"Abomino e desprezo vossas celebrações solenes. 
Corra, porém, a justiça como um ribeiro impetuoso. . ." (Amos, 5.24).

"Eles enganam o meu povo dizendo que tudo vai bem quando nada vai bem. Pretendem esconder as rachaduras na parede com uma mão de cal. . ." (Ezequiel, 13.10).

Ê provável que os profetas* (estranha estirpe de líderes religiosos) tenham sido os primeiros a compreender a ambivalência da religião: ela se presta a objetivos opostos, tudo dependendo daqueles que manipulam os símbolos sagrados. 

Ela pode ser usada para iluminar ou para cegar,
para fazer voar ou paralisar,
para dar coragem ou atemorizar,
para libertar ou escravizar.

Daí a necessidade de separar o Deus em cujo nome falavam, que era o Deus dos oprimidos, e que despertava a esperança e apontava para um futuro novo, dos ídolos dos opressores, que tornavam as pessoas gordas, pesadas, satisfeitas consigo mesmas, enraizadas em sua injustiça e cegas para o julgamento divino que se aproximava. . . 

Mas esta lição foi esquecida. 
A memória do Deus dos oprimidos se perdeu. . .

E não é difícil compreender por quê. Visões semelhantes às suas, só aparecem em meio aos pobres e fracos. 

Mas os pobres e os fracos vão de derrota em derrota. . .

Quem preservaria suas memórias?
Quem acolheria suas denúncias?
Quem registraria as suas queixas?

Não se pode esperar tanta generosidade dos vencedores. São os fortes que escrevem a história e esta é a razão por que não se encontram ali as razões dos derrotados. Já notaram como os derrotados são sempre descritos como vilões? O que restou, como história, foram os relatos da religião triunfante, mãos dadas com os conquistadores, fez de si mesma e daqueles que foram esmagados. 

E, assim, em nossa memória restou apenas a religião dos fortes,
[Justamente aquela que os profetas denunciaram]

Quanto à religião dos profetas*, ela continuou emergindo aqui e ali. Mas aqueles que empunharam suas esperanças foram derrotados. E, para efeitos práticos, foi como se tal religião nunca tivesse existido... E as evidências, assim, pareciam se ajuntar para levar à conclusão de que a religião nada mais é que alienação, narcótico, ilusão. Foi então que uma série de fatores coincidentes permitiu que se reconstruísse a perdida visão profética da religião como instrumento de libertação dos oprimidos.

Enfim... aquilo que os opressores denunciam nos oprimidos não é a verdade dos oprimidos, mas aquilo que os opressores temem.

[Deus sempre foi o DEUS dos oprimidos, que estejamos do lado de DEUS]

Profeta* (uma breve definição): dedicava, com paixão sem paralelo, a ver, compreender, anunciar e denunciar o que ocorria no seu presente. Tanto assim que suas pregações estavam mais próximas de editoriais políticos de jornais que de meditações espirituais de gurus religiosos. Eles pouco ou nada se preocupavam com aquilo que vulgarmente consideramos como propriamente pertencendo ao círculo do sagrado: o cultivo das experiências místicas, das atitudes piedosas e das celebrações cerimoniais está praticamente ausente do âmbito dos seus interesses. Na verdade, boa parte de sua pregação era tomada pelo ataque às práticas religiosas dominantes em seus dias, patrocinadas e celebradas pela classe sacerdotal. E isto porque eles entendiam que o sagrado, a que davam o nome de vontade de Deus, tinha a ver fundamentalmente com a justiça e a misericórdia. Em suas bocas tais palavras tinham um sentido político e social que todos entendiam. Para se compreender o que diziam não era necessário ser filósofo ou teólogo. Sua pregação estava colada à situação dos homens comuns. 

Instaurou-se com os profetas* um novo tipo de religião, de natureza ética e política, e que entendia que as relações dos homens com Deus têm de passar pelas relações dos homens, uns com os outros. - "Abomino e desprezo vossas celebrações solenes. Corra, porém, a justiça como um ribeiro impetuoso. . ." (Amos, 5.24).

Ps: A fé cristã sobreviveu os últimos dois milênios devido a incapacidade do clero de calar os profetas.

Juliano Fabricio
querendo ser contado como profeta
[lendo Rubem Alves]

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