Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o vosso coração. Hebreus 4:7

O Evangelho é a Boa Notícia do Reino de Deus. O Evangelho é a certeza de que Deus se reconciliou com o mundo, em Cristo, e que agora os homens podem se desamedrontar, pois foi destruído aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo; bem como foram libertos aqueles que estavam sujeitos à escravidão do medo da morte por toda a vida, conforme esclarece o autor da carta aos cristãos hebreus, no capítulo 2:14-15.

Já o “evangelho” que nada realiza hoje e transfere tudo para o céu, para o porvir, é como o espiritismo kardecista, que transfere para o passado as causas das fraquezas de hoje ou os infortúnios e limitações desta vida. No espiritismo, tudo é baseado no passado. Em um passado que se teria vivido, mesmo que dele não se tenha nenhuma memória.

E o “evangelho” sem vida e sem Boa Nova para Hoje alimenta sua existência nas recompensas do céu em contraposição às desgraças desta vida, produzindo não esperança, mas conformismo e alienação. Ora, conquanto o Evangelho carregue a promessa da Glória Eterna – como já foi explanado introdutoriamente –, que é a razão de nossa esperança, se, contudo, tal Evangelho não fizer bem à vida Hoje, ele não é nada, e muito menos a Boa Nova.

No Kardecismo, a esperança de hoje é buscar existir num estado de caridade humana e de busca de conhecimentos acerca dos modos de se promover o “desenvolvimento espiritual”. Já no “evangelho” sem Boa Nova para Hoje, o que se diz é que a garantia de salvação é a fidelidade à frequência à “igreja” – isso se a pessoa “se segurar” e não fizer nada “muito errado”, pois se fizer, ainda que Deus o perdoe, os discípulos do “evangelho” sem Boa Nova haverão de se tornar o próprio cumprimento da Lei do Carma, pois não perdoam ninguém que, depois de “iniciado”, erre de modo verificável.

Assim, nesse caso, não se paga por erros de uma existência passada, mas de qualquer que seja o passado da presente existência – isso se a pessoa cometer o erro depois do “batismo”, ou seja, depois de ser “membro da igreja”.

O Evangelho de Jesus não é apenas o benefício da consolação ante a morte! Não! Se o Evangelho entrar na pessoa, mesmo o Paraíso fica menos importante do que ouvir Jesus dizer: Hoje mesmo estarás comigo... Isso porque, de fato, não há Paraíso sem Jesus, mas onde Jesus está, aí há Paraíso. Daí o Paraíso importar muito menos do que a relação com ele.

Assim, o Evangelho não é para o céu, mas para a Terra. Quem precisa de Boa Nova no céu? Lá tudo isto já não é. Lá é o cumprimento absoluto e pleno de todas as promessas presentes também na Boa Nova.

Mas a grande Boa Nova do Evangelho não é o “céu”, mas sim o perdão, a reconciliação, o descanso e a paz, usufruindo plenamente sua Presença na eternidade que já é.


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