Mas qual deveria ser a postura cristã em relação à comunidade GAY?

— um evangélico me perguntou de forma inquisitiva. 

Em uma de suas parábolas — respondi —, Jesus recomendou que deixássemos o trigo e o joio crescerem juntos. Paulo compreendeu isso ao escrever em 1Coríntios 4:5: "Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor". Os filhos e as filhas do Pai são as pessoas que mais se abstêm de julgamentos. Sua fama é a de aproximar-se de pecadores. Lembre-se da passagem, em Mateus, em que Jesus diz "sejam perfeitos assim como é perfeito nosso Pai que está nos céus"? Em Lucas, o mesmo versículo está traduzido por "sejam compassivos assim como nosso Pai que está nos céus é compassivo". Os estudiosos da Bíblia dizem que estas duas palavras: perfeito e compassivo podem ser reduzidas à mesma realidade. Conclusão: seguir Jesus em seu ministério de compaixão define, com precisão, o significado de sermos perfeitos como é perfeito nosso Pai que está nos céus. 

— Além disso — continuei — eu resisto a tirar Deus de seu lugar de juiz, para assumi-lo e julgar os outros, pois não tenho autoridade nem conhecimento para fazê-lo. Ninguém nesta mesa jamais poderá ver um motivo. Portanto, não podemos levantar suspeitas sobre o que inspirou a ação do outro. Lembre-se das palavras de Paulo depois de seu discurso sobre a homossexualidade em Romanos, capítulo 1. Ele começa o capítulo 2 com "és indesculpável, ó homem, quando julgas quem quer que sejas, porque no que julgas a outro a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas". Sou relembrado da frase do romancista russo Leon Tolstói:

"Se as fantasias sexuais da pessoa comum fossem expostas o mundo ficaria horrorizado". 

A homofobia está entre os escândalos mais vergonhosos do nosso tempo. Na última década do século 20, foi atemorizante ver a intolerância, o absolutismo moral e o dogmatismo rígido que prevaleceu quando as pessoas insistiram em exaltar a religiosidade. Alan Jones percebeu que "é precisamente entre os que levam sua vida espiritual a sério que residem os maiores perigos". As pessoas piedosas são tão facilmente vitimadas pela tirania homofóbica quanto qualquer pessoa. 

Minha identidade como filho de Deus não é uma sublimação ou um sapateado na religiosidade. É a verdade central da minha existência. Conhecer a existência da ternura acolhedora afeta profundamente a percepção que tenho da realidade, a forma como reajo às pessoas e às situações em que se encontram. Como trato meus irmãos e irmãs no dia-a-dia, sejam brancos, africanos, asiáticos ou hispânicos; como reajo às cicatrizes de um bêbado, na rua; como reajo às interrupções de pessoas das quais não gosto; como lido com pessoas comuns, em sua descrença comun, num dia comum mostrará quem sou de fato, de forma mais pungente do que o adesivo "Sou a favor da vida", colado no pára-choque do meu carro. 

Não somos a favor da vida simplesmente porque estamos adiando a morte. Somos filhos e filhas do Altíssimo e amadurecemos na ternura à medida que somos a favor dos outros — todos os outros; à medida que nenhum ser humano nos é estranho, que conseguimos tocar a mão do outro com amor e que para nós não existem os "outros". 

Essa é a incessante luta de uma vida inteira. É o longo e doloroso processo de se tornar como Cristo em como escolho pensar, falar e viver a cada dia. As palavras de Henri Nouwen são incisivas aqui: 

O que se exige é que nos tornemos como o Amado nos lugares comuns da existência diária e, pouco a pouco, diminuir a distância existente entre o que reconhecemos ser nós mesmos e as inúmeras realidades específicas da vida cotidiana. Tornar-nos o Amado é trazer a mim a verdade do alto revelada, até àquilo que ordinariamente somos, de fato, nos pensamentos, nas palavras e nas ações a cada momento. 

Minhas traições e infidelidades são numerosas demais para ser contadas. Ainda me prendo à ilusão de que preciso ser moralmente impecável, que as pessoas precisam ser impecáveis e aquele a quem amo não pode ter fraquezas humanas. Entretanto, sempre que permito que algo não seja a ternura e a compaixão ditem minhas reações à vida — seja a raiva, a moralização e a posição defensiva dos fariseus, a necessidade premente de mudar os outros, a crítica ácida, a frustração com a cegueira dos outros, o senso de superioridade espiritual, uma fome corrosiva por satisfação — alieno-me do eu verdadeiro. Minha identidade como filho do Pai se torna ambígua, experimentar e confusa. 

Nosso jeito de ser no mundo reflete a ternura. Tudo o mais é ilusão, má percepção, falsidade. 

A vida compassiva não é uma boa vontade negligente com o mundo nem a praga que Robert Wicks chama de "gentileza crônica". Não insiste com a viúva para que seja amigável com o assassino de seu marido. Não exige que gostemos de todo o mundo. Nem faz vista grossa ao pecado e à injustiça. Não aceita, indiscriminadamente, a realidade — amor e concupiscência, cristianismo e ateísmo, marxismo e capitalismo. 

O caminho da ternura evita o fanatismo cego. Em lugar disso, procura enxergar com clareza penetrante. A compaixão de Deus em nosso coração abre-nos os olhos para o valor singular de cada pessoa. "Os outros somos 'nós mesmos'; e devemos amá-los em seu pecado assim como somos amados em nosso pecado". 

Sábias palavras de Brennan Manning

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