A maior parte de nós se sente muito a vontade ao orar: “Senhor, não me trate segundo os meus pecados”. Afinal, reconhecemos que somos pecadores por natureza, e que Deus é misericordioso. 

Mas há uma oração na Bíblia que teríamos muitas dificuldades para fazer. Ela está no Salmo 7:8:

“Julga-me conforme a minha integridade”.  

O que nos leva a ter dificuldades em fazer a segunda oração? Para alguns ela pode parecer presunçosa, pois Paulo nos diz: “aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (I Co. 10:12). Mas, não acredito que nossa dificuldade resida nisso, pois Paulo também nos ensina que devemos ter uma avaliação sobre nós mesmos, se estamos na fé ou não (II Co. 13:5). A advertência aos que pensam estar firmes, não nos isenta de termos uma avaliação sobre nós mesmos, mas serve como um alerta sobre a nossa vigilância. 

Outras pessoas podem ter dificuldade ao fazer a oração do Sl. 7:8 por pensarem que ela está em contradição com o Novo Testamento, que nos ensina que somos salvos pela graça (favor imerecido) e não por nossas boas obras. Contudo, não creio que essa seja a causa da nossa dificuldade, pois não aparece no Novo Testamento exemplo algum de que a graça nos exime de sermos íntegros. Pelo contrário, só alguém com coração íntegro pode desfrutar plenamente da graça de Deus. 

Acredito que nossa dificuldade está na incerteza se seremos aprovados por Deus se Ele nos julgar segundo nossa integridade. Temos medo da reprovação. 

Integridade é a qualidade daquilo que é inteiro, pleno. Precisamos abrir nossos olhos e enxergar que a integridade é indispensável na vida daqueles que são salvos pela graça, pois ela é condição para desfrutarmos plenamente dos favores imerecidos. Recebemos a graça por meio da fé, mas é preciso crer com um coração íntegro, ou seja, de crer de todo o coração (At. 8:36,37). 

Ser íntegro é não ser dividido. E Jesus deixou claro que não se pode ter coração dividido. Ninguém pode servir a dois senhores (Mt. 6:24). Não podemos servir ao Senhor e ser escravo de sonhos pessoais. 

Uma pessoa íntegra não admite viver uma vida dupla, em que se preocupa mais com sua imagem diante dos homens do que com a realidade de seu coração diante de Deus. Ser íntegro não significa não ter erro algum, mas é ter coragem para admiti-los, confessar suas misérias, se reconhecer necessitado da graça e tomar a decisão de mudar. Precisamos ter coerência entre o que parecemos ser e o que realmente somos. Aqueles que tentam proteger sua imagem, ocultando seus pecados, não possuem um coração íntegro, e se privam da graça de Deus. 

Não aceite viver sem integridade. Entregue-se totalmente ao Senhor, e que as suas atitudes correspondam à oração “Cria em mim um coração puro e renova um espírito reto” (Sl. 51:10). 

Juliano Fabricio via

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