Quero falar de dona Ivani. 

Dona Ivani aprendeu a dividir felicidades e misérias pelas durezas da vida. Esse dividir nunca foi um dividir negativo, mas um dividir-compartilhar, da divisão que soma, em uma lógica de amor que subverte a aritmética. Ela aprendeu a dar o pouco que tinha e até o que não tinha como forma de mostrar que de dois faz-se quatro, de quatro faz-se oito e de oito faz-se oitenta, exercitando em frações um amor por inteiro. 

Dona Ivani aprendeu que a vida é um jogo entre o que queremos e o que podemos, temperado com o que ousamos. Encantou-se e casou-se com um vascaíno chamado Joadir. Com ele e as vezes sozinha educou seus cinco filhos. Eu sou um deles. Dona Ivani é minha mãe. 

À minha mãe devo tudo, a começar pela vida. É evidente, mas mascarado por sua evidência, esse é um fato de uma beleza estonteante. Como o escurecer do sol(ela sabe disso). Deu-me à luz, mas ninguém é mãe só porque põe no mundo. Ela sabe disso. Mãe não é categoria biológica, mas concretude afetiva. 

Minha mãe me ensinou muitas coisas. 

Ela ensinou autoridade sem violência, 
compaixão sem assistencialismo, 
vitórias sem humilhações, 
derrotas como lições. 

Aprendi com ela que a relação entre mãe e filho pode ser de igual para igual sem que se perca o respeito. Antes uma palavra indignada do que o silêncio engasgado que mata por asfixia tantas famílias. Minha mãe ensinou a discordar sem agredir. Ensinou a brigar sem machucar, a viver socialmente sem morrer moralmente. 

Nesse dias das mães quero tornar pública minha gratidão por tudo que recebi dessa mulher que sempre soube virar o jogo da vida. Que soube a hora de estudar e arrancar para uma vida melhor com sua cria, através de esforços e de uma sabedoria incomparável. 

Lembro de quando nos despedimos quando fui para São Paulo trabalhar. Malas feitas, um beijo, uma benção, um vá com Deus. Esqueço algo e volto. Na passagem para o quarto, vejo pela porta entreaberta ela sentada na cama, olhinhos miudinhos, chorando feito um bebê. Chorando feito uma mãe. Quase que eu fico. Mas ela ficaria desapontada. Sempre disse que sonhos se sonham e se buscam. E que ela estaria sempre ali para ajudar. Por isso ela foi chorar escondido. Acabei indo, não sem antes lhe dar um beijo encharcado de amor e receber um outro com mais amor ainda. Deixei para chorar no ônibus. 

Inevitável voltar ao passado: mãezinha querida, “da mão toda suja de massa de pão de queijo”, se pudesse, buscava outra vez, mamãe, “começar tudo, tudo de novo”. Te amo. Sua benção, coisa linda. E feliz dia das mães. 

PS: Mãe, desculpa por não comer tanto ou nada de verdura que com tanto carrinho você fez. E eu, na rispidez da minha adolescência, não quis. Sei que minha entrada no céu depende desse perdão. 

do seu filho
Juliano Fabricio

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