Houve um tempo em que a infância não era tão politicamente correta. Naqueles anos, uma das atrações infantis na TV era o desenho animado de um velho marinheiro, caolho, musculoso, reclamão e machista. Era o Popeye. Resolvia todos os problemas no braço, frequentemente brigando com seu desafeto Brutus. 

No mundo desse personagem, criado para os gibis por Elzie Segar, em 1929, ninguém queria conquistar o mundo. Os desafios eram uma competição ou o amor da solteira Olívia Palito. E quando havia algum tipo de trapaça, ou risco pessoal, entrava em cena o poder sobre-humano trazido pelo... espinafre! Nada de magia, monstros alienígenas ou armas. Apenas uma porção de espinafre resolvia o problema. 

Naquela época não havia uma dezena de brinquedos inspirados nos desenhos animados e muitas crianças foram iludidas pelo poder dessa verdura rica em ferro, cálcio, fósforo e vitaminas. Pais viram seus pequenos experimentarem pratos cheios de espinafre em busca de força, velocidade e inteligência. No desenho americano, a verdura vinha numa lata, da forma como é vendida por lá, e a embalagem era aberta até com os dentes. Logo que descia garganta abaixo a reação de Popeye aparecia. 

A aventura, via de regra, terminava com o marujo cantando seu tema - “eu sou o que sou e é isso que eu sou, eu sou o marinheiro Popeye” (no original, “I'm what I am and that's all that I am”). E o herói dava duas baforadas do cachimbo – pó, pó! Um herói fumante ainda por cima...
Popeye faz lembrar outro homem do mar, muito parecido com ele, cuja história está no Evangelho. Dá até para imaginar que eram parentes: Popeye e Pedro. 

As semelhanças começam logo na ocupação – tanto Popeye como Pedro são homens do mar, e dele tiram o sustento. O primeiro está na condução de barcos há muitos anos e já viveu muitas aventuras mundo afora. Não tem medo de temporal e é capaz de conduzir uma grande embarcação sozinho. Já Pedro, aparece pela primeira vez na narrativa bíblica quando estava pescando, ou “jogando redes” (Mateus 4:18). Teria sido o primeiro a receber o chamado para seguir o Messias. O mar tem tanta importância para a vida de Pedro que é para lá que resolve voltar, após a morte de Jesus. “Vou pescar”, decide em João 21:3, sem perspectiva quanto ao seu futuro. 

Popeye e Pedro também compartilham a impaciência e uma tendência para confusão. Nos quadrinhos e desenhos animados, o marujo caolho sequer pensa uma vez antes de tentar resolver os problemas medindo forças. Uma provocação pequena, e ele já arregaça as mangas e parte prá cima. Esse é Pedro também. Não foi assim quando os soldados se aproximaram de Jesus para prendê-lo? Pedro, com uma rapidez grande, conseguiu sacar a espada de um soldado e cortar-lhe a orelha. Zap! Em João 18:11 é Jesus quem acalma o pescador, doido para fazer sushi de soldado. 

E se Popeye demonstra sua paixão por Olívia cercando-a de proteção, o discípulo não fica atrás. Pela admiração por Jesus, Pedro não o deixa um instante sequer. Está no monte da transfiguração (Mateus 17:4) e na cura da filha de Jairo (Lucas 8:51); está ao lado de Jesus no Monte das Oliveiras (Marcos 13:6) e no Getsêmani (Mateus 26:37); seguiu a Cristo, quando este foi levado até o sumo sacerdote (Mateus 26:58), e correu até o túmulo, assim que soube que o corpo do Mestre não estava lá (João 20:3). Pedro amava a Jesus. Mais do que um velho marinheiro pode amar uma jovem esquálida. 

Popeye pode ter desfrutado uma centena de vezes de sua arma secreta, sacando a lata de espinafre do bolso, mas foi Pedro o único ser humano que teve a chance de desafiar ao máximo o poder dos oceanos. Ele fez o que nenhum marinheiro ou embarcação foi capaz de fazer: Pedro andou sobre as águas. Sim, por um instante, as leis da física foram revogadas para que o discípulo tivesse a experiência de atravessar ondas indomáveis, furar o vento que queria lhe jogar para longe e enxergar através da chuva. 

Um milagre. Mas um milagre de vida tão curta quanto a duração do poder do espinafre. Veja que triste semelhança... Pedro teve medo, e afundou, encurtando uma caminhada que não poderia ser igualada nem pelo primeiro homem na Lua. 

Foi assim, convivendo com fracassos e sucessos, que o pescador aprendeu a pescar homens. O homem apresentado no livro de Atos é outro. É um Pedro que aprendeu a dominar seu temperamento, que não esquece o período ao lado do Mestre. Pedro, mais maduro, mais lobo-do-mar-das-almas, sabe que carrega uma arma secreta dentro de si. E nada mais importa, porque nada mais pode ter valor maior - “Não tenho prata nem ouro, mas o que eu tenho, isso te dou” (Atos 3:6). 

Se o herói de Elzie Segar traz o fatalismo e o conformismo (presentes no “eu sou o que sou e é isso que eu sou”), o pescador de homens traz a lição de que é possível se transformar, dia após dia. Eu sou o que sou, sim, mas não preciso ser isso para sempre. 

Caminhando ao lado do Salvador, eu posso ser nova criatura. E quando a graça me alcançar, aí sim, posso dizer: eu sou o que a graça permite, e é isso que sou. 

Juliano Fabricio via: Deus no Gibi (imagem Popeye via: Lee Romao)

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