Descobri só recentemente que Phillip Yancey tornou-se um proscrito de uma certa corrente cristã. Inocência minha. Não poderia deixar de ser, diante do que escreve. Quem abre a boca para falar contra o sistema de controle estabelecido não pode merecer nada mais do que a excomunhão. Não foi o que fizeram com os profetas em toda a história de Israel?

Besteira minha comparar Yancey a um profeta também. Não creio que ele mesmo se perceba assim. Profetas estão por aí nos púlpitos dos apóstolos e não escrevendo livros que nos levam à reflexão e contestam o status quo.

No livro Alma Sobrevivente Yancey inicia sua narrativa observando as marcas deixadas pela igreja institucional, sua pregação incoerente, suas certezas dúbias, sua fé pragmática e o verniz espiritual com que os cristãos se pintam para que seus argumentos ganhem força nas falsas aparências. Argumenta também sobre o inegável fato de que enquanto muitos se convertem ao padrão de vida exigido pela ‘igreja’ (seja lá o que isso signifique), outros tantos afastam-se definitivamente de qualquer espiritualidade por terem percebido a tremenda discrepância que existe entre o que se prega e a realidade dos que pregam. 

Finalmente nos conta como foi profundamente influenciado por vidas que viveram e pregaram um evangelho genuíno, tanto dentro como fora da ‘igreja’, ressaltando que a pregação dos ‘de fora’ teve mais força sobre sua própria vida. 

Apesar de não termos tido em nosso país um segregacionismo tão evidente quanto o relatado no capítulo sobre Martin Luther King Jr, muitas semelhanças existem entre a posição da igreja dos EUA e a brasileira. Ambas abraçavam o ‘status quo’ e posicionaram-se a favor da permanência da injustiça evidente na sociedade. Dois textos interessantes sobre o protestantismo e a escravidão no Brasil podem ser lidos aqui. Além disso, nossa participação nos tempos de ditadura também foi bastante vergonhosa, com apoio massivo aos desmandos do regime militar, obviamente influenciados pelos nossos colonizadores espirituais oriundos da América do Norte. Muito interessante a análise da vida moral de Luther King, comparando-o com os grandes profetas bíblicos.

Estaríamos certamente em perigo se o mensageiro indigno invalidasse a mensagem. 

A ênfase é dada sobre a dedicação de Luther King em viver, anunciar e implantar um Reino de justiça, paz, amor e igualdade, baseado na mensagem de Cristo e disposto a carregar sua cruz para isso, pagando inclusive com sua vida. Além disso, a coragem e ousadia desse homem são tão motivantes quanto a coragem e ousadia dos heróis bíblicos.

Boa reflexão em atrilha

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