Que encontro! Dois irmãos que não se viam há anos, separados por uma briga, voltam a se encontrar. É imprevisível o sentimento que cada um deles teve. Teria ódio ou rancor aquele que se sentiu lesado por ter seu direito de primogenitura usurpado? E aquele que usurpou? Sentiria medo? 

Eles determinaram como seria o encontro. E foi assim: 

“Mas Esaú correu ao encontro de Jacó e abraçou-se ao seu pescoço, e o beijou. E eles choraram”. – Gn 33.4 

“Mas Jacó insistiu: Não! Se te agradaste de mim, aceita este presente de minha parte, porque ver a tua face é como contemplar a face de Deus; além disso, tu me recebeste tão bem!” – Gn 33.10

A atitude de Esaú foi surpreendente. Não queria presentes em troca do perdão, mas um abraço, um beijo, seu irmão. E tal atitude demonstra a graça de Deus, através de Jesus Cristo, quando morreu na cruz para nos proporcionar o perdão pelos pecados. E por isso Jacó, ao olhar para Esaú, viu o próprio Deus. 

Eu gostaria de ter encontros onde pessoas, ao olharem pra mim e perceber minhas atitudes (não apenas de perdão), vissem a face de Deus. 

Mas reparem em Jacó. Quanta sensibilidade para ver numa pessoa, a face de Deus. Isso exige ter o que o filósofo empirista David Hume chama de “delicadeza do gosto”, uma capacidade para perceber as características, gostos e belezas mais diminutas e quase imperceptíveis dos seres. Mas para possuir tal virtude, segundo o filósofo, é necessário prática, comparação e liberdade do preconceito para avaliar o que realmente é bom. 

Alguém que não pratica a presença do Deus tem uma visão grosseira e não sabe definir bem as belezas dos detalhes e excelências de Deus. Se não fizer comparações, as “belezas” mais frívolas, que mereciam o nome de deformidades, tornam-se objeto de sua devoção e qualquer coisa acaba ocupando o lugar que deveria ser Dele. Quando se deixa dominar pelo preconceito ou tira conclusões sobre o Senhor a partir do pensamento de outros e não por experiência pessoal, a pessoa não sente de Deus, o que Ele é em si. Jacó tinha estas qualidades; ele adquiriu a “delicadeza do gosto”

Quando fala sobre estes conceitos, David Hume não está falando sobre Deus, mas creio que os conceitos se aplicam. Que possamos então, ter a delicadeza do gosto e contemplar nas sutilezas da vida ou no encontro com um irmão, a face de Deus. 

Juliano Fabrício 
em outras fronteiras


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