Apresentar Jesus como exemplo de vida moral é como colocar Tiger Woods* como exemplo de como bater o taco na bola de golfe. Mesmo que eu começasse agora e treinasse oito horas todos os dias, é altamente improvável que um dia conseguisse fazer o que Woods faz; e há muita gente por aí, mais jovem e mais preparada do que eu, tentando ao máximo e, mesmo assim, não consegue. Do mesmo modo, observar Jesus – e sua combinação maravilhosa de sabedoria, bondade, astúcia, humor, paciência com discípulos inconstantes, coragem no confronto com o mal, autocontrole em inúmeras situações de tentação (conseguindo, como diz Hebreus 4.5, permanecer sem pecado apesar de ter sido tentado em todos os aspectos, como nós o somos) – deixa a maioria das pessoas excluindo-se apenas os mais orgulhos ou ambiciosos, se sentindo como se observassem Tiger Woods dar uma tacada na bola. Só que a discrepância é ainda maior.

Além do mais, a sugestão de tomar Jesus como exemplo moral pode ser – e tem sido para alguns – uma forma de manter certa distância, por uma lado, a mensagem do reino de Deus e, por outro, o significado da morte e ressurreição de Jesus. Tomá-lo como exemplo supremo de vida pode ser contemplação bem estimulante, mas é basicamente seguro: afasta o desafio muito maior de pensar que Deus talvez esteja mesmo vindo transformar este mundo (que nos inclui) com o poder e a justiça do céu. Ajuda também a fugir do fato que os quatro Evangelhos mostram – a transformação só acontece por meio de eventos chocantes e terríveis a morte de Jesus. Como “exemplo moral” ele é domado, um tipo de mascote religioso. Olhamos para ele com aprovação e decidimos imitá-lo (pelo menos até certo ponto e, sem dúvida, ele nos perdoará o restante, porque é um cara muito decente). Nada disso! Se a única coisa que nos falta é um bom exemplo, nossa situação não pode ser tão ruim como muitos (inclusive o próprio Jesus) dizem.

Vai contra isso toda uma tradição; de Jeremias, com suas advertências quanto ao coração enganador; passando por João Batista, que advertia sobre o machado colocado à raiz da árvore; e Paulo, com a afirmação de que se a justiça fosse alcançada pela Lei o Messias não precisaria morrer; chegando até Ambrósio, Agostinho, Lutero e Kierkegaard e muitos outros. E, claro, o próprio Jesus, que não saiu dizendo: “Olhem como eu faço e me imitem”. Ele chamou: “O reino de Deus está vindo; peguem suas cruzes e me sigam”. Só quando entendermos a diferença entre os dois desafios teremos chegado ao cerne do evangelho e, com isso, ao elemento essencial para o renascimento da virtude.

N. T. Wright - em seu livro Eu creio, e agora?


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