A história do homem rico e de Lázaro, contada por Jesus, ilustra e repete um quarto ensinamento que se destaca ao longo das Escrituras: O rico pode prosperar durante certo tempo, mas afinal, Deus o destruirá; o pobre, por outro lado, virá a ser exaltado por Deus.

O “Magnificat” de Maria afirma isso de modo simples e objetivo:

“A minha alma engradece ao Senhor…
Derrubou dos seus tronos os poderosos e exaltou os humildes.
Encheu de bens os famintos e despediu vazios os ricos”. (Lucas 1:46-53)

Centenas de anos antes o cântico de Ana proclamava a mesma verdade:

“Não há santo como o SENHOR; porque não há outro além de Ti… Não multipliqueis palavras de orgulho, nem saiam coisas arrogantes da vossa boca… O arco dos fortes é quebrado, porém os débeis cingidos de força. Os que antes eram fartos, hoje se alugam por pão, mas os que andavam famintos, não sofrem mais fome. O SENHOR empobrece e enriquece… Levanta o pobre do pó, e desde o monturo exalta o necessitado”. (1 Samuel 2:2-8)

Jesus pronunciou uma benção sobre os pobres e uma maldição sobre os ricos:

“Bem-aventurados vós os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Bem-aventurados vós os que agora tendes fome, porque sereis fartos… Mas aí de vós os que estais agora fartos porque vireis a ter fome”. (Lucas 6:20-25)

“Atendei agora, ricos, chorai lamentando, por causa das vossas desventuras, que vos sobrevirão” (Tiago 5:2), é um tema constante na revelação bíblica.

Por que razão a Escritura declara que Deus regularmente reverte a boa sorte do rico? Está Deus engajado numa luta de classes? Na verdade, os textos que estamos usando nunca afirmam que Deus ama mais aos pobres que aos ricos. Porém, estão constantemente fazendo menção ao fato de que Deus reabilita ao pobre e desprivilegiado. Persistentemente nos asseguram de que Deus derruba os ricos e poderosos – exatamente por terem chegado a esta posição por meio da opressão aos pobres e por terem deixado de alimentar aos famintos.

Por que teria Tiago dito aos ricos que chorassem e se lamentassem por causa da miséria que lhes estava por sobrevir? Por terem logrado os seus empregados:

“Tesouros acumulastes nos últimos dias. Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, e que por vós foi retido com fraude, está clamando; e os clamores dos ceifeiros penetraram até aos ouvidos do Senhor dos Exércitos. Tendes vivido regaladamente sobre a terra. Tendes vivido nos prazeres. Tentes engordado os vossos corações, em dia de matança”. (Tiago 5:3-5)

Deus não tem classes específicas por inimigos. Porém Ele odeia e pune a injustiça e negligência com relação aos pobres. E os ricos, se aceitamos as repetidas advertências das Escrituras, são frequentemente culpados de ambos.

Muito antes da época de Tiago, o salmista já sabia que os ricos muitas vezes eram ricos por causa da opressão. Mas ele tomou alento na confiança que Deus puniria tais malfeitores.

“Com arrogância os ímpios perseguem o pobre… São prósperos os seus caminhos em todo tempo… Pois diz lá no seu íntimo: Jamais serei abalado: de geração em geração nenhum mal me sobrevirá… Está ele de emboscada como o leão na sua caverna; está de emboscada para enlaçar o pobre; apanha-o e, na sua rede, o enleia… Levante-Te, SENHOR! Ó Deus, ergue a Tua mão! Não Te esqueças dos pobres… Quebranta o braço do perverso e do malvado… Tens ouvido, SENHOR, o desejo dos humildes; Tu lhes fortalecerás o coração, e lhes acudirás, para fazeres justiça ao órfão e ao oprimido”. (Salmo 10)

A mesma mensagem Deus anunciou por intermédio do profeta Jeremias:

“Porque entre o Meu povo se acham perversos; cada um anda espiando, como espreitam os passarinheiros; como eles dispõem armadilhas e prendem os homens. Como a gaiola cheia de pássaros, são as suas casas cheias de fraude; por isso se tornaram poderosos, e enriqueceram. Engordam, tornam-se nédios e ultrapassam até os feitos dos malignos; não defendem a causa, a causa dos órgãos, para que prospere; nem julgam o direito dos necessitados. Não castigaria Eu estas coisas? Diz o SENHOR”.(Jeremias 5:26-29)

Não podemos dizer que a fé de Jeremias e do salmista era tão somente expressão de um desejo por ver as coisas acontecerem. Por meio dos profetas Deus anunciou devastação e destruição tanto para indivíduos ricos como nações ricas, que oprimiam os pobres. E realmente aconteceu o que haviam predito. Jeremias foi quem pronunciou uma das críticas mais sarcásticas e satíricas que se encontraram nas Escrituras, contra o rei Jeoaquim, de Judá:

“Ai daquele que edifica a sua casa com injustiça, e os seus aposentos sem direito; quem se vale do serviço do seu próximo sem pagar, e não não lhe dá o salário; que diz: Edificarei para mim casa ]espaçosa; e largos aposentos, ele abre janelas, forra-a de cedros e a pinta de vermelhão. Reinarás tu, só porque rivalizas com outro em cedro? Acaso teu pai não comeu e bebeu, e não exercitou o juízo e a justiça? Por isso tudo lhe sucedeu bem. Julgou a causa do aflito e do necessitado; por isso tudo lhe ia bem. Porventura não é isso conhecer-me? Diz o SENHOR. Mas os teus olhos e o teu coração não atentam senão para a tua ganância, e para derramar o sangue inocente, e para levar a efeito a violência e a extorsão… Portanto assim diz o SENHOR acerca de Jeoaquim… Como se sepulta um jumento assim o sepultarão; arrastá-lo-ão e o lançarão para bem longe, para fora das portas de Jerusalém”. (Jeremias 22:13-19)

Segundo os historiadores Jeoaquim foi assassinado.

