“Somente Jesus é a esperança do mundo. A igreja é um mecanismo disto. Se a igreja for a esperança do mundo, o mundo está sem esperança”. 

Esta é uma afirmação de George Barna no livro Revolução. A partir desta e de outras afirmações, Barna menciona que deixamos para trás as eras apostólica, dos mártires, dos pais do deserto, mística, a reforma, a era missionária e agora chegamos na era revolucionária. 

Barna também apresenta uma série de pesquisas feitas nas igrejas da América nos últimos anos. Elas revelam que para os cristãos, o único dia de adoração é o culto de domingo, mas oito em cada dez cristãos afirmam que não sentem que estão adorando no culto. A maioria dos cristãos não está orando pela conversão de alguém. A maioria dos cristãos lê menos a Bíblia do que o tempo que dedica para televisão, música ou hobbies. A maioria dos cristãos doa apenas 3% do seu orçamento anual à igreja, e já considera isto uma oferta de sacrifício, e menos de um em dez cristãos doam 10%. Apenas um em cada quatro cristãos dedicam um tempo semanal para servir a outros. A maioria dos cristãos está tão ocupada trabalhando, que espera que a igreja ensine a Bíblia a seus filhos, e por isto, não estudam a Bíblia com as crianças. Para arrematar, existe hoje entre os cristãos o mesmo número de divórcios que ocorre com os não cristãos.Fiquei pensando se é para isto que queremos atrair novas pessoas. Alguns poderiam argumentar que estas são pesquisas americanas. Entretanto, cabe perguntar de onde se originou nossa evangelização, de onde vieram os missionários que determinaram os rumos da atividade evangélica no Brasil. De outro lado, a quem normalmente nós tentamos imitar? 

Vivemos a era das cruzadas evangelísticas no Brasil logo depois dos americanos. Migramos para os tele evangelistas assim como eles fizeram. Importamos nos últimos 10 anos diversos modelos e estilos de ministérios para nossas igrejas, diretamente da fonte. Será que nossas igrejas não são reflexo de tudo isto? 

O que Barna antecipa para a realidade americana é que dentro de alguns anos 70% das pessoas não estarão mais numa igreja formal como conhecemos hoje. Vale dizer que hoje 70% dos americanos estão filiados a uma igreja. Barna fala de uma nova geração revolucionária que deseja: adoração íntima com Deus; fé baseada em relacionamentos íntimos com as pessoas; crescimento espiritual intencional; amizades espirituais para prestação de contas e uma fé que pode ser vivida na família (inclusive ensinando a Bíblia às crianças). Esta geração revolucionária está descobrindo que não precisa da igreja institucional para viver isto. A igreja tem sido apenas uma estrutura, e pesada, cheia de complexidades e até mesmo intrigas, interessada apenas em evangelizar para garantir que sua estrutura não desfaleça no futuro. Por este motivo, Barna advoga que a igreja precisa estar preocupada não em fazer com que seus membros participem dos seus programas, mas em que as pessoas sejam usadas pelo Espírito na forma de Deus agir no mundo. 

O mestre da administração, Peter Drucker, do alto dos seus 96 anos de idade, disse em sua última entrevista que “o verdadeiro propósito do planejamento não deve ser dizer o que devemos fazer, e sim quando devemos mudar o que estamos fazendo”. A partir das descobertas de Barna e da afirmação de Drucker pergunto: Será que estamos discutindo a pergunta certa? Em lugar de discutirmos os diversos meios e modelos de evangelização, será que realmente não temos que pensar numa revolução? Não seria importante olharmos para a revolução que Jesus fez na vida dos apóstolos primeiro, para depois olharmos para a revolução que os apóstolos fizeram no seu tempo? 

Há algum tempo atrás fui convidado a participar de uma conferência sobre novos métodos de evangelização, que estavam revolucionando uma igreja. Depois de uns dois dias na conferência, comecei a descobrir que o “novo” método era apenas um “velho” método com roupa nova. Também descobri que os “resultados miraculosos” que eram propagados tinham apenas uma metodologia diferente de medição. Se eu colocasse os resultados de algumas igrejas que conheço na forma de medição deste método, elas seriam bem melhores, sem estar fazendo nada de especial. Talvez corramos o risco de ser os maiores especialistas em métodos de evangelização, e estamos esquecendo de perguntar: “O que foi mesmo que Jesus mudou na vida dos apóstolos, para que três mil pessoas se convertessem sem apelo ao final de um sermão?”. 

Lembramos do resultado do sermão de Pedro, com três mil conversões, mas esquecemos que antes disto ele chorou amargamente e levantou-se restaurado. Lembramos que muitos gentios se converteram ao ouvir Pedro, mas esquecemos que antes disto ele teve que mudar seus conceitos e preconceitos mais profundos na visão de Jope, pois não admitia pregar aos gentios, por considerá-los imundos. 

A história dos avivamentos mostra que toda vez que os não cristãos vêm a revolução que Deus está fazendo na vida dos cristãos eles também querem isto. Segundo Barna, parece que os americanos se cansaram da igreja instituição e decidiram fazer uma “revolução espiritual” a partir de suas vidas. Talvez o dia que os pastores e líderes descobrirem isto terão perdido o “bonde da história”. Temos a grande oportunidade de começar a refletir sobre o assunto e agirmos rápido. Talvez seja hora de pararmos de nos preocupar com os métodos e permitirmos que a verdadeira e principal evangelização seja uma revolução de Deus em nossas vidas. Só assim alguém poderá dizer que estamos transtornando o mundo, como fizeram os apóstolos, porque Jesus transtornou a vida deles primeiro. 

Juliano Fabricio via (Esse foi o primeiro texto que postei no blog)

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