Há muitas maneiras diferentes de contar a história da Reforma Protestante. Minha maneira predileta centraliza-se no conto heróico de Martinho Lutero, um monge agostiniano recém-convencido por sua descoberta do evangelho forense de Paulo, martelando furiosamente suas 95 Teses na porta da igreja de Wittenberg. A Reforma é assim lançada por uma espécie de postagem de blog medieval sobre a justificação pela fé, que se torna o catalisador de uma narrativa teológica de ação e aventura repleta de batalhas públicas, intriga pelas costas, vilões traiçoeiros, e nosso herói solitário Coração Valente declarando “Esta é minha posição!” 

Um ângulo diferente sobre a história da Reforma – que é enfatizado por estudiosos tão diversos como Michael Walzer, Nicholas Wolterstorff, e, mais recentemente, pelo filósofo canadense Charles Taylor – vê a Reforma não apenas como um debate estritamente teológico mas mais amplamente como um movimento cristão de reforma preocupado com a forma de vida social, com a forma como entendemos a nossa vida coram Deo, diante da face de Deus. 

A Santificação da Vida Ordinária* 

Como Taylor conta a história, a Reforma Protestante foi um dos vários movimentos de “reforma” no final da Idade Média e do início da era moderna que protestou contra os arranjos sociais distorcidos da cristandade medieval. Em particular, a Reforma pôs em questão a religião de duas camadas, com os monges, freiras e sacerdotes (as “vocações de renúncia”) na camada superior e com todos os demais atolados na vida (“secular”) doméstica consignados ao nível mais baixo como cidadãos espirituais de segunda classe. O “religiosos” adoravam, enquanto todos os outros somente trabalhavam. 

Neste clima, o impacto verdadeiramente revolucionário da Reforma foi emitido mais de Genebra do que de Wittenberg. Colocando em questão esse arranjo sagrado/secular de dois níveis, reformadores como João Calvino e seus herdeiros recusaram tais distinções. Tudo da vida é para ser vivido diante da face de Deus, eles disseram. Todas as vocações podem ser santas, pois todos os nossos trabalhos culturais podem ser expressões de cuidado pelo mundo de Deus. Não há “secular”, porque não há um centímetro quadrado da criação que não seja do Senhor. 

O resultado é o que Taylor chama de “santificação da vida ordinária”. Por um lado, isso tem um efeito de nivelamento: o monge não é mais santo do que o agricultor, a freira não é mais santa do que a mãe. A vocação religiosa não é mais vista como um atalho para a bênção divina; ao contrário, ela é vista como um um possível desprezo aos dons de Deus. Por outro lado, não é que as vocações de renúncia sejam abolidas; ao contrário, as expectativas para os leigos são aumentadas. Engajamento na vida doméstica não seria uma liberação da busca por santidade. A vida doméstica normal é retomada e santificada e a renúncia é construída na vida comum. 

Então, o açougueiro, o padeiro e o fabricante de velas são chamados a servir a Deus, mesmo quando eles são afirmados em suas estações “mundanas”. É essa interação de santidade mundana com santa mundanidade que Max Weber chamaria mais tarde de a “ética protestante do trabalho”

Esta “santificação da vida ordinária” está no coração da herança da Reforma. Somos exortados a fazer tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10.31). 

Juliano Fabricio (texto completo via)

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