Já dou de ombros a qualquer imperativo religioso de que devo superar a minha humanidade. Não sou angelical. Não me considero o conquistador das utopias; eu as considero apenas alavancas que me jogam para frente. Começo a reconhecer meus limites.

Quero aprender a despojar-me de falsas onipotências. Já confiei na minha capacidade de ordenar a vida. Imaginava que minhas certezas espirituais me blindariam contra decepções, tristezas e contrapés existenciais. 

Enganei-me. 

Como disse Chico Buarque, veio a Roda Viva e carregou o meu destino pra lá. Padeci desnecessariamente por superestimar a minha habilidade de anular as contingências existenciais.

Acreditei na mensagem religiosa que prometia engrenar o cotidiano, garantindo-me vitória sobre vitória. Esforcei-me o quanto pude para tornar a minha obediência, chave que livra de percalços. Eu buscava a excelência cristã como meio de alcançar um dia-a-dia encapsulado na mais pura felicidade. Depois de vários tombos, inúmeras bobagens, enormes desapontamentos e grandes decepções, acordei: a vida não se deixa encabrestar. Vi que nunca havia conseguido adequar-me ao superego exigente que eu carregava comigo. Eu me contemplava em espelhos distorcidos; com uma imagem sempre maior do que eu mesmo. A juventude engana, mas a meia-idade começa a esvaziar os delirantes de seus devaneios.

De repente me flagrei cantando com Almir Sater

Ando devagar porque já tive pressa. E levo esse sorriso porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe. Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei.

Pretendo seguir o restante da minha jornada sem as enormes pretensões que me moveram. Sem arroubos, anelo apenas oferecer minhas frágeis intuições a quem se dispor ao diálogo. Espero aprender como mais me gloriar em minhas fraquezas – e poder repetir a confissão de Paulo: Porque, quando sou fraco, então é que sou forte (2Co 12.10).

Que eu consiga atingir a percepção do profeta Miqueias: Deus fica contente se praticamos a justiça amamos a misericórdia e andamos humildes diante dele – [6.8].

Juliano Fabricio em

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