nada. 

Quando Jesus disse “tomai, comei, todos!” era o convite que os Humanos não esperavam e que os anjos tanto invejam. Uma festa preparada por Deus, para os Homens sem modos e de mãos sujas! Você precisa conhecer a poesia que existe nisso. O banquete é baseado em amor, e não em merecimento. É uma festa para a qual você não estava esperando ser convidado. E é aí que você descobre a natureza de Deus, expressa na figura de Cristo: o que Ele gosta mesmo é da companhia dos Homens. Ele gosta de estar entre as pessoas. Sempre foi assim. Então esqueça a concepção antiga da falta de sal na caminhada espiritual. Deus não é fome, Deus é a comida. A ligação entre divino e humano está no ato de afastar-se um pouco do que é industrializado, sentar-se, e dedicar-se ao imenso amor que é apresentado e servido. Ele é a abundância feita pra você, enquanto os ignorantes fazem dele um regime. Ele é o sabor e o tempero, enquanto os amargos fazem dele apenas um extrato. 

A minha oração é de que você abandone a ideia de que vida espiritual é fome, e passe a viver a liberdade lúcida de que vida espiritual é apetite. É desejar o banquete, é não ter medo de aproximar-se. É aceitar o absurdo de que ele foi feito pra você, com amor. Nossa alma aceita o convite. Nossos anseios, desejos e estômagos agradecem satisfeitos. Nosso espírito jamais esquece. 

E tendo dado graças, partiu o pão e disse “Isto é o meu corpo, que é dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim” (1 Coríntios 11:24) 

Juliano Fabricio via

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