A história nós conhecemos bem: Jesus entrando em Jericó, a multidão acompanhando-o de perto, o cego sentado à beira do caminho; a notícia de que era Jesus quem passava, os gritos por misericórdia, a reação de alguns dentre a multidão; a insistência do cego, a atenção de Jesus, o milagre da restauração da visão. Tudo muito rápido, claro e objetivo. Mais um dia comum no incomum e extraordinário ministério do Senhor. 

Cegos são conhecidos por sua sensibilidade tátil e auditiva. Acontece, quando um dos sentidos fica prejudicado, que os outros se aprimorem para compensar as perdas. Nosso cego ouviu a multidão e sentiu que havia algo diferente no ar. Não era burburinho rotineiro. Sua audição estava em dia e seu senso de oportunidade extremamente acurado. Quem sabe não era seu dia? Jesus estava passando. 

Nem tudo são flores no caminho de quem precisa do milagre. Logo, revelaram-se os obstáculos de plantão. Gente insensível, rancorosa e sem amor, pronta para impor barreiras ou sugerir impossibilidades sem fim. “Fique quieto! Não importunes o Mestre! Quem você pensa que é para gritar desse jeito?” – diziam com reprovação e ódio no olhar. Desanimariam qualquer um. 

Mas nosso cego não era qualquer um. Embora ouvinte preciso, era suplicante persistente: fingiu-se de surdo para não ter que dar ouvidos às palavras dos amargurados da ocasião. Quanto mais mandavam-no calar, mais ele gritava (nossas avós costumavam dizer que “é melhor ouvir besteira que ser surdo”, mas não parece que era esta a filosofia de nosso amigo-exemplo; surdez, certos momentos, é virtude providencial). 

E tudo isso porque nosso cego enxergava bem demais. Via o que a maioria não se fazia capaz de enxergar: Jesus era mesmo o Messias de Deus. Chamou-o “Filho de Davi”, título messiânico extraído das profecias do Antigo Testamento e perfeitamente aplicável ao Nazareno que passava. Quantos foram capazes de ver o que aquele homem viu? Poucos. Jesus mesmo disse que haveria gente que, tendo olhos, não veria… 

Acho que a pergunta de Jesus para o nosso cego faz mais sentido à luz de sua maravilhosa visão de fé: “que queres que eu te faça?” é dúvida necessária somente diante de alguém cuja necessidade não está evidente. A cegueira do cego não estava evidente aos olhos de Jesus, pois via, com olhos com que só Deus nos vê, que aquele homem enxergava bem demais. Coisas que anelamos também ver… 

Juliano Fabrício via

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