Certamente você já ouviu falar no conceito de complexidade. Foi com Edgar Morin que eu comecei a transitar por essas bandas. Disse ele que: 

Complexus significa o que foi tecido junto; de fato, há complexidade quando elementos diferentes são inseparáveis constitutivos do todo (como o econômico, o político, o sociológico, o psicológico, o afetivo, o mitológico) e há um tecido interdependente, interativo e inter-retroativo entre o objeto de conhecimento e seu contexto, as partes e o todo, o todo e as partes, as partes entre si. Por isso, a complexidade é a união entre a unidade e a multiplicidade”. (MORIN, Edgar, Os sete saberes necessários à educação no futuro. São Paulo: Cortez, 2000. p. 38.) 

Complexidade é a existência de “uma unidade múltipla”, o que implica o paradoxo de “uma unidade com vários centros”. Mais ou menos como uma grande cidade, ou qualquer grande centro urbano. Por exemplo, antigamente havia o “centro da cidade”. Ainda me lembro daquela época quando morávamos em Araguari e minha mãe dizia “hoje vamos ao centro da cidade”. Hoje é bem diferente, cada canto da cidade é um centro com tudo o que tem direito: indústria e comércio, lazer, cultura e arte, escola, hospital e igrejas, muitas igrejas. Ninguém precisa mais “ir à cidade”, pois mesmo as pessoas que moram em cantos diferentes da mesma cidade, moram “no centro”. Isso é complexidade. 

Imagine que dentro de você existem várias cidades. Uma sobre a outra, com o se fossem camadas de um bolo. Existe dentro de você a cidade chamada “crenças e convicções”, uma outra chamada “desejos e vontades”, mais uma, chamada “pensamentos e raciocínios”, e ainda uma outra, chamada “emoções e sentimentos”. 

Agora, imagine que Søren Kierkegaard, teólogo cristão existencialista, estivesse certo ao afirmar que “pureza de coração é desejar uma só coisa”, e que para ver a Deus, pois somente os puros de coração verão a Deus, conforme disse Jesus (e não duvide que ele estava certo), você tem que ter seu mundo interior completamente alinhado. Isto é, o centro da cidade “crenças e convicções” tem que estar alinhado com o centro da cidade “desejos e vontades”, que por sua vez tem que estar alinhado com o centro da cidade “pensamentos e raciocínios”, e todas com o centro da cidade “emoções e sentimentos”. Essa é uma forma de extrapolar o que Kierkegaard quis dizer, mas certamente é uma boa definição de “santo” no senso comum da cultura evangélica. 

Quando digo “alinhado”, quero dizer que se você furar o chão bem no centro de uma cidade, você tem que encontrar exatamente o centro da cidade que está embaixo. Nesse caso, todos os centros de todos os seus desejos e vontades, todas as crenças e convicções, todos os seus pensamentos e raciocínios, e todas as suas emoções e sentimentos têm que estar justapostos em perfeita harmonia. 

Não pode haver contradição entre o que você crê e o que você faz, entre o que você pensa e o que você sente, ou entre o que você é e assim por diante. 

Mais do que isso, você não pode ter vontades e pensamentos conflitantes, imagine mais. Imagine que estas cidades que existem dentro de você não têm apenas um centro, e que todos os centros de todas as cidades têm que estar alinhados. E tem mais. Imagine que alguns desses centros você nem imagina que existam e alguns outros que pensa que conhece são ilusões e centros falsos. Estas são as cidades do seu subconsciente ou do seu inconsciente. Agora, imagine que todos os centros de todas as suas cidades, conscientes, inconscientes e subconscientes devem estar alinhados para que você veja a Deus. Assim imagino. 

E por esta razão acredito que ver a Deus é algo somente possível mediante revelação. E uma vez recebida à revelação, a gente vai fazendo a sintonia fina e alinhando pouco a pouco os centros das nossas cidades interiores. Com o passar do tempo, a imagem de Deus vai ficando cada vez mais nítida, e aí a gente perde a arrogância de falar de Deus com tantas certezas, até porque o que a gente vê deixa a gente até sem fala. 

Adaptado por Juliano Fabricio via

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