Deus destrói tanto nações inteiras como indivíduos ricos por causa da opressão aos pobres. Já examinamos alguns dos textos mais expressivos quanto a isso no início deste capítulo. Ainda outro se destaca pela sua importância. Por meio de Isaías Deus declarou que os governantes de Judá eram ricos por terem logrado os pobres. Cegadas pela riqueza, as mulheres ricas exibiam-se com vaidade e malícia, completamente indiferentes ao sofrimento dos oprimidos. A consequência, Deus disse, seria destruição.

“O SENHOR entra em juízo contra os anciãos do Seu povo, e contra os seus príncipes. Vós sois os que consumistes esta vinha: O que roubastes do pobre está em vossas casas. Que há convosco que esmagais o Meu povo e moeis a face dos pobres? Diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos. Diz ainda mais o SENHOR: Visto que são altivas as filhas de Sião, e andam de pescoço emproado, de olhares impudentes, andam a passos curtos, fazendo tinir os ornamentos de seus pés, o SENHOR fará tinhosa a cabeça das filhas de Sião… Naquele dia tirará o SENHOR o enfeite dos anéis dos artelhos, e as toucas e os ornamentos… Será que nem lugar de perfume haverá podridão, e por cinta, corda, em lugar de encrespadura de cabelos, calvície, em lugar de veste suntuosa, cilício, e marca de fogo em lugar de formosura. Os teus homens cairão à espada, e os teus valentes na guerra”. (Isaías 3:14-25)

Pelo fato de os ricos estarem oprimindo os pobres e fracos, o Senhor da história está em ação, demolindo e arrasando suas casas e reinos.

As vezes a Escritura não acusa os ricos de uma opressão direta ao pobre. Simplesmente os acusa de omissão no compartilhar das suas riquezas com os necessitados. Mas o resultado é o mesmo.

Na história do rico e de Lázaro (Lucas 16), Jesus não disse que o rico estava explorando o pobre mendigo. Ele apenas mostra que o tal homem simplesmente não se importava com o mendigo doente que jazia diante do seu portão. “Vestido de púrpura e de linho finíssimo”, o rico “se regalava esplendidamente todos os dias” (Lucas 16:19). Lázaro, por seu turno, “desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico” (16:21). Será que o homem lhe negava até as migalhas? Talvez não. Mas fica claro que não mostrava real preocupação com ele. tal negligência pecaminosa para com os necessitados enche de fúria o Deus dos pobres. quando Lázaro morreu, Deus lhe deu conforto no sei de Abraão. Quando o rico morreu, foi colocado em tormento. O sentido do nome Lázaro, “alguém ajudado por Deus”, sublinha o ponto básico dessa história. Deus ajuda ao pobre, mas ao rico manda embora de mãos vazias.

Clark Pinnock certamente tem razão quando observa que “uma história como a do rico e Lázaro deveria explodir nas nossas mãos quando a lemos comodamente sentados diante de nossas mesas fartas, enquanto o Terceiro Mundo está ali fora”. Não apenas a Lei e os Profetas, mas o próprio Senhor Jesus proclama esta aterradora palavra de que Deus destrói o rico quando deixa de prestar assistência ao pobre.

A explanação bíblica da destruição de Sodoma fornece outra ilustração desta terrível verdade. Se perguntados pelas causas da destruição de Sodoma, virtualmente todos os cristãos apontariam para a brutal perversão sexual dos moradores da cidade. Mas tal resposta é bastante parcial, sendo apenas parte do que diz a Bíblia. Ezequiel mostra que uma importante razão pela qual Deus destruiu Sodoma foi por recusar-se obstinadamente a compartilhar seus bens com os pobres!

“Eis que esta foi a iniquidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranquilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado. Foram arrogantes e fizeram abominações diante de mim; pelo que, em vendo isto, as removi dali”. (Ezequiel 16:49-50)

O texto não afirma que eles oprimiam os pobres (embora provavelmente o fizessem); simplesmente os acusa de se terem omitido de assistir aos necessitados.

Os cristãos abastados relembram o mau comportamento sexual dos sodomitas, mas se esquecem da sua omissão pecaminosa com relação aos pobres. Por que será? Será pelo fato do primeiro fator ser menos revolucionário para nossa situação? Será que temos permitido que nossos interesses econômicos e egoístas torçam a interpretação das Escrituras? Sem dúvida, assim acontece! Porém, na exata medida em que a nossa submissão à autoridade das Escrituras é sincera, permitiremos que textos mais perturbadores como esse corrijam a nossa visão. Em permitindo que isso aconteça haveremos de reconhecer, com temor e tremor, que o Deus da Bíblia proclama uma horrenda ameaça de destruição sobre os ricos. Não o faz porque não amasse os ricos, mas porque sempre de novo os ricos oprimem os pobres e/ou negligenciam o amparo aos necessitados.

Trecho do livro “Cristãos em tempos de fome”, da autoria de Ronald Sider.

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