Talvez o aspecto mais devastador e demoníaco da propaganda é o fato de ela tentar persuadir-nos de que bens matérias trazem alegria e realização. “Que a felicidade pode ser obtida pelo enriquecimento material sem limites é algo negado por todas as religiões e filosofias conhecidas; contudo, isto mesmo é pregado sem cessar, em cada comercial de TV que assistimos”. Os publicitários prometem que os seus produtos satisfarão as nossa mais profundas necessidades, anseios por amor, aceitação, segurança e realização sexual. O uso do desodorante certo, prometem, tratá aceitação e amizade. O último lançamento em creme dental ou xampu tornarão você irresistível. Uma casa ou uma boa caderneta de poupança lhe garantirão segurança e amor.

Exemplos neste sentido encontramos em toda parte. Um banco de Washington, D.C., anunciou recentemente novas cadernetas de poupança com a seguinte pergunta: “Quem o amará quando você estiver velho e grisalho?” E acrescenta uma proposta muito sedutora: “Ponha de lado um pouco de amor. Todo mundo precisa de um dólar para uma eventual necessidade. Poupe um pouco de amor.” Estas palavras não são bíblicas, são heréticas, demoníacas. Ensinam a ]grande mentira da nossa sociedade secular e materialista. Porém, as palavras e o fundo musical são tão atraentes que depois ficam dançando pela cabeça da gente para lá e para cá, centenas de vezes.

Se ninguém prestasse atenção a essas mentiras elas seriam inócuas. Mas isso é impossível. A propaganda exerce um impacto poderoso em todos nós. Ela molda os valores dos nosso filhos. Muita gente em nossa sociedade crê firmemente que possuir mais significa mais aceitação e mais felicidade. O criador de jóias Barry Kiesseístein, de Nova Iorque, expressou com as seguintes palavras a tendência das pessoas buscarem sentido e amizade em coisas: “Uma peça preciosa de joalheria, com a qual você se relaciona, é como ter um amigo sempre presente”.

Em certo sentido, prestamos demasiado pouca atenção à eficiência das propagandas. Em geral estamos convencidos de poder ignorá-las simplesmente. Mas o fato é que elas se infiltram em nosso subconsciente. Nós as assimilamos em vez de analisá-las. Deveríamos mesmo é nos flagrar das espalhafatosas mentiras e da gargalhadas em cima das suas promessas absurdas. John V. Taylor sugeriu que as famílias cristãs adotassem o “slogan”: “Quem você pensa que está tapeando?” e gritá-lo em como toda vez que aparecer um comercial no vídeo.

O teólogo Patrick Kerans declarou recentemente que a obsessão da nossa sociedade pelo crescimento econômico e por um ideal do padrão de vida sempre mais elevado, promovido por uma constante propaganda, é na realidade uma consequência final do Iluminismo.

Por volta do século XVIII, a sociedade ocidental concluiu que o método científico é que deveria determinar nosso relacionamento com a realidade. Uma vez que somente critérios quantitativos de valor e de verdade eram aceitáveis, valores menos concretos como comunhão, confiança e amizade passaram a um plano mais secundário. O PNB (Produto Nacional Bruto) pode ser mensurado, o mesmo não acontecendo com valores como amizade e justiça. Em consequência desses princípios, chegamos à nossa competitiva economia de crescimento, ]onde o lucro e o sucesso econômico (considerandos na prática quase a mesma coisa) se tornam os critérios dominantes.

Se Kerans tem razão, o resultado disso só pode ser a desintegração social. Se as nossas estruturas sociais básicas estão construídas sobre as pressuposições heréticas do Iluminismo, de que o método cientifico é o único caminho para chegar à verdade e aos verdadeiros valores, então – se o cristianismo tem razão – parece inevitável o colapso da nossa sociedade.

A propaganda contém em si mesma uma contradição fundamental. Os cristãos sabem que riqueza não traz felicidade, amor e aceitação. A propaganda, porém, promete tudo isso àqueles que cobiçam ter sempre mais posses e contas bancárias mais poupudas. Dada a nossa inclinação natural para a idolatria, a propaganda é tão diabolicamente poderosa e persuasiva que consegue levar tanta gente a persistir em seus esforços infrutíferos por satisfazerem a sua sede de sentido e realização com uma crescente enxurrada de dinheiro e posses.

A consequência é: internamente, uma angustiante infelicidade e insatisfação indefinida; externamente, injustiça social e estrutural. A nossa riqueza não consegue satisfazer os nossos corações inquietos. E além disso ainda ajuda a privar um bilhão de próximos famintos dos alimentos e recursos tão necessários para sua vida. Teremos nós, cristãos ricos, a coragem e a sinceridade para aprender a não nos deixarmos determinar pela propaganda sedutora e satânica deste mundo?

Trecho do livro Cristãos ricos em tempos de fome, de Ronald Sider. via

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