baptismo constantino
O princípio da Igreja é fantasticamente simples e muito bem elaborada. No inicio, a Igreja era vista como uma simples reunião, e não passava disso. Uma reunião que com o tempo virou uma comunidade, e isso não porque todos eram iguais, mas simplesmente por que todos compartilhavam do mesmo ideal: “convencer o mundo do Reino de Deus” inaugurado pelo Cristo (Atos 19.8, 28.23). 

Sem pretensões de grandezas ou de algum tipo de dominação mundial, os primeiros cristãos se gloriavam em suas tribulações, se identificavam com os pobres, amavam-se mutuamente, dividiam seus bens com os mais necessitados com nenhuma ambição de acúmulo de posses, e não apresentava a Igreja como um lugar fixo fazendo de Deus um ídolo. A igreja era vista como um corpo “que se reúne” numa casa, na escola, no cemitério[1], na rua, etc., (Rm 16.5, 23). Todos se reuniam como Igreja e não nas igrejas, pronunciando a Boa Nova, convidando o mundo a ser, e não a ter Igreja. E os que resolviam ser, consideravam-se como aqueles do Caminho somente (Atos 9.2, 19.9, 24.14). O projeto de Jesus estava se concretizando. Seu Reino – ou seja, a Igreja – era visto continuamente como o Caminho; um lugar sem endereço fixo, uma direção o qual Jesus não marcou um ponto de chegada. 

Infelizmente esse quadro não persistiria por muito tempo. Aproximadamente três séculos depois, o imperador Constantino, que era adorador do deus sol, resolve como marketing de uma jogada politica, adorar Jesus. Constantino observa que todos os deuses tinham o seu templo para ser adorado. Levando isso em conta, resolve edificar um templo para o Filho do Homem ser venerado assim como os outros deuses. O Caminho começou a virar estradas, a Igreja começou a virar igrejas e o Reino começou a se transformar em Estado. 

A partir de então deram início a construções grandiosas de catedrais e templos gigantescos, e sua arquitetura seguia o modelo das basílicas, as sedes governamentais da Grécia e, posteriormente, de Roma, e dos templos pagãos da Síria. Com o advento da reforma o próprio Lutero tentou evitar que essa patologia de grandeza continuasse. Como podemos observar as pessoas ainda insistem em edificar uma morada aconchegante para Deus, e a cada dia que passa perseveramos incansavelmente em chamar templo de Igreja. 

As igrejas e suas arquiteturas foram variando de acordo com as ocasiões contextuais. No início eram semelhantes a templos gregos, passando a serem idênticos a palácios de governos europeus. Com a chegada do capitalismo e a era pós-moderna, castelos foram substituídos por shoppings. Hoje, a igreja, é um reflexo dessa cultura capitalista, imitando tanto na estrutura externa como interna – só distinguimos um shopping de um templo evangélico por causa da placa. No modo interno é a mesma coisa, tanto uma como a outra estão interessadas somente em te vender um produto, fazendo você existir somente quando compra o que lhe vendem (algumas vezes você é a própria mercadoria). 

Enfim, levando em conta o que foi dito acima, termino meu texto com um apelo, um convite que não é meu – e nem poderia ser, eu não teria um espírito tão intrépido e ousado. Um apelo que reflete bem a situação em que as igrejas chegaram. Sinclair Lewis, em Elmer Gantry, ainda na década de 1927, conseguiu discernir sensitivamente como é uma igreja que deixa de ser Igreja: 

Ninguém neste recinto, incluindo o seu pastor, acredita na fé cristã. Nenhum de nós daria a outra face. Nenhum de nós venderia tudo que tem e daria aos pobres. Nenhum de nós daria o casaco a um sujeito que tivesse tirado nosso sobretudo. Cada um de nós acumula todo o tesouro que consegue. Não praticamos a religião cristã e não temos qualquer intenção de praticá-la. Logo, não acreditamos nela. Eu portanto me desligo, e aconselho vocês a pararem de mentir e se dispersarem. 

[1] Os primeiros cristãos no auge de suas perseguições se reuniam em cemitérios por ser um lugar mais seguros. 


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