Henri Nouwen destacou: 

"Deus se regozija. Não porque os problemas do mundo foram resolvidos, não porque todo o sofrimento e dor da humanidade acabou, não porque milhares de pessoas se converteram e estão agora louvando-o por sua bondade. Não, Deus se regozija porque um dos seus filhos que estava perdido foi achado".

Isso que escandalizou os cobradores de impostos,

...os mestiços, os estrangeiros e as mulheres de má reputação que cercavam Jesus. Eles também tinham dificuldade em assimilar a ideia de que essas eram pessoas que Deus amava.

Enquanto Jesus cativava a multidão com suas parábolas a respeito da graça, os fariseus ficavam de longe murmurando e rangendo os dentes. Para provocá-los, na história do Filho Pródigo, Jesus introduziu o irmão mais velho para enunciar o devido sentimento de ultraje pelo fato de o pai ter recompensado um comportamento irresponsável. 

Que tipo de "valores de família" o seu pai comunicaria dando uma festa para tal renegado? Que tipo de virtude isso encorajaria?

O evangelho não é, de maneira nenhuma, o que nós sugerimos. Eu, por minha vez, esperaria que se honrasse a virtude contra a libertinagem. Eu esperaria ter de me purificar para marcar uma audiência com um Deus Santo.

Mas Jesus falou de Deus ignorando o mestre religioso que se achava fantástico e deu atenção a um pecador comum que rogava: "Ó Deus, tem misericórdia". Em toda a Bíblia, na verdade, Deus demonstra uma notável preferência por pessoas "autênticas" em vez de pessoas "boas". 

Nas palavras do próprio Jesus: "Haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento".

Em um de seus últimos atos antes de morrer, Jesus perdoou o ladrão que pendia de uma cruz, sabendo muito bem que o ladrão havia-se convertido por causa de puro medo. Esse ladrão nunca estudaria a Bíblia, nunca frequentaria uma sinagoga ou igreja e nunca acertaria a sua vida com todos aqueles que havia prejudicado. Ele simplesmente disse: "Senhor, lembra-te de mim", e Jesus lhe prometeu: "Hoje estarás comigo no paraíso". Foi outro lembrete chocante de que a graça não depende do que fizemos por Deus, mas, antes, do que Deus fez por nós.

Pergunte às pessoas o que elas devem fazer para ir para o céu e a maioria vai responder: 

"Ser bom". 

As histórias de Jesus contradizem essa resposta. Tudo que devemos fazer é clamar: "Socorro!". Deus recebe em sua casa qualquer um que o fizer e, de fato, já deu o primeiro passo. 

Como Sören Kierkegaard disse:

Quando se trata de um pecador Ele não fica simplesmente parado, com os braços abertos e dizendo: "Venha cá". Não. Ele fica ali e espera, como o pai do filho perdido esperou; ou melhor, ele não fica parado esperando: sai procurando, como o pastor procurou a ovelha perdida, como a mulher procurou a moeda perdida. Ele vai e foi infinitamente mais longe do que qualquer pastor ou qualquer mulher. Ele seguiu calmamente o longo e infinito caminho de ser Deus para se tornar homem e, desse modo, foi procurar os pecadores.

Kierkegaard coloca o dedo sobre aquele que talvez seja o mais importante aspecto das parábolas de Jesus. Elas não são simplesmente histórias agradáveis para prender a atenção dos ouvintes ou vasos literários para guardar verdades teológicas. Elas foram, realmente, o modelo da vida de Jesus na terra. Ele foi o pastor que deixou a segurança do aprisco para sair na noite escura e perigosa lá fora. Nos seus banquetes ele recebeu cobradores de impostos, réprobos e prostitutas. Ele veio por causa dos doentes e não por causa dos sãos, pelos injustos e não pelos justos. E àqueles que o traíram, especialmente os discípulos, que o abandonaram na hora de sua maior necessidade, Ele respondeu como um pai cego de amor.

...simples definição para Deus: "Aquele que ama".

Não faz muito tempo um certo pastor contou que lutava com sua filha de quinze anos de idade. Ele sabia que ela tomava anticoncepcionais, e várias noites nem havia voltado para casa. Os pais tentaram várias formas de castigo, sem resultado. A filha mentia, enganava, e ainda encontrou um jeito de acusá-los: "A culpa é de vocês, por serem tão rigorosos!".

Ele disse: "Eu me lembro de ter ficado diante da janela da sala de estar, olhando para a escuridão, à espera de ela voltar para casa. Eu sentia tanta raiva. Eu queria ser como o pai do Filho Pródigo, mas estava furioso com minha filha pelo jeito com que ela nos manipulava para nos machucar. E, naturalmente, ela se machucava mais do que ninguém. Eu compreendi a passagem nos profetas expressando a ira de Deus. O povo sabia como machucá-lo, e Deus gritava sentindo dor.

"Mas, vou-lhe dizer, quando minha filha voltou para casa naquela noite, ou quase no dia seguinte, o que eu mais desejava no mundo era tomá-la em meus braços, confessar o meu amor por ela e dizer-lhe que queria o melhor para ela. Eu era um pai desamparado, cego de amor."

Agora, quando penso em Deus, levanto a imagem do pai cego de amor que está a milhas de distância do monarca severo que eu costumava imaginar. Penso naquele pastor de pé diante da janela da sala de estar perscrutando dolorosamente as trevas. Penso na descrição que Jesus fez do Pai que espera, sofredor, insultado, mas desejando mais do que tudo perdoar e começar tudo de novo, para anunciar alegremente: "Este meu filho estava morto, mas reviveu; estava perdido, e foi achado".

O Réquiem, de Mozart, contém uma frase maravilhosa que se transformou em minha oração, uma prece que faço com confiança cada vez maior: "Lembre-se, Jesus misericordioso, de que eu sou o motivo da sua viagem".

Creio que ele se lembra.

Meditações de anos de leitura dos livros do 
Philip Yancey. (Surrupiado mesmo)

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