Daqueles dias ainda me lembro como se tivessem sido ontem, ou hoje mesmo. Depois que chegava da escola esperava meu pai chegar do trabalho. Por trabalhar perto de casa ele sempre vinha almoçar conosco. Ele sentava e eu e meus irmãos brigávamos para ver quem ia, acreditem, tirar os sapatos e as meias dele. Almoçávamos todos juntos. Sentávamos no chão de cara para a televisão. Nesse tempo, vale dizer, a TV ainda tentava nos enganar dizendo que tinha algo de bom nela. Era o caso de Chapolin Colorado. O herói atrapalhado que vinha ao resgate de todos que precisavam logo após o famoso clamor “quem poderá nos defender”. Não importava qual era a situação, Chapolin sempre arrumava um jeito de arrancar boas risadas minhas e do meu pai. 

De todas as frases ditas pelo Polegar Vermelho uma perpetua até os dias de hoje. Trata-se de seu famoso jargão “Sigam-me os bons”, tão famoso que ainda é usado nos dias de hoje, inclusive pela geração twitteira. 

Levando nossos olhos para o lado de dentro das portas da “igreja” vemos que esse slogan é muito utilizado e posto até mesmo como regra de fé. Aprende-se desde cedo que só vai para o céu quem for bom e que Deus não gosta de meninos que faltam as aulas para jogar bola ou que interrompem a professora da escola dominical ou que ficar correndo pela “igreja”. Pode até parecer ridículo para alguns, mas na verdade é lastimável. Eu mesmo que vos escrevo agora ouvi frases assim durante toda a vida. Foram tantas pessoas que me diziam que Deus ama e cuida apenas das pessoas boas que eu nem saberia dizer. 

Sabe aquela coisa de que uma mentira contada muitas vezes acaba se tornando uma verdade? Pois então, tornou-se uma verdade para mim por um longo tempo. E vocês sabem, já compartilhei em alguns dos meus textos lutas que trago comigo há muito tempo, umas já vencidas e outras tantas perdidas e que ainda prosseguem no processo de batalha. Eu nunca consegui me achar uma pessoa boa, não no sentido mais amplo da palavra. E eu vivia pressionado com a ideia de um Deus que estava escondido atrás da moita como um detetive a espera de algum erro meu para, literalmente, cair de pau em mim. 

Lembro-me uma vez quando tinha uns doze ou treze anos de idade, eu estava descendo uma ladeira de terra batida cheia de buracos. No meio dela eu enxerguei uma pedra que na minha inocência julguei que conseguiria saltar sobre ela. Eu não consegui. Vinha em tamanha velocidade que quando o pneu da frente bateu, e olhe que eu tive a “felicidade” de atingir bem no meio daquela pedra, que eu pude sentir o pneu traseiro levantado-se. O que seguiu após isso foi uma criança chorando com a cara no chão e com sua bicicleta por cima prendendo-lhe o braço direito nas costas. Pode até parecer engraçado, mas não foi. Pode até ter trazido gargalhadas para quem estivesse observando, mas não trouxe riso para aquela criança com a cara no chão. 

O que é realmente engraçado é como algumas coisas ficam na nossa mente mesmo depois de tanto tempo. Lembro-me bem das primeiras palavras que eu disse logo após aquela queda: “Deus, o que foi que eu fiz agora?” Percebeu como a ideia de que Deus faz coisas boas para pessoas “boas” e deixa que coisas ruins aconteçam com pessoas “ruins” faziam parte dos meus pensamentos? Mas não era essa a ideia de Jesus, era? Alguma vez Jesus disse algo sobre ser tão mesquinho quanto a gente? Pelo que me lembro bem foi Ele mesmo que veio com a ideia de fazermos coisas boas para as pessoas, inclusive quando elas não nos tratam bem. É amar o inimigo (Lucas 6:27). Lembra? Talvez Ele tenha vindo com essa ideia após tanto observar Seu Pai (João 14:10). 

Brennan Manning conta que uma menina que logo após ter terminado pela primeira vez de ler o Evangelho de Lucas exclamou: “Puxa! Jesus tinha uma atração especial pelos maltrapilhos”. E é verdade. Jesus foi um cara que era apaixonado justamente pelo tipo de gente que a elite religiosa de sua época desprezava. Ele compartilhava Suas refeições e Sua vida com cobradores de impostos, com prostitutas e os mais diversos tipos de pessoas (na verdade a ideia de compartilhar refeições perdeu-se um pouco em nossa cultura. No tempo de Jesus quando alguém convidava uma outra pessoa para uma refeição ele não estava apenas fazendo o convite para se fartarem, mas expressava o desejo de compartilhar a vida com a outra pessoa. E Jesus sabia disso). 

E o que nos chama também a atenção em Jesus é que Ele parecia não se importar com a opinião de terceiros. Para Ele o que realmente importava era Seu relacionamento pessoa com cada uma dessas pessoas. Ele mesmo se comparou com o louco pastor que deixou suas noventa e nove ovelhas e saiu ao resgate daquela única que havia se perdido pelo caminho (Lucas 15:4). Jesus era o tipo de cara que fazia os lideres religiosos de Sua época ficarem com os cabelos em pés. “Como é que Ele pode comer com pecadores?” (Lucas 15:2). 

Mas você quer uma boa nova para hoje? Jesus continua sendo esse tipo de cara. Ele não apenas tinha essa atração irresistível por pecadores. Ele ainda tem. Ele não apenas se comparou com aquele louco pastor. Ele ainda é esse louco pastor que deixa as noventa e nove ovelhas e vai à procura daquela que se perdeu pela jornada. 

Sigam-me os bons? Essas palavras nunca sairiam da boca de Jesus. Em Lucas 5:30-31 Jesus diz que são exatamente os doentes que necessitam de médicos e não o contrario. E, além disso, diz quem realmente veio chamar: “os pecadores para o arrependimento”. 

Se Jesus tivesse um twitter às palavras que estariam no Seu perfil seriam, na verdade, um convite:

“Sigam-Me os maltrapilhos, os imperfeitos, os doentes e os desajeitados, os esquecidos e marginalizados, os cansados que vivem trocando a mala pesada de uma mão para outra e os que são desprezados. Venham vocês também que acham que suas vidas não passa de um grande desapontamento para Deus. Venham vocês que tentam ser fortes e que seguram o choro na frente das pessoas, mas que na verdade são fracos e choram sozinhos. Eu sou Jesus e Eu quero você”. 

Bem, mas isso não daria em apenas cento e sessenta caracteres. Mas estamos falando de Jesus. Ele sempre deu um jeito de chamar nossa atenção e não seria diferente agora. 

Juliano Fabricio via

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