$preço x valor x GRAÇA®

Não sei dizer isso delicadamente, de forma que vou falar: estou um pouco preocupado com a atitude demonstrada na Bíblia para com a matemática. 

Sei que este tipo de afirmação irrita algumas pessoas, mas quanto mais leio mais entendo o que quer dizer. Pense nas evidências você mesmo: um exemplo de cada um dos Evangelhos, para ser matematicamente preciso.

Mateus 20. O capítulo começa com uma parábola sobre a qual, compreensivelmente, quase não ouço sermões, porque contradiz todas as leis adotadas pela sociedade relacionadas à justiça, motivação humana e compensação justa. 

Jesus conta, em poucas palavras, sobre um fazendeiro que contrata algumas pessoas para trabalhar em seu campo. Uns começam logo cedo. No meio da manhã, chegam outros. Na hora do almoço, ele contrata novos trabalhadores, ainda outros no meio da tarde e os últimos uma hora antes do término do expediente. Todos estão satisfeitos com o emprego, até à hora do pagamento do salário, quando os dedicados que trabalharam o dia todo sob o sol escaldante percebem que os folgados que começaram há pouco mais de 1 hora recebem exatamente a mesma quantia!

Qualquer pessoa que já trabalhou no campo um dia inteiro pode entender, facilmente, por que os primeiros a "pegar no batente" se sentiram ultrajados. A decisão do patrão desafia as regras de economia. Entendo que Jesus contou esta parábola não visando a dar uma aula sobre benefícios trabalhistas, e sim mostrar a atitude de Deus para conosco. Mas a matemática no reino espiritual parece ser estranha como a que foi usada nesta situação. Os últimos a começar a trabalhar me lembram o ladrão na cruz: sem nada de bom, ele mal consegue "se dar bem" no último instante, e, ainda assim, aparentemente, recebe a mesma recompensa de uma pessoa que passou sua vida em devoção e piedade. Histórias de perdão no último instante têm um toque atraente, é claro, mas dificilmente motivarão uma pessoa a levar uma vida cristã decente. Como você se sentiria, sendo criado em uma família correta, frequentando escolas cristãs, amadurecendo, estabelecendo uma família exemplar em sua comunidade, tudo isto para descobrir que um atrasadinho se arrependeu em seu leito de morte e chegou na sua frente no juízo Final?

Marcos 12. Aqui Jesus lida com a economia não através de uma parábola, mas de um comentário direto sobre um ato que hoje a Receita Federal classifica de "Contribuição para Entidades Beneficentes". Uma viúva coloca duas moedas como oferta no Templo, em quantia inferior a 1 centavo. Jesus, que acabara de observar alguns ricos fazerem investimentos consideráveis na causa da caridade, aparece com a seguinte afirmação:

"Em verdade vos digo que esta viúva pobre depositou no gazofilácio mais do que o fizeram todos os ofertantes."

(Espero que Ele tenha falado baixo!) Admirar os motivos que levaram a viúva a doar suas moedas é uma coisa, mas aparecer com uma afirmação matemática desconcertante – e potencialmente ofensiva – como esta é outra totalmente diferente!

Talvez possamos explicar os comentários de Jesus com base no desconhecimento, naquela época, de algumas regras importantes para o levantamento de recursos que foram descobertas posteriormente. Por certo levou tempo para que a Igreja do Novo Testamento conseguisse se libertar da prática legalista do dízimo e ajustasse às ofertas voluntárias suas exigências diplomáticas (Tiago 2, por exemplo, mostra uma desconsideração chocante pelos princípios de levantamento de recursos). E em nossa época, mais do que antes, vemos inovações importantes, como cartas personalizadas, prêmios, clubes de contribuintes e banquetes beneficentes (nos quais a viúva, sem qualquer sombra de dúvida, sentir–se–ia deslocada).

Certamente, o sentimentalismo suscitado pela fidelidade de uma viúva não deve interferir na "construção de relacionamentos" e na "manutenção dos doadores", atenção que dedicamos aos que doam quantias substanciais: agir ao contrário seria, na verdade, ir completamente contra a matemática.

Lucas 15. Todos conhecemos esta história, do nobre pastor que deixou seu rebanho de noventa e nove ovelhas e lançou–se na escuridão para procurar uma ovelhinha perdida. Um sermão bonito, mas reflita um pouco sobre a matemática da história. Jesus diz que o pastor deixou as noventa e nove "no deserto", donde se conclui que ficaram vulneráveis a ladrões, lobos ou a um desejo incontrolável de disparar atrás dele. Como se sentiria o pastor se voltasse com a ovelhinha perdida jogada nos ombros e descobrisse que outras vinte e quatro haviam desaparecido?

Felizmente, a ciência do crescimento da Igreja instrui–nos hoje a investir nossos recursos nas atividades que beneficiam o maior número de pessoas. Grupos homogêneos funcionam muito melhor, de forma que ir atrás de desviados sociais não é uma prática adequada a bons mordomos. Obviamente, a ovelha que saiu do rebanho não se ajustava dentro dele, ou talvez quisesse aproveitar sua própria liberdade – e esta dificilmente seria uma boa razão para colocar todo o rebanho em perigo.

João 12. Uma das melhores amigas de Jesus, Maria (que já demonstrara antes padrões duvidosos de utilização do tempo), ganha um lugar na história em face da sua falta de habilidade econômica. Ela toma meio litro – 1 ano de salário! – de perfume e o entorna nos pés de Jesus. Só de pensar neste ato bizarro minha pressão sobe. Será que 50ml não teriam o mesmo efeito? E Jesus queria mesmo que alguém espalhasse perfume em seus pés? Até Judas, ainda que com motivos escusos, viu o desperdício completo daquele ato: pense em todos os pobres que poderiam ser ajudados com o tesouro que escorria pelo chão sujo. 

A visão presente no Novo Testamento quanto à matemática me recorda uma parábola de Kierkegaard (outro matemático questionável): um vândalo invade uma loja de departamentos durante a noite e, em vez de roubar, troca todas as etiquetas de preço. No dia seguinte, os funcionários – e os clientes muito satisfeitos – encontram situações estranhas, como colares de diamante por um dólar e bijuterias custando milhares de dólares. 

Kierkegaard afirma que o Evangelho é assim: altera todas as nossas convicções relacionadas a preço e valor.

Juliano Fabricio
lendo o inspirador
 Philip Yancey

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